SHOP  •  PIXEL SHOW  •  CONFERÊNCIA  •  PROGRAMAÇÃO

Ricardo Andrez
Porto, Portugal

Confira mais trabalhos aqui.

image

(p)Layers 09. Fotografia por Aloísio Brito

[Zupi] Olá, Ricardo. Vamos apresentar você aqui no Brasil. Conte-nos, em que momento você sentiu que queria entrar no mundo da moda e por quê?

Desde cedo me senti direcionado para a moda, talvez por influência da minha avó materna, com quem passava longas temporadas. Para mim, é um desafio pensar o corpo, manuseá-lo, alterar o visual e transmitir sensações.

[Zupi] Como era a sua avó?

(risos) Era uma senhora com um look muito cuidado, uma postura muito avançada para a época, que me incutiu, de certa forma, não só o gosto pela moda, como também pelos materiais e pelo processo de fabricação da sua roupa, uma vez que ela mandava fazer todos os seus tailleurs e casacos e eu achava engraçadíssimo a “modista” ir lá a casa tirar as medidas, realizar provas de roupa, etc. Aquele ritual era acompanhado com chá e eu achava todo o cenário muito inspirador.

[Zupi] Você estudou em Porto, Portugal. Hoje, se voltasse a estudar design de moda, onde o faria? Quais as razões?

Sem hesitar, em Amberes (Antuérpia, Bélgica)! É uma referência para todos os criadores que exploram uma estética mais conceitual. Atualmente, é uma das principais escolas, de onde saem grandes nomes e novas perspectivas para a moda.

[Zupi] Em que momento você deu o salto para o mercado de trabalho? Qual foi o seu percurso até então?

Iniciei a minha marca em 2006. Na altura, e por razões econômicas, elegi uma peça de vestuário por estação e comecei explorá-la. A partir da camisa, da t-shirt e do casaco criei três colecções: Empty A/W 06, Lado Rosa da Força S/S 07 e Viela Neon A/W 07.

Em 2008, dei o passo seguinte: elaborei uma coleção completa a – Size Matters, que foi eleita a melhor do evento PasaFad, em Barcelona. A vitória valeu 6000 euros, dinheiro que investi numa nova colecção, em apresentações garantidas nas edições seguintes da ModaFad e no showroom 080, eventos integrados na Barcelona Fashion Week.

Em 2009, durante o mês de Março apresentei (p)Layers A/W09 em Barcelona e na Pasarela Abierta, em Múrcia, e, em setembro, a coleção Dreamers S/S10 no Ego, Cibeles Madrid Fashion Week. Em breve, em Março deste ano, vou lançar o meu trabalho no Moda Lisboa.

image

(P) layers 09. Fotografia por Aloísio Brito

[Zupi] Apresentar o seu trabalho na passarela Cibeles, em Madri, deve ter sido uma grande emoção. O que você sentiu ao ver suas roupas no evento?

Quando tive a noção da dimensão e prestígio da Cibeles senti-me voando! Depois veio o medo!! Sem dúvida foi a melhor plataforma em que expus até ao momento!

[Zupi] Que características destaca dessa sua última coleção e o que ela transmite?

Conforto, leveza e identidade.

[Zupi] Pode nos revelar a inspiração de cada uma das suas coleções, em poucas palavras? Em “traços estilísticos” o que as distingue?

A (p)Layers A/W 09 tem como base figuras com volumes de formas puras e cores primárias. O look é essencialmente gráfico e futurista e pode ser referenciado como Sportswear. Através dos volumes das peças cria-se, de certa forma, uma distorção do corpo, em consonância com os seus estampados de formas geométricas. Em relação às cores, o preto e a prata são privilegiados, dentro de um conjunto de materiais que vão desde a pele aos tecidos normalmente utilizados para a confecção de roupa desportiva.

Já a coleção primavera/verão Dreamers S/S 10 é também dirigida a universo sport e streetwear e tem como objectivo fusionar as referências urbanas com as tradicionais. Ela revela a história de um jovem recém chegado a uma metrópole, com as suas ideias e ideais, em quem os seus sonhos correm e saltam pelas veias. Popelines de confecção masculina e jerseys 100% de algodão são os materiais utilizados que contrastam com outros novos e irreverentes, e que juntos vão ao encontro do contemporâneo.

[Zupi] Quais são as suas influências?

90% a rua e as pessoas que a habitam. O restante será a música e o cinema.

[Zupi] E então, quais são os seus filmes de eleição?

TODOS (mas toodos mesmo!!) do Almodóvar; Lost in translation, Breakfast in Pluto, Dancer in the Dark, Magnólia, Black Cat, White Cat, Shining, 24 Hour Party People, Velvet Goldmine, Laranja Mecânica, Last Days, Fabuloso Destino de Amélie, Eduardo Mãos de Tesoura, Dirty Dancing e muuuiitos mais!

image

(p)Layers 09. Fotografia por Aloísio Brito

[Zupi] Quem veste a sua roupa?

As coleções têm uma vertente unisex. Apesar de serem apresentadas em homens, grande parte dela é vendida a mulheres.
Como o meu universo anda muito em redor do street e sportwear, faz sentido as peças de vestuário não terem sexo! O corpo é que irá atribuir identidade, formas, etc.

