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O cotidiano realista nas ilustrações de Aure

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Aureliano Medeiros, ilustrador de Natal-RN, afim de expressar seus sentimentos e problemas cotidianos, criou um personagem autobiográfico chamado “Aure”, um cidadão comum com inseguranças e problemas que a maioria das pessoas tem, gerando assim uma grande auto identificação por parte das frases e ilustrações.

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Quando você começou a ilustrar?

A verdade é que eu nunca parei. A maioria das pessoas eventualmente para de desenhar em algum momento, mas eu nunca cheguei a largar o lápis. Mas se for pra pensar o momento que eu tomei consciência que queria ser um ilustrador, acredito que faz uns 5 anos ou menos.

 

Como surgiu o projeto da página “Oi, Aure” ?

A página “Oi, Aure” surgiu inicialmente com outro nome (diário desenhado) e era basicamente um depósito de todos os desenhos que eu fazia, até que, no início de 2015 eu estava me sentindo meio mal e improdutivo e senti a necessidade de trabalhar mais diretamente com a história em quadrinhos autoral diária, pra me movimentar mais. Nesse sentido, eu sentei com uma amiga também ilustradora (@ilustralu) e a gente criou todo um plano de reposicionamento de marca, mudança de título e estratégias de criação de conteúdo, a fim de driblar minha já conhecida autossabotagem.
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Porque você acha que as ilustrações sempre tem um alto nível de identificação?

Porque, primeiro de tudo, eu não sou um super-herói. Eu me desenho da forma como eu me vejo: sobrepeso, calvície e pelos. Falo de inseguranças, dificuldades, ansiedade e crises muito minhas que, com o tempo, descobri que são de todo mundo também. Porque é da gente achar que só a gente passa por certas coisas, né? Então é super-comum eu fazer uma postagem de algo muito peculiar que estou sentindo e receber várias respostas de seguidores dizendo que foram descritos pela imagem, ou que estavam precisando ler aquilo naquele momento. Trata-se de um conteúdo autobiográfico de um autor/personagem cheio de falhas que se desenha pelado numa espécie de pacto de confiança com o leitor. é como se eu dissesse: “Estou me mostrando por inteiro pra você. Posso entrar?”. Essa atitude de risco é geralmente respondida com um carinho muito grande. Geralmente.

Aure já se tornou um personagem tão intimo do publico que acompanha, que é possível ver nos comentários algumas pessoas especulando através das suas ilustrações, coisas que você está sentindo, como você reage a isso?

Então, as pessoas especulam né? Eu não sei muito bem lidar com os comentários. Sou péssimo respondendo os comentários. Gosto de pensar que eu ainda estou aprendendo. Mas as pessoas, elas pensam sim, elas pensam muitas coisas e elas falam essas coisas (muitas vezes porque acham que eu não leio). Não me incomodo muito especulação, só quando são coisas meio absurdas ou ofensivas. Aí eu pego briga ou jogo deboche nos comentários (atitude não saudável). Inclusive os seguidores adoram especular o meu signo.

Tem alguma ilustração favorita ou que te marcou de alguma forma? Como já foram mais de 200 quadrinhos e minha memória é muito curta, pra mim fica difícil lembrar, então vou falar um recente que mexeu muito comigo. Postei agora em agosto, em um momento que estava sentindo que eu sentia além da conta e que, se pudesse, sentiria menos.

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Me conte um pouquinho sobre a ideia da criação do seu livro “Madame Xanadu”

Madame Xanadu é um romance que eu lancei ano passado pela Editora Tribo e foi uma das experiências de criação mais legais que eu já tive. Desde a adolescência eu vinha desenvolvendo entre rabiscos a história dessa personagem drag queen deprimida com tendências suicidas e não sabia muito bem para onde ela iria. Foram mais ou menos dez anos de criação de personagens, devaneios, sentimentos e linha narrativa. Em momentos eu pensei que seria uma história em quadrinhos, filme, peça de teatro, até que surgiu a proposta da editora e eu achei que eu não conseguiria contar a história do jeito que eu queria se não fosse um romance. Eu não tinha muita ideia de como criar a estrutura narrativa do livro, então acabei utilizando uma estrutura que eu já conhecia e estava habituado, que era a estrutura dos arcanos maiores do tarô. Para cada uma das 22 cartas eu designei um segmento da história que, ao meu ver, combinava mais com o arcano em questão. Isso acabou fazendo com que o livro tivesse uma estrutura não sequencial, além de narradores múltiplos, que, inicialmente eu achei que seria um problema, mas depois deixei de subestimar o leitor. É como se eu entregasse um quebra-cabeças mesmo. Tem gente que não entende, mas vida que segue. Ah! e claro que o livro é ilustrado. Risos.

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