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O conflito interior do ser

O que é ser? É antes de tudo um estado, um momento. O que é ser humano? Essa é a principal pergunta que pode ser feita após conhecermos e admirarmos as obras do artista brasileiro Florian Raiss.

As esculturas híbridas de Raiss são instigantes e provocadoras. A figura humana se transforma em animal, e é exatamente esse momento que é retratado nas obras de Raiss, a metamorfose do ser.

Reconhecemo-nos nas obras de bronze e o nosso instinto animal parece ser evocado. As mãos gigantes, que tem o poder transformador, são ao mesmo tempo patas, que servem para correr, defender, vasculhar e encontrar.

O quadrúpede é uma das obras das quais não conseguimos tirar os olhos, é a complexidade inerente dos seres humanos, retratada em uma grande escultura de bronze.

“Por um lado temos o intelecto, que foi condição pra tantas das “maravilhas” que o ser humano criou e cria, seja nas artes, na ciência, nas religiões, em suma nossa obra civilizatória, mas nossos instintos, nosso legado animal está aí firme e forte como sempre, e isso cria um conflito que não superamos”.

Outro detalhe a ser observado nas obras de Raiss é o nu. Todos os seres humanos estão nus, mostrando o ser humano como eles são, como vieram ao mundo, sem máscaras, sem a influência da sociedade.

“Imagino que pra mim o nu seja uma forma de nos mostrar como somos, como viemos ao mundo. É também uma celebração da riqueza de formas e consequentemente da beleza das formas humanas, mesmo daquelas que não seriam consideradas belas”.

A partir do estranhamento, a visão pré determinada das coisas é derrubada, para tornar a obra singular. É justamente esse nível que as obras de Raiss conseguem chegar: a uma visão poética a partir da figura humana.

“Tenho influência forte da arte clássica , e de toda uma tradição que nos chega até hoje em obras de inúmeros artistas, seja de Picasso, Cocteau, Matisse, David Hockney e alguns mais contemporâneos”.

“O foco do meu trabalho é a figura humana , que venho explorando ao longo dos anos. Apesar de sabermos que não somos, nem estamos no centro do universo , não conhecemos nada com a complexidade  de nossa forma, e de nossa mente.  Segundo as descobertas da astronomia somos feitos do pó das estrelas, e pensando bem, é fantástico termos chegado aonde chegamos,  sem saber no entanto aonde  isso pode nos levar, fica esse ponto de interrogação”.

+ Informações aqui: Florian Raiss

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