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Victor Sahate
Rio de Janeiro, RJ

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] O que te levou a trabalhar como artista e designer?

Historicamente, talvez seja importante mencionar que sempre curti desenhar e apreciar artes gráficas. Não fazia idéia do que era a profissão de designer, mas fazia meus cursos de desenhos, história em quadrinhos e rabiscava marcas para minha banda. Claro que isso não era nenhum sinal, por isso fui estudar biologia… Como biólogo, trabalhava no Museu Nacional com paleontologia de morcegos (sério!). Um dia, entrou uma pessoa na sala em que eu trabalhava carregando uma cartolina e umas folhas A4 impressas. Começou a colar as folhas na cartolina alegando que aquilo seria o painel que ela levaria para um congresso internacional, acho que em Washington.

Fiquei um pouco indignado! Disse pra ela que, gastando um pouco mais de dinheiro, poderia imprimir um painel e eu poderia ajudá-la a fazer. Foi meu maior grande erro! Maior por que ali eu tinha descoberto qual seria minha verdadeira profissão e, ao mesmo tempo “grande erro”, pois ficou uma fila na porta da sala que eu trabalhava, pois todos os departamentos do Museu queriam a minha ajuda para fazer cartazes e painéis. Depois de alguns dias, resolvi nunca mais aparecer no CCS na UFRJ, nem no Museu Nacional e prestar vestibular pra Desenho Industrial.

Ideologicamente, me sinto bem trabalhando com design. Realmente gosto de criar e projetar. Costumo dizer que design é minha diversão e não profissão, acho que é isso que me leva a trabalhar como designer, é isso que sei fazer. Se eu soubesse jogar tênis, tentaria ser jogador de tênis!

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[Zupi] Conte um pouco mais sobre os rumos tomados por você na profissão de designer.

Apesar de achar a parte gráfica editorial muito interessante (as possibilidades são enormes), sempre fui envolvido com design de interface, especificamente design para internet. Meus estágios foram todos nessa área e meu primeiro emprego foi no Banco1.net, que era um banco sem agência, existia apenas na internet, então nosso ambiente era totalmente voltado para web.

Sempre fui um pouco subversivo e autoral, o que é bastante ruim sob alguns aspectos, e ficava “hipnotizado” pelo fato da Internet, na época, ser um ambiente ainda em desenvolvimento, em fase de transição. Os padrões são discutíveis e os conceitos bastante mutáveis, ou seja, me sentia mais livre na minha inocente vontade de inovar e criar coisas fora dos padrões. Além disso, existia uma conexão grande da Internet com a estética digital. Todos esses fatores me fizeram estar sempre no rumo “online”.

De forma mais prática, dois rumos foram mais importantes na minha vida como designer. O primeiro foi realmente querer fazer e terminar uma faculdade. Isso é essencial para a vida de um profissional, não somente pelo o que você aprende nas aulas, mas pelos contatos que você faz e pelas idéias que você troca com outras pessoas totalmente envolvidas neste cenário. O segundo foi decidir sair do banco e abrir meu próprio estúdio…

[Zupi] Em que momento especificamente você decidiu abrir seu estúdio, Red Alien?

Decidi abrir meu próprio estúdio por que o banco que eu trabalhava estava indo pra São Paulo e eu não poderia ir, ou seja, forçadamente eu estaria desempregado. O mesmo acontecia com meus sócios e a idéia foi oportuna para os três. Baseado na experiência de trabalho que tínhamos, achamos que as competências e os gênios se equilibravam e formaríamos uma boa equipe.

Além disso, sempre fui um pouco revoltado com a forma como as coisas aconteciam na vida real, sempre tive a vontade de tentar por mim mesmo, experimentar e saber por que as pessoas nas empresas e estúdios que trabalhei não agiam da maneira que eu achava mais pertinente, tanto com relação aos clientes quanto aos funcionários.

[Zupi] Como você prospecta seus clientes?

Prospecção de clientes talvez seja a área mais importante, principalmente neste início da empresa é importante criar uma rede de relacionamentos. A Red Alien tem uma área de atendimento comercial, com pessoas que só fazem isso, tanto designers quanto profissionais mestres em marketing. Tentamos sempre transmitir nossos valores e mostrar como isso pode ser interessante para os clientes, de uma forma, até certo ponto, criativa.

