A decisão de trabalhar como autônomo

Trabalhar como freelancer pode reunir vantagens atrativas para qualquer profissional. A possibilidade de poder determinar o tempo de trabalho e o período do dia  em que trabalhará, produz uma iminente sensação de liberdade da qual, uma vez experimentada, dificilmente abre-se mão.

Quem nunca sentiu aquele incômodo típico de ambiente de trabalho? A estrutura hierárquica imposta neste ambiente acaba desencadeando vários problemas  quando o trabalho depende da criatividade do trabalhador. Foi este o principal motivo que fez o ilustrador e designer gráfico, Daniel Vincent, deixar o emprego fixo, na Isto É Dinheiro para dedicar-se a projetos de freelancer. “O ambiente hierárquico me incomodava muito e algumas ordens a serem seguidas implicavam em verdadeiras limitações criativas. Era de fato atrofiador”, revela.

Apesar dos pontos negativos, passar por empresas grandes pode ser um importante passo antes de optar por ter seu próprio cnpj. “Conhecer pessoas, realizar projetos para clientes que você não iria conseguir sozinho no início da carreira, e experiência de mercado são alguns dos pontos positivos de um trabalho fixo”, diz Vincent.

Marcelo Roncatti é um dos sócios do Estúdio Colletivo. No Colletivo, alguns dos trabalhos realizados podem contar com freelancers. Ele reforça a importância em criar uma rede de contatos antes de arriscar-se a trabalhar como autônomo. “Existem alguns profissionais com os quais já trabalhamos, nos quais confiamos. Portanto, dependendo da necessidade, é para eles que ligamos. Porém, muitas vezes, eles podem estar ocupados em outro projeto  e surge a necessidade de buscar novos profissionais. Quando isso ocorre, buscamos pelo perfil dos profissionais e, principalmente, por indicação”, explica.

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BASTIDORES DO PROJETO DO ESTÚDIO COLLETIVO QUE CONTOU COM A PARTICIPAÇÃO DE FABIANA FUKUI

 

Rede de contatos feita, monte um plano básico e aproveite o momento em que estiver com alguns projetos engatilhados. A dificuldade inicial é ter que fazer absolutamente tudo, afinal você será uma empresa de uma pessoa só. Daniel Vincent encontrou uma alternativa para melhor se organizar. ” Não curto muito os extremos. Antes eu me incomodava em ter que seguir a risca horários, ordens, jornadas… Ao ficar em casa é muito difícil se administrar e você pode cair na tentação de trabalhar menos do que deveria”, admite. A solução foi alugar um espaço em um estúdio com outros profissionais da área. “Agora sim posso dizer que está tudo perfeito”, conclui.

Marcelo Roncatti sabe que é possivel enfrentar problemas de entrega do freelancer quando ele trabalha em seu espaço pessoal. “Ele pode ocupar-se com outras coisas ou não ter disciplina para entregar aquela demanda, durante o período pré-determinado.  Uma prática comum para solucionar esse problema é levar o profissional para trabalhar no escritório ou combinar de poder visualizar em qual parte do processo a entrega se encontra, sempre que precisar”, admite.

[row][figcaption text=”PROJETO DO ESTÚDIO COLLETIVO COM PARTICIPAÇÃO DE FABIANA FUKUI FINALIZADO”]An3750-zupi[/figcaption]
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 Aceitar ou não um trabalho e como cobrar por ele

Uma dúvida muito frequente entre aqueles que acabam de começar a trabalhar como autônomo é quanto cobrar pelo trabalho entregue. Impossível definir um valor fixo (esqueça, agora você é autônomo), a alternativa é guiar-se a partir de alguns parâmetros.

Daniel Vincent trabalha como freela há uma ano e meio. Para ele, as questões ideológicas são as que mais pesam, por isso, sempre pergunta, com detalhes do que se trata o trabalho e qual será sua finalidade. ” Isso já determinou a recusa de alguns jobs”, revela. Além disso, é preciso ponderar algumas possibilidades. “Um trabalho incrivelmente prazeroso de realizar por um valor justo é a melhor das possibilidades. Um trabalho incrivelmente prazeroso de realizar, com um pagamento mais ou menos, ainda rola fazer. Um trabalho ruim pagando muito bem, às vezes topo. Já um trabalhando ruim, pagando mais ou menos, fica impossível de aceitar”, explica.

[row][figcaption text=”Ilustração de Daniel Vincent para a SuperInteressante”]daniel-vincent-zupi[/figcaption]
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Para acertar o valor a ser cobrado, a principal variante a ser analisada é o tempo que deverá ser dedicado ao trabalho e qual vai ser a finalidade dele. “Temos que entender o valor de nosso trabalho. Podemos chegar a esse valor sendo auto-críticos e conversando com colegas de profissão”, indica Daniel Vincent.

[row][figcaption text=”Ilustração para o festival Som em 4 tempo, por Daniel Vincent “]daniel-vinvent-zupi-01[/figcaption]
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São muitos os clientes que tendem a desvalorizar o trabalho do freelancer. Isso acontece às vezes por desinformação, outras  por comparações incabíveis e, em alguns casos, por malandragem mesmo. Além disso, muitos profissionais da área insistem em fomentar essa cultura, cobrando valores bem abaixo do mercado.

Para evitar o risco de não receber pelo trabalho realizado, o freelancer pode fazer contratos de trabalho no qual detalha as informações do acordo com o cliente. O contrato é uma segurança para os dois lados e pode resolver possíveis mal entendidos no final do processo.

[row][figcaption text=”Capa do vinil do músico Beto Brito, por Daniel Vincent”]daniel-vincent-zupi-03[/figcaption]
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Daniel Vincent e Marcelo Roncatti concordam que o diálogo é indispensável no momento de firmar um acordo de trabalho. “Aceitamos as condições do outro e impomos as nossas. Diálogo é importante nessas horas e ele determina tudo antes do contrato”, concluem.

Algumas tabelas que podem ajudar

Sociedade dos ilustradores do Brasil: www.sib.org.br/media/downloads/irv_sib_2011.pdf

ADG Brasil: www.slideshare.net/danielsoto/tabela-adg-honorrios-e-remunerao

Adegraf: www.adegraf.org.br/downloads/tabela_adegraf.pdf

Abipro: www.marciomorais.com.br/referencia/referencia_valores_ilustracoes.pdf

Mas lembrando que, na dúvida, nada melhor do que conversar com quem tem mais experiência para se interar sobre os valores praticados.

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