Val Schneider

Sabe aquele conversa agradável? Foi exatamente este tipo de diálogo que tivemos com a ilustradora Val Schneider, que nos contou pormenores de sua vida. Os primeiros passos da gaúcha foram na área da moda e, como a arte sempre esteve por perto, ela acabou focando suas ideias na ilustração.

Com tinta aquarela, acrílica e água, Val dá vida a lúdicas meninas que vivem ao redor da natureza. Fique agora com o nosso bate papo revelador de histórias interessantes e agradáveis de se ler.

image

[Zupi] Que tipo de criança você foi?

Criada na roça, interior do Rio Grande do Sul. Eu podia fazer de tudo. Pulava de árvore em árvore, fazia casinhas com galhos e plantas. Depois, detonava tudo pra refazer no outro dia. Os meus brinquedos eram feitos à mão e, por isso, eu vivia suja de terra.

Não tinha televisão até os 10 anos de idade. Minhas bonecas eram espigas de milho verde. Eu construía cenários nos bananais, montava mesinhas com pedras, divisórias com varetas, paredes com folhas. Passava horas numa árvore bem alta ou tomando banho no rio com a minha irmã. Vivia no mundo da lua.

O sítio tinha uma vista linda, no meio das montanhas. Tinha sempre um bichinho de estimação recém nascido: gato, cachorro, patinho e pintinho. A minha irmã, apaixonada por animais, chorava a cada galinha ou porquinho que virava jantar.

Na seca, durante o verão, o rio Uruguai estreitava e se transformava num cenário lunar de pedras, com uma cachoeira revolta no centro do seu leito. Eu adorava ficar ali ouvindo a água.

Adorava ler e estudar. Caminhava todos os dias até a escola, onde entrei aos 7 anos, por 10 Km de estrada de chão com as crianças dos vizinhos. Era uma menina livre feito um bichinho do mato que achava tudo fantasioso e ansiava por conhecer o mundo que via nos livros.

image

image

[Zupi] Você também desenhava bonecos palitos e uma casa com uma árvore ao lado e um sol atrás? Ou seus desenhos já se destacavam em meio aos das outras crianças?

Outro dia, meu pai encontrou uma pintura minha feita numa tábua velha. Minha mãe disse que eu tinha uns 4 ou 5 anos quando fiz e já era o desenho de uma bonequinha. Eu não lembrava, foi uma surpresa!

Eu sempre desenhei, mesmo que fosse com pedra ocre encontrada no caminho ou fazendo escultura com barro depois da chuva. Desenhava na parede do quarto com carvão e em todos os cadernos da escola eu criava roupas. Fazia retratos, paisagens e heroínas imaginárias.

image

[Zupi] Sobre a sua formação, como foi o processo de decisão?

Eu sempre gostei de arte, moda, quadrinhos, teatro, literatura e afins – apesar de já ter pensado em ser piloto de avião. Iniciei a carreira aos 16 anos, no curso de ilustração de moda e modelagem. Comecei a trabalhar na área cedo e, enquanto trabalhava, fiz faculdade de artes plásticas. Depois imergi na atuação, direção de teatro, moda e figurino. Recentemente, em São Paulo, voltei a estudar ilustração, aquarela, mural e teoria da arte.

image

image

[Zupi] Durante a faculdade, quais foram os principais aprendizados?

O maior foi com a professora de desenho, pegava no meu pé o tempo todo e me dizia: “Eu só insisto com quem tem potencial. Além do talento, é preciso esforço e dedicação. Tem que realizar!”.

Aprendi várias técnicas que hoje posso usar ao preparar meu trabalho.  Também senti medo ao me deparar com todos aqueles artistas incríveis. A experiência com escultura e a pesquisa de tintas naturais feitas de terra foram preciosas.

Trabalhar com arte, muitas vezes, parece um sonho impossível. Alguma vez, você pensou em desistir?

