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Projeto Raízes e a celebração do cabelo da mulher negra

Ao longo dos anos, nossa construção social e cultural e todo tipo de estímulo midiático e visual que recebemos reforçou uma ideia em relação à beleza da mulher (que, convenhamos, é um conceito em que as pessoas adoram ditar regras e padrões, né?): o cabelo bonito é o cabelo comprido, liso e loiro, na maioria das vezes.

Esse “padrão” deixa de fora uma infinidade de possibilidades e definitivamente não representa a grande maioria das brasileiras, já que, de acordo com dados do último Censo do IBGE, 97 milhões de brasileiros se declararam pretos ou pardos. Mais da metade da população brasileira é negra, e ainda assim o negro segue sendo representado na mídia como a exceção, como exótico.

Para as mulheres, a situação fica ainda mais complicada. Numa sociedade cujos padrões valorizam as feições europeias, não é difícil cedermos às pressões e passarmos por um processo de alisamento dos cabelos. No entanto, estão cada vez mais presentes, principalmente em comunidades online, as mulheres que estão voltando a respeitar (e as que sempre respeitaram) as formas naturais das madeixas e quebrando alguns conceitos pré-estabelecidos.

É isso que o Projeto Raízes vem celebrar. Criado pela fotógrafa matogrossense Maria Reis, a série reúne ensaios fotográficos e relatos de mulheres que passaram por essa transição capilar. “O projeto raízes tem como prioridade incentivar a mulher negra que passou pela transição capilar a amar o seu cabelo e a si mesma, se empoderar, mostrar o orgulho de carregar consigo essa cultura, desafiar a sociedade com o amor pelas suas raízes, visto que, na mídia, o padrão de beleza que predomina é o branco, que se reproduz no trabalho, na rua, na sala de aula e muitas vezes, em casa“, conta a fotógrafa na página do projeto.  Já foram 19 mulheres fotografadas em Cuiabá, cidade onde reside.

De acordo com Maria, a ideia do projeto surgiu há dois meses, mas o ativismo negro já está presente em sua vida desde 2013, quando começou uma pesquisa para seu trabalho de conclusão de curso. “A partir daí, acabei percebendo que o negro não tem espaço, que o racismo é algo tão neutralizado na nossa sociedade, que passa batido”, relata.

E continua: “No começo do ano entrei num grupo no Facebook chamado ‘No poo, low poo para iniciantes’ que é sobre uma técnica capilar que usa produtos menos agressivos ao cabelo, à saúde e ainda ‘resgata’ a forma natural dos fios. Apesar de não interagir muito lá, notei que aquele espaço era fundamental para as mulheres negras que estavam passando pelo processo de transição. Eram sempre das mulheres negras os relatos mais dolorosos. Vi como aquele espaço era importante para as mulheres trocarem vivências e como aquilo era empoderador”.

O projeto é uma iniciativa que também mostra às mulheres que elas não estão sozinhos, que ruim é a cabeça de quem acha que existe cabelo “bom” e cabelo “ruim”. “É um absurdo você pegar um livro de História e ver que a história dos negros é contada do ponto de vista do branco, dos portugueses. Esse projeto não é sobre estética, é sobre resistência, é sobre o que é SER negra na sociedade”, finaliza Maria.

Confira as fotos do Projeto Raízes:

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Saiba mais no site e na página do Facebook de Maria Reis!

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