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Vivendo do Ócio nos apresenta sua Selva e seu Mundo

Essa história, acompanhamos desde o início: para concretizar seu novo álbum, a banda Vivendo do Ócio lançou, no primeiro semestre de 2015, uma campanha de financiamento coletivo. Ontem, o público teve a oportunidade de conferir, pela primeira vez, o resultado disso tudo: Selva Mundo, o terceiro álbum da carreira da banda.

vdo-zupiDa esquerda pra direita: Luca Bori (baixo), Dieguito Reis (bateria), Jajá Cardoso (voz e guitarra) e Davide Bori (guitarra) | Foto: Rafael Kent

Pela primeira vez inteiramente independentes (“Nem Sempre Tão Normal”, de 2008 e “O Pensamento é um Ímã”, de 2012, foram gravados sob o selo da Deckdisc), Jajá Cardoso, Luca Bori, Davide Bori e Dieguito Reis trazem, em “Selva Mundo”, a maturidade de quem já passou por grandes e pequenos palcos e passeiam entre o peso e a suavidade – com muita competência, de um jeito ou de outro. Vivendo do Ócio não é mais sinônimo de banda revelação, e o novo álbum só vem confirmar e consolidar os quase dez anos de banda, com parcerias que vão de Pepeu Gomes (fã declarado da VDO) a Thadeu Meneghini (ex-Banzé! e atual Vespas Mandarinas).

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Vivendo do Ócio não é “só” rock brasileiro porque faz rock no Brasil, mas porque fala de Brasil para muitos, com a propriedade de poucos. De presente pra você e pra gente, dissecamos esse álbum inteirinho junto com os patcharas, faixa a faixa. Confira o resultado a seguir e ouça o álbum, que está disponível desde 9 de setembro no Youtube e foi produzido pelos mestres Fernando Sanchez e Curumin.

Coloque seus fones, aumenta o volume e vem com a gente:

[special-title]A Espera[/special-title]

ZUPI: A Espera é uma música que fala sobre obrigações, resistência e o sertão. Por que ela foi escolhida para abrir o disco?

VDO: O descaso com o sertão é um tema que fica sempre em último plano, a gente não queria que isso se repetisse no nosso novo álbum! A música fala sobre o descaso, a seca e a esperança no sertão, muitas vezes esses assuntos não tem a devida importância nas grandes mídias. Outro ponto importante é que ela sintetiza bem a mistura do rock com a influência nordestina. Luca Bori

[special-title]Prisioneiro do Futuro[/special-title]

ZUPI: Prisioneiro do Futuro foi o primeiro single do SM lançado, inclusive tendo sido tocada no Invasão Baiana no Rio em agosto. Como tem sido a receptividade da música pelo público – online e offline?

VDO: Estamos tendo uma ótima resposta do público. “Prisioneiro do Futuro” é uma ótima música pra dançar nos shows! (rs). Ela remete aos nossos álbuns anteriores mas sem deixar de mostrar as novas influências da banda, passado do brasileiro ao rock pesado. Ela está sendo apontada por muitos como uma das favoritas! Luca Bori

[special-title]Prisma[/special-title]

ZUPI: Prisma tem a participação do Lirinha, que tem uma pegada mais “desplugada” (entre todas as aspas do mundo aqui). O que tem de VDO e o que tem de Lira nessa música? Como vocês caracterizariam o resultado dessa mistura genuína?

VDO: O resultado foi dos melhores, essa música foi composta de uma maneira como nunca tinha feito com ninguém, chamei o Lirinha para tomar umas brejas e apresentei a ideia para ele, que foi inspirada numa visão que tive quando fui dormir, mas naquele momento semi-acordado, sabe? Ele abraçou a ideia, a música se desenvolveu de uma maneira que parecia uma espécie de repente, ele ia falando, eu ia respondendo e vice-versa, depois da primeira passada que fizemos, esqueci o gravador ligado que registrou muito do nascimento dos versos.  Jajá Cardoso

[special-title]A Lista[/special-title]

ZUPI: A Lista, na minha opinião, é uma das músicas mais pesadas do álbum, e tem uma pegada bem urbana. A cidade parece ser um tema bem urgente nas letras de vocês. De que maneira a(s) cidade(s), falando aqui da vida em São Paulo e Salvador, influenciam vocês?

VDO: Influenciam bastante, de 6 anos para cá mudamos nossas vidas para Sampa, foi muita estrada e experiências que não tem como não estarem refletidas nas nossas músicas. A Lista traz o sentimento das pressões e cotidiano na cidade, coisas que sentimos de cara quando nos mudamos. Apesar de Salvador ser grande também, o cotidiano é muito diferente, não dá para comparar os aspectos, apenas agradecer e lamentar a existência ou falta de alguns deles. – Jajá Cardoso

[special-title]Beira do Mar[/special-title]

ZUPI: Beira do Mar, como o próprio Dieguito caracterizou, é “uma música de batera”, composta com o Thiago Guerra. De onde veio a ideia de convidar o atual baterista da Fresno pra compor? =)

VDO: Guerra é nosso amigo e frequenta muito nossa casa, nem precisou de convite! Aconteceu espontaneamente fazendo um som aqui na base VDO. Davide Bori

[special-title]Carranca[/special-title]

ZUPI: Carranca me remete a algo rude, assustador. A faixa, no entanto, é suave, tem participação do Thadeu Meneghini e fala de amor. Amor a quê? A quem? O quê o título quer dizer?

