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Rafael Nobre
Rio de Janeiro, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Qual a sua formação?

Estou cursando o 6º período de Design Gráfico na Escola de Belas Artes da UFRJ. Em 2006 tive a oportunidade de fazer um workshop de ilustração com Renato Alarcão.

[Zupi] Como entrou na área de design gráfico?

Comecei pequeno a me interessar pela arte. Tinha em casa um grande incentivo: meu pai, que fez pintura e desenho no Parque Lage, no Rio. Eu desenhava de tudo, de coisas que via a personagens que inventava. Depois passei a me interessar pelo universo virtual, em especial por games e websites. Esse foi um tempo de muita experimentação, fiz desde pinturas a óleo até programação de jogos no computador. No fim do segundo grau, descobri a existência de um curso de design. O que mais me interessou foi a possibilidade de desenvolver as atividades de design e ilustração. Escolhi a EBA devido a sua visão mais artística da profissão.

[Zupi] Qual a coisa que mais lhe atrai nesta área?

A imprevisibilidade do que está por vir. A cada trabalho estou diante do branco da folha de papel ou da tela do computador. É sempre um desafio, por mais angustiante que isso possa ser. Criar é a celebração da vida e isso é vital para mim.

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[Zupi] De onde tira inspiração para o seu trabalho?

Sem dúvida, da vida. Quando saio de casa e esbarro com pessoas desconhecidas elas me tocam de alguma maneira e também todo o ambiente que está à minha volta. Como diria o poeta Affonso Romano de Sant’Anna, “Nada é tão surrealista quanto a realidade”. Dessa forma, minhas emoções, angústias e desejos, o modo como lido com elas são muitas vezes temas de meus trabalhos

[Zupi] Como é o seu “processo criativo”?

Às vezes parto de uma idéia, de uma imagem, de uma música, de uma conversa com um amigo; outras vezes de desenhos esboçados. Não há regras, é sempre imprevisível. Mas sempre inicio do manual/artesanal, do lápis sobre papel. Depois, caso haja necessidade vou para o computador. Acredito que o diálogo desses dois meios, com suas possibilidades e limitações é muito produtivo. Tenho o hábito, sempre que possível, de antes de concluir um trabalho dar um tempo para mim e para ele. Depois de dias ou horas voltamos a nos encontrar. E desse reencontro, procuro perceber se algo precisa ser mudado ou não. Em relação a trabalhos comerciais, a pesquisa sobre aquilo que estou fazendo é fundamental. Tenho de estar totalmente imerso no mundo do projeto. Em relação ao briefing mantenho uma atitude de aproximação e afastamento, acho que não se deve ficar totalmente preso a ele, mas também não se deve negá-lo. Algo que me ajuda bastante em trabalhos comerciais é minha produção de trabalhos pessoais. Eles ajudam a estar sempre exercitando a criatividade e a ver novas possibilidades.

[Zupi] Como definiria seu estilo?

É difícil defini-lo e sinceramente no momento não me preocupo com isso. O que não quer dizer que faça meu trabalho de modo totalmente inconsciente. Sei que tenho um estilo, que está mais no modo como vejo as coisas do que na técnica que utilizo. Por agora, qualquer tentativa de definição seria limitador. Ainda tenho um longo caminho a traçar.

[Zupi] Sobre as tendências visuais, onde você pesquisa suas referências?

Pesquiso basicamente em internet e livros. Sou um apaixonado por livros, então prefiro este tipo de meio. Embora a internet ofereça toda essa mobilidade e velocidade, dificilmente ela consegue uma visão mais profunda e reflexiva de determinadas coisas.

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[Zupi] O que você acha do design brasileiro?

Temos excelentes profissionais atuando no mercado, desenvolvendo trabalhos criativos que são destaques no mundo inteiro tanto em design gráfico e de produto. Contudo, é realmente complicado pensar design num país que não investe em educação. O caso do novo logo da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, cujo novo logo foi desenvolvido em um concurso com os funcionários, não designers) é um exemplo da falta de cultura das pessoas que estão no Poder. Isso se deve também pela forma como o design foi historicamente desenvolvido no País, seguindo um modelo internacionalista, como bem analisa João de Souza Leite no livro “O Design Gráfico Brasileiro Anos 60”. O design não pode se instalar de uma forma arrogante e pretensiosa sem levar em conta o contexto em que está envolvido. Temos capacidade criativa e técnica para encontrar nossas próprias soluções e é isso que alguns profissionais estão fazendo. Essa área é um setor cultural estratégico de um país e deve ser tratado com equivalente importância pelas instituições e governo.

[Zupi] Você utiliza nas gravuras muitas cores e nas fotos mais o preto e branco. Segue alguma tendência específica?

Não necessariamente. Na faculdade tive a oportunidade de fazer todo o ritual que compreende a revelação de modo tradicional do negativo e a ampliação da fotografia, sendo PB uma restrição do orientador. Assim, meus primeiros trabalhos foram nessa coloração. É interessante como algumas imagens “pedem” cor e outras não. Antes de tudo, procuro “escutar” o que a imagem está “pedindo” para decidir. Isso vale para o desenho também.

[Zupi] Por que tantas imagens de pessoas?

Nós somos realmente intrigantes. Eu sou fascinado por nossas relações com os outros. O quanto isso é difícil e maravilhoso. Trocar experiências e emoções é fundamental.

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Entrevista feita por Melina Mester: msdc_98@yahoo.com

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