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Paul Booth
Estado Unidos

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[Zupi] Paul, quando você começou a se interessar por ilustração e por que passou a representá-las em forma de tatuagens?

Bom, quando era mais novo, era basicamente um isolado. Isso significa que passava muito tempo em casa, sozinho, desenhando figuras – geralmente imagens de coisas que gostaria de fazer com todas as crianças da escola que eu odiava. E, claro, um monte de vilões bizarros. Parecia que a única atenção positiva que eu recebia era quando desenhava, então acho que durante a minha juventude costumava procurar aprovação através da arte. Sempre me comuniquei melhor através de imagens do que de palavras, e, além disso, era um desastre no baseball.

Uma vez que descobri a arte da tatuagem, realmente me senti intrigado por essa ideia de permanência e pelo fato de as pessoas “vestirem” a minha arte para sempre de um modo tão pessoal. Eu a considero como uma forma de arte final.

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[Zupi] Então você era o tipo de criança que amava esqueletos e filmes de terror…

Minha mãe diz que sempre que ela me oferecia giz de cera, quando era muito jovem, eu escolhia o preto. Então acho que sempre fui interessado pela arte obscura. Há alguns anos encontrei uns cadernos da segunda série que tinham essas tentativas rudimentares de caveiras e monstros. Atribuo muito disso ao fato de ter estudado em uma escola católica e ter sido infernizado por freiras muitas vezes. As que me educavam pareciam encher-me com um monte de ódio e acho que isso sempre foi refletido em minha arte.

[Zupi] Você possui uma formação em Artes? Considera um diploma essencial quando o assunto é ilustração?

Acho que a educação artística é uma faca de dois gumes. Quando era mais novo, sempre me rebelava contra várias aulas de arte, na escola, pois sentia que os professores estavam apenas tentando me programar para me adequar a um sistema. Como resultado, passei a aprender sozinho através de pesquisas próprias. Nunca fui um grande fã de regras. No entanto, meu arrependimento recaí na minha falta de conhecimento em história da arte e em conhecimentos técnicos gerais, coisas que teria aprendido mais cedo se tivesse tido um ensino formal. Penso que o colégio pode ser algo maravilhoso, desde que você seja capaz de manter um senso crítico e objetivo diante daquilo que você aprende.

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[Zupi] A tautagem se popularizou muito nos últimos anos. Quais são os pontos positivos e negativos desse fenômeno?

Sempre sou questionado sobre o modismo da tatuagem e minha resposta permanence a mesma: nas sociedades atuais, é inevitável que a arte da tatuagem cresça em sua popularidade. Nós vivemos em uma sociedade na qual as pessoas lutam por algum grau de individualidade mais do que nunca. Os governos mundiais nos fazem sentir como um número, de modo que quase parece que a fronteira final para a liberdade de expressão é a tatuagem.
Além do mais, essa ainda é uma experiência rebelde, por conta da dor envolvida, e é um dos compromissos definitivos que você pode fazer na vida. Acho que cada vez mais as pessoas sentem necessidade dessas coisas.

O motivo pelo qual não ligo muito para o modismo da tatuagem é porque sei que enquanto centenas de pessoas podem surgir nessa indústria (as ovelhas da moda que acabam subindo a bordo), forçando uma certa diluição, elas também tendem a desaparecer de uma hora para outra. O fato é que, com tudo isso, a consciência global também aumenta drasticamente, e talvez algumas dessas cem mil pessoas acabem realmente merecendo estar aqui.

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[Zupi] Você é considerado o rei das tatuagens rock. Quais bandas costuma ouvir?

Sempre achei esse título, “rei das tatuagens rock”, um pouco bobo, mas também sei que ele desempenha um papel importante por expor mais pessoas à minha arte, o que é meu objetivo – e provavelmente o de qualquer artista.

Faço muitas experimentações com o meu ambiente criativo e a música tem um papel significante, nisso. Mas para mim é mais uma questão de ambientação sonora do que de um tipo específico de música que eu prefira. Acho que para um artista criar plenamente, o seu meio ambiente precisa ser esculpido para ser o mais convidativo à criatividade. Então, costumo ouvir trilhas sonoras obscuras que raramente tenham letras ou palavras. Isso me ajuda a encontrar a minha “zona” de um modo mais efetivo.

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[Zupi] Se você pudesse escolher qualquer pessoa para tatuar, quem seria e o que você criaria para ela?

Se Caravaggio ainda estivesse vivo, provavelmente faria qualquer coisa para compartilhar momentos criativos com o mestre. Realmente não consigo pensar em ninguém vivo hoje por quem sinta a mesma vontade. Não poderia saber o que tatuaria nele, mas como ele é o pai de Tenebrismo, isso certamente seria levado em conta.

[Zupi] Você já tatuou algum ídolo seu?

Eu não tenho ídolos, exatamente. Logicamente existem artistas e músicos pelos quais nutro uma admiração, então ter uma oportunidade de tatuá-los é sempre excitante. Vejo como uma chance de fazer parte de uma colaboração criativa. Se um artista ou um músico me inspirou ao longo do tempo, a tendência é que seja muito divertido dividir momentos criativos diretamente com eles. Eu ainda amo bandas como Slayer, por exemplo, então tatuar alguém como Kerry King é sempre um prazer.

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[Zupi] Existe algum tema que você nunca desenharia?

Eu não faço retratos de Cristo, a não ser que ele esteja sofrendo nas mãos do mal. Também não faço temas pró-cristãos. Seria o mesmo que pedir a um cristão para fazer um retrato de Satanás. Tenho tendência a ser um homem de princípios. E também não costumo fazer logotipos e coisas assim.

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