Uma aluna me disse: “Okida, depois de formada quero colocar sentimentos nos meus trabalhos de design, exatamente como você faz.”
Sorri, agradeci, fiquei feliz. Mas na hora, pela correria, não parei para pensar. No entanto, aquilo ficou na minha cabeça: como se expressa emoção em um trabalho gráfico que, normalmente, não fala de sentimentos? Como esta aluna sentiu emoção nos trabalhos que eu apresentava em aula e que, nem sempre, eram meus?
Por que alunos de jornalismo — também dou aulas de design editorial neste curso — que detestavam design/diagramação passaram a ver no design uma ferramenta que pode proporcionar mais sentimento aos textos, que perceberam, enfim, o design gráfico como uma ferramenta emocional? E por que escuto e recebo tantos e-mails de estudantes dizendo coisas como: “Quando escuto você falar de design tenho certeza de que escolhi a carreira certa.”
Escrevo este artigo mais como educadora, professora de design, do que como profissional da área. É frequente percebermos nos alunos a falta de interesse e, às vezes, o desencanto pela profissão durante o período universitário. Mas também é comum nos depararmos com a paixão que alguns alimentam. Isso pode variar de acordo com as disciplinas.
Acredito que o modo como nós, professores, falamos sobre técnicas, estilos, gestalt, semiótica, cores, tipografia, produção gráfica, análise da imagem, etc., influencia diretamente o interesse. Usar um vocabulário extremamente formal, repleto de tecnicismo, pode influenciar ou rechaçar a aproximação do aluno. Por que não ser mais real, mais humano, e deixar que a classe se sinta mais à vontade em aprender e até mesmo em errar?
Ainda me pergunto: como sentir e passar emoção no design gráfico ou em qualquer produto visual? Acho que a resposta é: usando mais sensibilidade e emoção no momento exato em que falamos de nosso trabalho, no momento em que tratamos com o cliente ou público.
Acredito sim, lógico, que um bom briefing ajuda no resultado, mas a relação mais humana, mais próxima com o cliente, ajuda mais. Nas aulas costumo dizer que antes de fazer o briefing de qualquer trabalho, faço questão de ir conhecer o meu cliente, de preferência na casa dele, tomando um café, deixando a conversa emanar. Nada é premeditado, tudo flui de modo natural — se não fosse assim não seria eu.

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Hit the Road Jack – Ray Charles

Para ver: Quanto mais Quente Melhor

Escrito por: Márcia Okida
Designer gráfica; professora de design nos cursos de Produção Multimídia e Jornalismo; coordenadora do curso superior de Produção Multimídia. Universidade Santa Cecília (UNISANTA).

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