[Zupi] Qual é a sua peça de roupa favorita?

T-shirt.

Bernhard Willhelm.

[Zupi] Você está se lançando no mercado espanhol, em vez do português. Qual é o problema do mercado lusitano?

A resposta é óbvia! É o tamanho do mercado português: mínimo! Portugal tem uma longa tradição têxtil, mas estagnou, existem pouquíssimas plataformas para expor ou comercializar o trabalho de jovens designers. Além disso, existe também a eterna aliança portuguesa com a escala de cinzas…

image

(p)Layers 09. Fotografia por Aloísio Brito

[Zupi] Quais mercados internacionais alcançar chegar, no futuro? 

Muito em breve irei começar a comercializar na China! Todos os novos locais onde poderei chegar serão (muito) bem-vindos!! smile

[Zupi] Na altura de apresentação de coleções e editoriais, existe um trabalho de equipe. Quando você se move, quem vai junto contigo?

Não nas apresentações como ao longo do ano estou sempre acompanhado pela minha equipe. Nada mais, nada menos que os meus amigos! Obrigado a todos!

[Zupi] Que material marcou cada coleção sua? Quando você sentiu mais dificuldade em integrar um deles e também em explorar? Tem algum caderno onde anota as suas ideias?

Sendo o street/sportswear o universo desenvolvido por mim, há um material que sempre podes encontrar no que faço: o jersey 100% algodão, a típica malha de fato-de-treino (agasalho)..

Para mim é um desafio explorar esse material de forma infindável e torná-lo ainda mais “nobre”! Tento sempre estudar e aplicar novos materiais, novos métodos e, assim, obter resultados inesperados. Nesta última coleção (Dreamers) trabalhei com balões, criando padrões e cobrindo t-shirts com eles..o resultado era inesperado e logo de imediato me apaixonei.

Relativamente às dificuldades poderei referir não um material, mas sim uma cor. Na colecção (p)Layers foi a primeira vez que trabalhei o “preto” e foi muito estranho porque durante o processo de elaboração da coleção fez-me falta a cor, já que, a existência da cor no meu trabalho é uma característica minha. Porém, senti que para o conceito que estava a explorar fazia total sentido o “preto”.

Sim. Tenho o meu caderno onde vou anotando as ideias e que funciona como uma base de memória! É quase o meu melhor amigo!! smile

[Zupi] Qual é a principal dificuldade de um jovem designer de moda, atualmente?

Penso que a grande dificuldade para um jovem designer está na etapa seguinte às apresentações, no comprimento de datas de entrega das encomendas e dar uma continuidade e consistência ao seu projecto. Depois existe a velha história, em que a indústria vive isolada dos jovens designers e tal estabelece dificuldades às criações e produções.

[Zupi] Grande parte das fotografias que apresenta em seu blog tem um efeito de pós-produção bem acentuado. A (p)Layers 09, em particular, com uns raios coloridos. Foi algum editorial? Qual foi a ideia e por quê? 

Em cada coleção, além do suporte “desfile”, faço questão de fotografá-la dentro do ambiente que vá ao encontro do seu conceito. Essas fotos são referentes à coleção (p)Layers A/W09. Todo o conceito partiu de mim, mas óbvio que não seria possível sem os meus amigos e queridos colaboradores.

O conceito da coleção passava um pouco pela camuflagem e, quando se tenta camuflar mas com o objetivo contrário – o de acentuar ainda mais, o que fiz foi pegar essas típicas luzinhas de Natal e depois brincar com os movimentos e efeitos que elas dão.

Para salientar, o trabalho de fotografia e tratamento de imagem é do fotógrafo com quem colaboro regularmente, Aloísio Brito.

image

Ficha Técnica da colecção (p)Layers 09 »

photo_Aloísio Brito; make-up & hair_Tinoca; models_Gabriel Best Models & Ivo Pacheco

[Zupi] E São Paulo, o que representa para você? O que gostaria que representasse um dia?

Tenho uma enorme curiosidade em conhecer essa metrópole animalesca! Tenho amigos em São Paulo!!
É sem dúvida uma cidade com fontes inesgotáveis de inspiração. Talvez possa, um dia, sentir à flor da pele a sua energia. Todos os caminhos ficam em aberto, estou pronto para voar!

[Zupi] Dreamers vem de um Ricardo sonhador. Em que ele sonha neste momento?

Continuar a explorar a minha interpretação de Moda!
Aqui, aí ou em qualquer lugar!

image

Dreamers S/S10. Model_Ricardo Azevedo (Best Models). Foto por Aloísio Brito.

 

image

Dreamers S/S10. Models_ Rui Rebelo e Ricardo Azevedo (Best Models). Foto por Aloísio Brito.

image

Dreamers S/S10. Foto por Aloísio Brito.

image

Dreamers S/S10. Foto por Aloísio Brito.

image

 

Ficha técnica da colecção Dreamers S/S10.

Fotografia por Aloísio Brito. Modelos Nuno Lopes / Tiago Severo. Hair por Rui Rocha, Make-up por Marta Veiga e
shoes_S***R

Compartilhe via...

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn