SHOP  •  PIXEL SHOW  •  CONFERÊNCIA  •  PROGRAMAÇÃO

Ricardo Cammarota
São Paulo, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

image

[Zupi] Qual é a sua formação?

Sou formado em Comunicação na FAAP. Pratiquei (por “tesão”) o desenho e a pintura desde criança. Marcou-me uma excelente escola em São Paulo, que não existe mais. Chamava-se EBART (Escritório Brasileiro de Artes), onde o artista Zélio ministrava os cursos, técnicas e debates sobre arte. Fui aluno e professor na Escola Panamericana de Artes – que me possibilitou a introdução e prática de várias técnicas. Estudei desenho e pintura em Londres por dois anos, na “Inner London Education Authority”. Muitos anos de desenho com caneta Bic na calça, no gesso, na carteira, canto de livro, na parede, rabisco pra todo lado. Enfim, um compulsivo!

[Zupi] Conte um pouco sobre sua trajetória no mercado de trabalho.

Trabalhei vários anos como diretor de arte em publicidade. A escolha da área foi devido à época. Para trabalhar em criação em agências tinha que “ter mão” para o desenho. Os layouts eram incríveis, pintados todos manualmente, com tipografias precisamente pré-escolhidas, pois eram marcadas a régua, lápis, borracha e tinta. Uma outra realidade. Com o advento tecnológico, um estúdio com cinco pessoas que faziam os layouts, por exemplo, foi substituído por um único Mac. Muitas coisas melhoraram, mas o desenho ficou pra trás. Apesar de totalmente adaptado aos novos métodos, após uns 18 anos de profissão, retornei ao que me fez entrar nela. Tornei-me um ilustrador. Há 7 anos mantenho meu estúdio com uma agente e um assistente.

[Zupi] Quais as técnicas que utiliza nos seus trabalhos?

Minha grande satisfação é saber que a linguagem atual me permite utilizar todas as técnicas que usei no passado, num único trabalho. Me agradam as técnicas mistas: grafite, pastel oleoso ou nankim, agregados ao Illustrator e Photoshop.

image

[Zupi] Quais são as suas influências na execução de uma ilustração?

No mundo atual somos “metralhados” pelo visual. Para mim, tudo pode ser uma influência. De desenho de embalagem de pipoca a Paul Klee. Basta ir à padaria ou abrir uma enciclopédia ilustrada antiga. Tudo instiga.

[Zupi] Como você define seu estilo? Quais são as fontes de inspiração?

Confesso que queria te dizer que tenho um estilo, mas quando acho que estou chegando lá, uma nova fase entra. O que sinto de freqüente em meu trabalho é a utilização de técnicas manuais. Às vezes, me pergunto, se faria bem “crochê”, pois me perco em meio à execução e entro em imaginação.

[Zupi] Atualmente, o que você tem feito na área?

Há quase 4 anos, toda segunda-feira, ilustro a coluna do jornalista Nelson Ascher, do Caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo. Um trabalho que tem me dado uma grande satisfação e liberdade. Procuro uma editora para publicação de cerca de 170 ilustrações feitas para essa coluna. Minha agente, a Cris, estabelece contato com as agências de publicidade, mantendo o estúdio ocupado. Cada entrada de job em publicidade é um exercício novo, porque vendo meus serviços como ilustrador que desenvolve vários estilos e técnicas. Esporadicamente, também ilustro algumas matérias de revistas.

image

[Zupi] De que trabalho você sente mais orgulho em ter realizado?

Há mais de 20 anos comecei a fazer diários de reflexões desenhadas e escritas. Com os anos, ao invés de desenhar nas páginas de livros, comecei a desenhar em pequenas telas (formato 15 x 15 cm). Hoje tenho 700 telas de reflexões que utilizam o desenho como expressão. Pensamento livre, sem intencionar nada.

[Zupi] Qual a sua visão a respeito do mercado da ilustração hoje?

Acho que há uma grande desvalorização do profissional ilustrador em algumas áreas. No mercado editorial, alguns contratos poderiam ser revistos. Acontece de um ilustrador vender os direitos de sua imagem para a editora por um tempo indeterminado, para uma mídia indeterminada e a um preço ínfimo, tendo em vista, os benefícios do contratante. Já vi contrato que dá direito a terceiros de comercializar a sua imagem e o ilustrador não receber nada mais por isso. Na publicidade, creio que os direitos do profissional Ilustrador são mais preservados e respeitados. Não fosse o procedimento na maioria das vezes correto da publicidade, a situação da profissão de ilustrador estaria mais prejudicada. Muitas vezes, o ilustrador é visto como “freelancer”, não como pessoa jurídica. Por outro lado, nunca a ilustração foi tão utilizada. E bem utilizada. As “ilustras” estão em todos os lugares e em diferentes suportes, formas, técnicas e estilos. Que outra época, da humanidade, se teve tanta diversidade?

image

[Zupi] Quais são as dicas para quem está entrando no mercado agora?

Não comece sozinho. Se curtir e possuir talento, procure um estúdio para trabalhar, ver outros estilos de trabalhos, outros procedimentos. Ou junte-se a profissionais mais experientes. Na profissão de ilustrador não há uma cartilha a seguir, mas existem alguns procedimentos que se aprende somente trabalhando em equipe ou observando. Desenhar é o principal, mas tem que saber também como fazer um portfolio, vender seus serviços, estimar um custo, estabelecer contatos, ganhar dinheiro e manter-se ligado.

image

Compartilhe via...

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn