A tatuagem e o feminismo em projeto de Carina Caiê

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A tatuadora Carina Caiê, paulista-carioca, lançou no mês de agosto o projeto Conchas. São dezesseis ilustrações, expostas em seu próprio quarto, na Casa Japuanga, em Pinheiros, nas quais a artista mescla as técnicas de pontilhismo e hachura às texturas singulares de elementos da natureza que se assemelham à vagina, entre eles, as conchasAnne Karr é responsável pelas belíssimas fotografias.

Para além de um conjunto de ilustrações, o projeto Conchas é um mergulho no parodoxo do universo feminino, e ganhou vida quando Carina Caiê notou a semelhança entre determinados fragmentos da natureza, como conchas e troncos de árvores, e o órgão sexual feminino. O projeto levanta questões como a reconexão da mulher com a natureza e o corpo humano como fonte de inspiração. Nos últimos meses, Caiê percebeu uma parcela crescente de mulheres entre sua clientela, muitas das quais adquirindo sua primeira tatuagem. Conchas surgiu como uma homenagem às mulheres que ela tatua, em sua maioria redescobrindo a posse sobre o próprio corpo e, em alguns casos, enfrentando preconceitos diversos. Segundo Caiê, o projeto faz parte do movimento que reafirma a mulher como dona de seu próprio corpo.

“As conchas e os elementos da natureza incluídos no projeto têm tamanhos, formatos e texturas diferentes, assim como as mulheres, seus corpos e sua sexualidade. A diversidade estética e o boicote a um padrão de beleza já estabelecido são fundamentais para que as mulheres se libertem das camadas que a sociedade insiste em nos impor. Por isso a escolha das conchas e demais excertos da natureza. São elementos crus, que representam a mulher como uma energia natural presente em todos os fenômenos do universo”, diz Caiê. “Mas o feminino não anula o masculino; ambos formam um vínculo uníssono, que está presente em todos os âmbitos da vida humana e da natureza.” Por acreditar que os homens também devem ser parte deste diálogo, eles são mais do que bem-vindos a experimentar as sensações que o projeto proporciona e a refletir sobre as questões levantadas por Conchas.

Para agregar ainda mais significação às ilustrações, Carina convidou Natalia Kleinsorgen, jornalista e militante feminista, para elaborar uma poesia que foi exposta junto às imagens. Metade das ilustrações que compõem o projeto Conchas será doada como presente, em forma de tatuagem, a mulheres que dedicam suas vidas amparando vítimas de estupro e trabalhando com causas sociais ligadas às consequências do sistema patriarcal. O restante dasconchas está disponível para quem quiser ter sobre o próprio corpo a arte ímpar de Carina Caiê, cuja pesquisa e interesse são voltados principalmente aos elementos da natureza. projeto conchas 1
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