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Rono Figueiredo
Bahia, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Em que momento da sua vida você começou a desenvolver seus dotes artísticos?

Venho de uma família de artistas, minha mãe fazia pintura em cerâmica, tecido e outras peças artesanais e meu tio, Jairo Figueiredo que também é artista plástico sempre me incentivou.
Desde muito cedo começei a me interessar e desenvolver minhas habilidades manuais através do desenho, pintura e modelagem. Aos 6 anos gostava muito de ganhar cadernos e lápis para desenho, ficava horas desenhando ao lado do meu tio enquanto ele pintava. Ele até incorporava alguns rabiscos meus em seus trabalhos! Despertei interesse também pela modelagem e esculturas. Começei com peças em argila, depois criava peças em gesso e mais recentemente estou explorando as possibilidades do papel machê.

[Zupi] Há um elemento essencial de você sustente em todos os trabalhos?

Procuro com minha arte transmitir sentimentos bons para as pessoas, acho que este é um elemento essencial em minhas obras. Minha pintura, de fácil entendimento, é rapidamente absorvida pelo espectador. Consigo com isso atingir não só pessoas que entendem de arte, mas também os leigos, desde crianças até idosos, isso me deixa muito satisfeito.

[Zupi] O quê o inspira?

Minha inspiração surge das mais variadas fontes. Esta série entitulada “As Faces de Maria”, que resultou nesta exposição que está em cartaz no Theatro XVIII, no Pelourinho em Salvador, sofreu influências de alguns artistas que adimiro como Frida Khalo, Modigliani e Romero Britto. O tema central é o feminino, através da figura da mulher procurei retratar personagens e personalidades com a estética da realidade distorcida. Utilizei elementos da rica cultura africana, outra fonte de inspiração, a qual rendeu uma série paralela de obras que também compõem esta exposição.

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[Zupi] Quais as dificuldades encontradas para um artista plástico no Brasil? Há possibilidade de reduzí-las?

Penso que as dificuldades encontradas por um artista plástico no Brasil são as mesmas encontradas por qualquer outro artista em seu segmento de atuação. Viver de arte no Brasil é muito complicado, o que é um paradoxo, pois num pais onde a riqueza cultural é tão grande e tão apreciada por estrangeiros, deveríamos ter um reconhecimento maior do nosso povo, mais apoio e menos burocracia de entidades e empresas para realização de projetos culturais que ajudam a disseminar nossa cultura e tradições.
Acredito também que o interesse pela arte deve ser estimulado desde os primeiros anos do ensino fundamental, pois assim como o gosto pela leitura é adquirido com o hábito, o gosto pela arte também pode ser.

[Zupi] Seus trabalhos estão sendo aclamados nos Estados Unidos, como afirma a revista NY Arts Magazine. O que você acha desta repercurssão?

Estou muito satisfeito com a repercussão do meu trabalho. Este projeto ” As faces de Maria” foi desenvolvido com muita dedicação e pesquisa. Pretendo continuar nesta linha de produção e realizar outras mostras aqui no Brasil, em outras cidades e também fora do país, surgindo a oportunidade. Esta série é bem mais extensa do que está sendo mostrada nesta exposição, pretendo produzir a série completa, com aproximadamente 30 obras e fazer novas mostras.

[Zupi] Você acredita que a Bahia possua um estilo único em termos de arte?

A Bahia é um estado muito atuante e presente no cenário cultural Brasileiro. Sinto muito orgulho disto e espero estar dando a minha contribuição. Sendo soteropolitano e vivendo em Salvador é quase impossível ficar imune a este caldeirão de influências de diversas tribos, em especial a africana.
Acredito sim que a arte na Bahia possa ter elementos próprios, assim como em qualquer outro lugar do mundo seu povo se expressa artisticamante de uma forma única, e isso é que faz da arte algo impressionantemente maravilhoso.

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[Zupi] Você pensa em usar algum software para informatizar e fazer ilustrações comerciais para revistas?

Acredito que para o artista existir ele precisa de público, e se ele consegue fazer com que sua arte atinja o maior número possivel de pessoas, ele terá sido recompensado. Não tenho preconceito algum em utilizar da tecnologia para popularizar meu trabalho, pelo contrário, este é um setor que me desperta muito interesse. Fiz alguns cursos de computação gráfica, animação, editoração, etc.
Inclusive levei um pouco destes conhecimentos adquiridos para minha pintura, meu trabalho tem influências dos quadrinhos, e traços limpos e firmes das ilustrações em computador. Gosto muito da união entre arte e tecnologia!

[Zupi] Algum comentário final?

Gostaria de agradeçer a oportunidade e o interesse em meu trabalho. É muito bom saber que nós artistas podemos contar com o apoio de uma equipe competente e disposta a dar oportunidade para novos talentos. Abraços para todos os leitores e equipe técnica da revista Zupi.

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