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Marcelo Lopes é um artista que desenhava desde criança e que, aos 16 anos, começou a trabalhar profissionalmente. A cidade de São Paulo é o principal cenário de suas aquarelas cheias de detalhes e mais do que realistas. Confira na íntegra a entrevista que a Zupi fez com o artista e descubra um pouco de sua carreira e trajetória:

Conte-nos um pouco sobre você.

Nasci na cidade de São Paulo que, hoje, é tema de minhas pinturas. Bem cedo demonstrei interesse em trabalhar com desenho, e fui incentivado pela família a trilhar este caminho. Ainda hoje, felizmente, em minha carreia artística, encontro o mesmo incentivo de minha companheira e de muitos amigos. Apesar das enormes dificuldades é um grande privilégio trabalhar com arte.

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Como você começou a se interessar pela arte?

Havia em casa uma enciclopédia ricamente ilustrada com navios piratas, cavaleiros medievais, aldeias indígenas, aviões de combate; um resumo fascinante do mundo estavam lá reproduzidos, pintados a guache por artistas anônimos, creio que meu interesse começou com estes livros. Depois o gosto pelos quadrinhos e, posteriormente, a descoberta dos grandes mestres da pintura.

Com quantos anos você começou a pintar?

Sempre desenhei e pintei, desde criança, e nunca parei. Profissionalmente, comecei aos dezesseis anos.

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 Você tem formação artística ou aprendeu a pintar sozinho?

Não tive educação artística formal. Aprendi muito vendo outras pessoas fazendo, perguntando, questionando e praticando. Meu primeiro emprego foi no estúdio de uma grande agência de publicidade, o que me permitiu conviver com excelentes profissionais, muitos dispostos a repassar seus conhecimentos. Também tive acesso a livros e aos mais variados materiais artísticos. Com o tempo, a publicidade me proporcionou a prática cotidiana do desenho, trabalhando como ilustrador. Depois trabalhei por um curto período com cinema publicitário, mas sempre me dedicando paralelamente à pintura.

 Quais são as suas influências e como elas afetam o seu trabalho?

A pintura, o cinema e a fotografia são artes visuais que me interessam muito. A lista de pintores que me influenciaram é enorme, atualmente estudo com mais profundidade artistas e movimentos que privilegiam os detalhes, as minúcias, e outros que elegeram temas urbanos como motivo de suas obras. Entre eles os mestres flamengos do século XV, a Escola de Ashcan, alguns artistas da Nova Objetividade alemã e os fotorealistas norte americanos do final dos anos 60, para citar apenas alguns. Continuamente descubro novas obras e artistas fascinantes.

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O que o levou a escolher aquarela como base de seus trabalhos? Quais são as principais dificuldades de pintar com aquarela?

O que mais me agrada na aquarela são as infinitas possibilidades cromáticas. A pintura com aquarela solicita centenas de pequenas decisões, o que exige muita concentração. Também é preciso muita moderação na aplicação dos pigmentos sobre o papel, uma vez aplicados com o pincel em quantidade exagerada, não é possível a remoção nem a cobertura sem comprometer a obra. Creio que estas são as maiores dificuldades.

 O que te inspira para fazer suas pinturas?

A cidade de São Paulo. É uma metrópole desafiadora em todos os sentidos e, como tema para a arte, não poderia ser diferente. A cidade apresenta uma infinidade de imagens fascinantes.

Suas obras são muito realistas e perfeccionistas. Isso deriva de uma técnica de pintura ou também tem influência de sua personalidade?

A técnica é aplicada em todos os processos do trabalho, desde o enquadramento fotográfico, passando pelo desenho e chega até os últimos toques de pincel. Acredito que as obras têm total influência de minha personalidade, é minha interpretação pessoal das coisas, minha forma de ver o mundo.

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Você usa lugares de São Paulo como principais cenários de suas pinturas. Como você escolhe esses lugares e o que tenta passar para o público com eles em suas obras?

A escolha destes lugares é um processo intuitivo e, por vezes, misterioso. Sinto que as imagens “pedem” para serem pintadas. Todos os cenários que utilizo para as pinturas são previamente fotografados unicamente por mim, porque é preciso que, juntamente com a imagem, eu consiga capturar a atmosfera destes lugares.

A minha intenção ao pintar estes lugares, pessoas e situações é compartilhar com o observador a mesma experiência que tenho. Tentar, de alguma maneira, descortinar, decifrar e extrair o máximo de sentidos e significados destas imagens.

Quais são seus projetos futuros?

Sou péssimo em planejamento. O único projeto para o futuro é continuar trabalhando.

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