[Zupi] Qual atrativo principal você apontaria em seus trabalhos?

Preocupo-me em fazer meu trabalho bem feito nos quesitos técnicos, seguindo as necessidades do cliente em questão. Pessoalmente, eu me atraio por estar sempre testando e inovando. Não gosto de me prender aos conceitos que “já funcionam”. Sempre tem um primeiro que inventa uma coisa e aquilo vira padrão… Sempre penso de forma pretensiosa: “por que não posso ser eu?”.

[Zupi] Você segue tendências visuais? Onde você busca suas referências?

Sim, sou influenciado por tendências… Acho que todo mundo é. Tento ter minha própria crítica e inovar, mas não nego que sigo tendências. Pesquiso minhas referências na Internet e em alguns livros. Diariamente dou uma olhada nos links do K10k.net, Linkdup, Design is Kinky, Eyepunch e, pessoalmente, curto muito os livros de design gráfico da editora alemã Die-Gestalten.

[Zupi] E o que te inspira?

Depende da semana… Inspiro-me em coisas do dia a dia. É bastante pessoal. Dependendo do clima, do que está na minha cabeça, do meu estado psicológico, uma coisa simples que vejo sempre pode servir de inspiração. Sei lá!

[Zupi] Existem artistas e profissionais que servem como impulsão na sua busca por novas idéias?

Sim, claro. Muitos artistas e profissionais servem de referência e inspiração. Várias vezes já olhei um trabalho do Nando Costa e me inspirei, trabalhos do Bruno Munari, textos de Ferreira Goulart, assim como peças do Borchert… Acredito que isso é normal, seria muita pretensão achar que isso não acontece.

[Zupi] Mesclando tudo isso, como você define o seu estilo?

Ah, isso eu deixo pro cara que corta o meu cabelo!

[Zupi] Você acha que o design brasileiro tem um estilo próprio?

Acho que não. Não acho que a matemática ou a física brasileira tenha um “estilo” próprio também. Acho os brasileiros muito criativos e admiro muitos designers. Admito também que alguns são referências e influências internacionais. Existe uma estética padrão brasileira, que é uma para nós brasileiros e, talvez, outra para os estrangeiros. Agora, o fato do design nacional ter um estilo, eu acho que não… Varia de cada um, inclusive, estou tocando um projeto inicialmente intitulado “Projeto Versus 01” que une trabalhos artísticos experimentais de designers brasileiros e uma de minhas intenções é mostrar como vários designers podem ter formas diferentes de se expressar, de inovar, de gerar relações gráficas.

Alguns desses brasileiros vivem aqui, outros vivem fora do Brasil. Talvez, com isso, a gente possa traçar algum padrão estético comum entre eles, mas acho que é subjetivo demais pensar em resultados como este.

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[Zupi] Você mencionou anteriormente a importância da faculdade de Desenho Industrial para você. É ponto crucial o estudo para se tornar um bom profissional?

Sim, tenho certeza que sim. A não ser que a pessoa seja uma super dotada, gênio. É difícil demais a gente entender o que acontece hoje sem entender como as coisas evoluíram e mais difícil ainda é entender como as coisas evoluíram sem estudar. Creio que quando a gente não estuda, nossas conclusões ficam um pouco românticas demais, igual ao perfume de lado que vi na vitrine da loja no shopping outro dia…

[Zupi] Novos projetos em vista?

Tenho alguns projetos. Um deles é a Red Alien, meu estúdio que começou em 2004 (www.redalien.com.br). Outro é o livro 01 do Projeto Versus, como mencionei antes. Faz parte de um projeto experimental que visa unir som e imagem. Já iniciamos uma experiência com som e agora quero fazer uma coletânea num livro até o final do ano. Tem um terceiro projeto que se chama Bônus, uma marca de roupas criada por mim, pelo Renato Japi, Bruno e Guilherme Borchert (www.bonustshirts.com.br).

Ah, já ia esquecendo da minha banda, o Wacky Kids (www.wackykids.cjb.net), meu mais antigo projeto. Estamos gravando nosso segundo CD. Bom, não tem a ver com design, mas é um projeto importante na minha vida.

 

 

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