VDO: Carranca é um símbolo de proteção contra os maus espíritos e essa música fala de proteção à vida, amor ao que você ama. As pessoas cometem injustiças com elas mesmas às vezes vivendo o sonho de outras pessoas ou que as pessoas esperam que ela seja, ao invés de seguirem seus próprios instintos. Nós, juntos com Adalberto Rabelo e Thadeu Meneghini, tivemos a felicidade fazer um mantra de amor à vida. Jajá Cardoso

[special-title]Selva Mundo[/special-title]

ZUPI: Selva Mundo é uma passagem é um conjunto de ruídos e um chamado ao título do álbum: por que Selva Mundo como o título do álbum?

VDO: O título do álbum veio com decorrer do processo criativo e o disco reflete essa selva de pedra em que vivemos e as letras mostram tanto o lado belo quanto o lado selvagem da nossa sociedade. Davide Bori

[special-title]Porrada[/special-title]

ZUPI: Porrada mostra mais uma vez a cidade como tema, dessa vez falando sobre a violência e o preconceito. É uma letra carregada de crítica e com acordes tão carregados quanto. O que essa música quer passar?

VDO: Porrada é um alerta, um choque, um dedo na ferida. Compreendendo ela, aparecer a esperança. Dieguito Reis

[special-title]Não te Digo Nada[/special-title]

ZUPI: Não Te Digo Nada fala sobre traição e más experiências na vida, o que eu assumo que esteja diretamente relacionado à vida de vocês. Qual foi o maior percalço pelo qual vocês já passaram nesses anos todos de banda?

VDO: Percalço a gente acaba passando uma hora ou outra, faz parte da vida, mas podemos dizer que o momento de transição para São Paulo, se adaptar as mudanças e montar nossa base foi o momento mais difícil que superamos e foi essencial para nossa caminhada. Jajá Cardoso

[special-title]Amor em Construção[/special-title]

ZUPI: Amor em Construção conta com a participação do Pepeu Gomes. Como foi feito o convite? Era algo que vocês já queriam fazer há muito tempo?

VDO: O filho dele, Filipe Pascual, que é guitarrista, nos convidou para ir ao show do pai em Salvador. Ele disse que Pepeu curtia nosso som, mas a gente não acreditou, claro. Quando chegamos no camarim dele, perguntamos o que ele conhecia da gente e ficamos surpresos quando ele começou a dar o nome de umas músicas, mostrando que realmente conhecia, dentre várias parcerias que fizemos ao vivo no palco surgiu a de compor uma música juntos, ele nos enviou a melodia e tivemos a responsabilidade de escrever uma letra, convidamos o grande mestre da composição Fabio Trummer da banda Eddie e o Thiago Mago para essa missão, passamos alguns dias escrevendo até finaliza-la, acabou que conseguimos unir duas gerações da música baiana e pernambucana em uma música só, virou PEBA :)! Dieguito Reis

[special-title]Salva![/special-title]

ZUPI: Salva! tem uma linha de baixo tão linda que gostaria de um comentário do Luca sobre a faixa, se for possível =)

VDO: Obrigado! (rs). Gosto muito de bandas Pós-Punk e Dance-Punk como Gang Of Four, The Faint, The Rapture, entre outras, que com certeza são grandes influências pra minhas linhas de baixo. Salva! fala sobre nossa querida Salvador, tão linda, rica e amada, mas questionando alguns clichês baianos que transparecem uma Salvador que nem sempre é verdadeira. Um problema não só da nossa cidade, mas que infelizmente acontece em todo o mundo. Luca Bori

[special-title]Batalha do Sono[/special-title]

ZUPI: Batalha do Sono foi mesmo escrita num momento de insônia? O que tira o sono da banda o que a faz sonhar?

VDO: Sim. A letra foi escrita em um pensálogo (diálogo de pensamento). Eu e Luca estávamos na mesma casa, sofrendo de insônia mas em quartos diferentes, nem ele sabia que eu estava escrevendo um texto, nem eu sabia que ele estava escrevendo, quando acordamos no dia seguinte percebemos que os textos se encaixavam perfeitamente, ficamos muito impressionados com o ocorrido, costumamos brincar que ela foi um presente de outro planeta. O que tira nosso sono é o mesmo que nos faz sonhar, SELVA MUNDO. Dieguito Reis

Até mais, patcharas!

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