O mundo de Toz

Um dos artistas de rua mais influentes da atualidade no Rio de Janeiro, Toz nasceu longe do Cristo Redentor, mas perto de todos os santos. O baiano, que já carregava grande conhecimento artístico desde cedo, ficou deslumbrado quando desembarcou nas terras cariocas e viu pichações por todos os lados. A partir daí, seu trabalho passou por tags, graffitis, telas à óleo, colagens e instalações, transitando entre muros e galerias de arte.

Tudo isso você confere logo abaixo, na entrevista que a Zupi fez com o artista.

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Com 15 anos você já demonstrava aptidões em artes plásticas. Da onde veio esse gosto tão precoce pelo mundo da arte?
Minha mãe estuava artes quando eu era criança, então lembro bem dos materiais e livros dela que eu usava. Nunca tive problemas em usar, meus pais sempre me deram muita liberdade – até forraram as paredes do meu quarto só para eu poder rabiscar.

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Antes de usar o spray, você chegou a usar agulhas. Como foi essa experiência como tatuador? Você ainda arrisca alguns rabiscos?
Fiz minha primeira tattoo com 9 anos (meu pai me levou quando foi fazer uma nele), então cresci apaixonado por esse universo. Quando eu fiz uns 15 anos já tinha essa ideia de ser tatuador, passava horas nos estúdios em Salvador, mas me liguei rápido que não era a minha porque eu odeio sangue, nem cheguei a tatuar, na real, por isso. E até hoje amigos meus falam pra eu tentar mas realmente me bloquiei. A ideia do sangue e de não poder errar não me agrada.

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Em certo ponto, você achou melhor se ter um diploma e se formou em Design. Essa formação foi muito importante para o seu trabalho?
Sim, acho que foi bastante. Na faculdade de Design tive um acesso à conhecimentos gerais sobre arte e design. Sempre usei o graffiti no design e o design no meus murais na rua, acho que são duas artes que sem completam.

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BB idoso, Nina, Shimu, Julius… Toda sua obra é composta por esses protagonistas. Quais foram suas inspirações para criar esses personagens?
Me inspiro nas pessoas ao meu redor para criá-los. Sempre veio naturalmente, nunca pensei em criar algo que fosse dessa forma, mas cresci desenhando meus quadrinhos e ja tinha personagens que me acompanhavam desde que eu era adolescente.
Hoje em dia penso diferente. Acredito que ao longo da minha vida vou ser presenteado com outros, assim como foram todos.

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Além dos ditos antes, ainda há o Insônia e o Vendedor de Alegria. Você pode falar um pouco do paradoxo entre esses dois personagens?
Quando criei o Insônia eu estava passando por um momento difícil – tinha acabado de me separar e andava muito pela noite. Então imaginei uma versão do BB Idoso, só que da cor preta, com o tempo e as influências afrobaianas.
Acho que um ano depois criei o Vendedor de Alegria, que foi outra fase, eu estava mais otimista e apaixonado, curtindo o dia. E num desses domingo de sol bem cedo vi um cara com várias bolas na cabeça indo vendê-las na praia. Achei a maior loucura, porque ninguém precisa de uma bola como pode precisar de água ou qualquer comida, mas a bola transforma qualquer ambiente com alegria. E eu me identifiquei com esse cara porque me parecia que ele fazia por amor aquilo, e não por desejar ganhar muita grana. Daí surgiu o personagem.
Tanto o Insônia como o Vendedor de Alegria representam bem a vida na cidade e as possibilidades que o dia e a noite podem te dar, de um extremo a outro em todos os sentidos e principalmente na tabela de cores.

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O seu trabalho como grafiteiro começou nos muros e hoje é exposto em galerias de arte e até na Brazilian Art Fair, em Miami. Como foi essa transição?
Foi natural, sempre pintei em casa para me expressar, muitas vezes dei trabalhos para amigos e familiares. Também fiz muitas exposições independentes e participei de algumas coletivas.
Mas foi só em 2007 que fui convidado para realizar minha primeira exposição. Me senti bem a vontade e vi logo que era isso que eu queria fazer.

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Como é olhar pra trás e ver sua trajetória desde Salvador até os dias de hoje, onde você é considerado um dos artistas urbanos mais influentes do Rio de Janeiro?
Eu fico feliz, mas sem preciosismo. Vivo o presente e tô de olho no que vai rolar no futuro, continuo pensando como um iniciante cheio de disposição pra fazer coisas novas.

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Ainda sobre sua trajetória, como você enxerga sua obra atualmente?
Eu amadureci, me sinto mais forte mental e tecnicamente, me aprofundei mais no que eu acredito e tenho gostado dos novos trabalhos. Hoje tenho mais tempo para pensar e produzir. Isso muda tudo.
Me sinto em evolução, quero testar muitas coisas e aprender muito mais, me sinto uma criança quando converso com artistas como Carlos Vergara. Isso so me estimula!

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Para finalizar, você tem alguma dica para aqueles que também querem viver de arte, como você?
Acho que a melhor dica é ter noção de quanto seu trabalho é bom e tem que melhorar, e depois disso acreditar e trabalhar todos os dias! Lembrando que artista não tira férias, não tem feriado, nem se aposenta. Mas também vive de férias com a vida.

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Para acompanhar o trabalho de Toz na íntegra, fique de olho no Instagram do artista.

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