De alguma forma, eu sempre estive envolvida com arte. Agora estou me dedicando totalmente e não penso em desistir. O nascimento de minha filha me fez aceitar que era o que deveria fazer. Penso que não deveria ter acreditado que é difícil.

O mercado de arte é complexo e tem muitas particularidades, não se aprende na faculdade, temos que conhecer bem nosso trabalho pra saber como se mover dentro deste universo. Pode demorar a dar resultado financeiro, mas temos que encontrar o caminho.

image

 

[Zupi] E a experiência com moda? Conte um pouco sobre ela.

Penso que começou logo na infância, quando eu fazia roupa para bonecas. Quando não tinha tecido, cortava as blusas de minha mãe escondido e também a auxiliava nas costuras sob medida que ela fazia.

Foi com ela que eu aprendi a cortar a minha primeira calça em alfaiataria para vestir uma boneca minúscula – eu queria roupas reais pra elas. Minha mãe tinha versões de roupas em miniatura de papel, feitas durante um curso e organizadas dentro de uma pasta. Era um sonho!

Eu tinha 16 anos quando fui morar com a minha madrinha em Curitiba para estudar desenho de moda e modelagem. No início, trabalhei em loja e ateliês de roupas de festa sob medida. Desenhava pra casamento, madrinhas, velórios e até para aquelas que faziam um look especial para passear pela Europa. Depois, mergulhei na moda urbana e adorei. Pude estudar e trabalhar com vários estilistas, além de viajar pelo Brasil e outros países. Continuo adorando moda, faz parte de mim.

[Zupi] Quais técnicas você utiliza para dar vida às suas ilustrações?

Uso telas grandes com tinta acrílica bem aguada e bico de pena. A minha pintura é bem lisinha, parece que foi impressa na tela por conta das várias camadas transparentes. Tudo é feito à mão. Faço também com aquarela sobre papel, mural com spray, tinta acrílica e canetas.

image

[Zupi] De que fontes você bebe para se inspirar?

O universo infantil, a natureza, texturas das folhas, galhos e árvores, a delicadeza dos animais, luz. A figura feminina, os olhos de amigas, minha irmã ou anônimas. Kokeshis, bonecas, aquarela japonesa. Minha filha e os brinquedos dela em desordem pelo chão. Os desenhos infantis e a forma que as crianças os descrevem. Klimt, Takashi Muracami, Yoshitaka Amano. Gosto de passear, viajar e fotografar. Gosto de interação e carinho. E para mim, uma menina pode ter um corpo de casulo ou cabelos de plantas.

[Zupi] Qual a mensagem que as suas delicadas personagens carregam?

Eu acredito que ser agressiva é mais fácil pra mim. A delicadeza e a leveza são mais duras de alcançar, tenho que me libertar. E é neste momento que crio a menina, na curiosidade, na sinceridade e carinho infantil. Uma manchinha de tinta por vez, concentrada.

image

 

[Zupi] Como você enfrenta uma tela em branco?

Pra mim, a pintura é uma experiência que acontece no fazer e refazer. A aquarela precisa ser dominada e fluir solta, ao mesmo tempo em que ela se mostra, eu preciso estar pronta pra perceber.

image

+ Informações
Val Schneider

Share on facebook
Share on pinterest
Share on twitter
Share on linkedin

Toda semana, uma enews com um incrível artigo
que vai surpreender sua mente criativa.

Submit

Cadastre seu email.

Fique de olho em nossas redes sociais. Siga a gente no Pinterest, Twitter, Facebook & Instagram.

A Zupi é a revista oficial do Pixel Show, o maior festival da América Latina de criatividade.

ENTRE EM CONTATO

TELEFONE:
+55 11 3926-0174
+55 11 96569-8348 (Whatsapp)

ENDEREÇO

Rua Conde de Irajá, 208 –
Vila Mariana, São Paulo – SP,
CEP: 04119-010

ATENDIMENTO

Via Ticket, Chat, eMail ou Telefone
Segunda – Sexta
9h – 18h

Conteúdo

...