Projeto Identidade levanta a questão da representatividade do negro na cultura pop

Você já ouviu falar aqui na Zupi sobre o Projeto Raízes, uma série de ensaios fotográficos que celebram o cabelo da mulher negra. Os padrões de beleza impostos pela sociedade podem sem bem cruéis para as mulheres, mas os danos das estruturas sociais que formamos e que são representadas na mídia também se estendem para toda a comunidade negra.

A questão da representatividade é muito importante. Como reconhecer como bonito, como positivo, aquilo que não vemos na TV, no cinema (e nem nos livros de história, a bem da verdade) como tal? Que ainda enxergamos como o periférico, o exótico, a exceção? Vale ressaltar: mais da metade da população brasileira se declara preta ou parda, e ainda assim ainda é difícil encontrar referências negras associadas a uma imagem positiva, um personagem negro numa telenovela que ocupe um alto cargo, uma princesa negra.

É isso que o Projeto Identidade, exposição fotográfica que apresenta ícones populares (originalmente brancos) representados por pessoas negras, vem questionar. Idealizado por Noemia Oliveira e Orlando Caldeira e clicado por Guilherme Silva, o Identidade nasceu da ânsia de propor uma reflexão sobre os valores estéticos impostos na sociedade brasileira, utilizando para isto a força da imagem. Trata-se de um trabalho que pretende viabilizar o reconhecimento da figura negra como possibilidade potente do belo, tendo tamém como intuito suscitar uma ponderação sobre os danos que a “invisibilidade” do negro pode trazer para a formação de uma sociedade democrática: uma sociedade que se respeite, que se assuma e se represente em diversidade.

Entre os modelos clicados estão algumas personalidades conhecidas da mídia, como a atriz Juliana Alves e o modelo Taiguara Nazareth e também anônimos, como os frequentadores do Baile Charme do Viaduto de Madureira (evento da cultura negra no subúrbio do Rio de Janeiro e que se tornou bastante conhecido e frequentado por diversas classes) e Cleidilson, garoto que ficou conhecido por ter pintado de negro personagens da Turma da Mônica, em uma prova da escola, dizendo não se reconhecer neles.

As fotos foram feitas no fim de 2014 e estiveram expostas no SESC Madureira (RJ) durante o mês de fevereiro de 2015. A ideia é que a exposição se torne itinerante!

Enquanto isso não acontece, veja algumas fotos do projeto:

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Noemia e Orlando, os idealizadores do projeto

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