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Tikka
Brasil

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[Zupi] Tikka, como foi a sua infância? Você sempre gostou de arte?

Sim, sempre desenhei; fazia rostos meio realistas. Depois inventei de fazer histórias em quadrinhos, cheguei até a pintar uma dessas personagens na parede do meu quarto com giz de cera. Sabe que eu até tentei fazer balé? Mas, quando tinha uns oito anos, a professora me mandou sair e só desenhar. Nunca parei de desenhar (aliás, desenhar, pintar, colar, bordar…), mas foi depois de começar no graffiti que passei a estudar e me a preocupar mais. Talvez porque antes era muito nova.

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[Zupi] Como e quando foi o seu primeiro contato com o graffiti?

Em 2002, no colégio, tinha algumas amigas que cada hora inventavam algo para fazer: ora era banda, ora dança….dessas nasceu a idéia do graffiti. Como eu já desenhava, me interessei mais e fiz até uns desenhos característicos no papel. Claro que nunca começamos, mas na mesma época uma outra amiga, a Miss, com quem eu já tinha estudado antes, começou a namorar um grafiteiro. Ele viu meus desenhos e nos levou para um primeiro rolê, me apresentou muitos dos artistas que são meus amigos até hoje.

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[Zupi] Quando você decidiu que queria trabalhar com o graffiti?

Na verdade nunca; eu não trabalho com graffiti. O que acontece é que o graffiti me ajudou a desenvolver meu estilo e a trocar experiências com outros artistas; [a troca de experiências] enriqueceu meu trabalho como artista, isso pode ser um trabalho. Graffiti não, graffiti é o jeito que escolhi de viver.

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[Zupi]Tem alguma história curiosa que viveu no meio do graffiti que gostaria de compartilhar?

Sempre rola alguma história, normalmente desencadeada pelas pessoas que passam ou moradores da região em que estamos pintando. Já passei muita coisa legal, como ser convidada para conhecer a família, almoçar ou jantar junto, ganhar presente… tem muita coisa boa. Às vezes, também rola coisas chatas; gente louca, gente que reclama. Uma vez, estava pintando, tinha uma menininha de seis anos [por perto] e coloquei ela pra pintar comigo. O pai estava em um bar ao lado e quando apareceu falava coisas absurdas para ela. Cheguei a pedir para chamarem a mãe, que a levou pra casa, mas em algum momento aquele pai deve ter chegado. Situação horrível. Já vi cachorro ser atropelado, gente quebrar o braço…

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[Zupi] Ser mulher foi um obstáculo para ser respeitada no meio?

Na verdade não; não entre as pessoas do graffiti. Existe um preconceito com gente que anda sujo de tinta, carrega peso e gosta de pintar parede, independente do gênero. Claro que as pessoas podem estranhar mais pelo fato de encontrar mulheres pintando parede, andando de skate e dirigindo ônibus; é mais incomum porque culturalmente não faz parte, então não é oferecido como uma opção.

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[Zupi] Seu graffiti tem um ar romântico e delicado. É um traço da sua personalidade ou uma opção de estilo?

É o traço das minhas referências, personagens inocentes, olhares tristes, um mundo fantástico e situações comuns que podem contradizer isso.

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[Zupi] De onde vêm suas referências visuais?

De ilustrações de livros, desenhos animados; às vezes de alguns objetos… adoro xícara.

[Zupi] Algum trabalho seu tem uma lembrança especial?

Quase todos. Normalmente o último que faço com cuidado é o que mais gosto; nos rolês na rua me apego ao dia, é um dia de pintar, estar com os amigos e tomar cerveja, todos são especiais. Nos trabalhos, gosto muito de trabalhar com temas porque estudo bastante antes e fico mais feliz com o resultado. Recentemente, fiz um trabalho na frente do SESC Santana que gostei bastante.

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[Zupi] Quais artistas influenciaram o seu trabalho?

Tem muitos artistas que admiro, nenhum que tenha sido referência direta. Mas, quando pinto com alguns, às vezes me influenciam, porque criamos algo junto que acaba desencadeando uma série.

[Zupi] Você já trabalhou com ilustração e até desenvolveu um projeto para a Ellus em que vestiu suas personagens com roupas de coleção. Tem alguma área em que ainda gostaria de trabalhar, mas ainda não teve oportunidade?

Gostei muito de fazer esse trabalho e outros nessa área. Gosto muito de moda, ainda tenho o sonho de fazer uma série de telas lançando uma nova coleção de alguma marca. Outro trabalho que gostei muito foi um que fiz para o programa “Cocoricó”. Não sei nem descrever como foi estar naquele mundo encantado, inacreditável. Gostaria de fazer algo bem lúdico assim, criar realmente um personagem, como uma animação. Outros trabahos que desejo muito fazer nem estão ligados ao tema, mas ao suporte. Assim como muitos outros artistas, sou louca para pintar uma empena (lateral) de prédio, ou mesmo de uma casa, algo bem grande.

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