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Os caras da Mustache & os Apaches começaram apresentando-se nas ruas de São Paulo. Com violões, bandolins, washboards e muito bem vestidos, faziam de qualquer esquina barulhenta da cidade seu palco. Hoje, elétricos e com dois álbuns e um compacto na sacola, a banda leva seu rock cáustico e irreverente em turnês pelo Brasil e a Europa, em teatros e festivais. Levaram o prêmio de “Melhor Grupo popular” no 26º Prêmio de Música Brasileira e têm no currículo, entre outras trilhas de cinema e TV, a assinatura da série “Lili, a ex”, exibida pela GNT. Pedro Pastoriz, o elegante guitarrista e porta voz da Mustache & Os Apaches, conta um pouco sobre a trajetória da banda, mercado, música digital e o dia-a-dia de ser artista de música no Brasil. Confere no qrcode a música Orangotango, do álbum Time Is Monkey, e adicione à playlist de seu smartphone ou tablet.

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Como é manter o clima solto e espontâneo de uma apresentação de rua no estúdio?

Logo que a gente lançou o primeiro disco, que era essencialmente acústico por conta dessa nossa primeira experiência com a rua, nós começamos a tocar em cada vez mais teatros, inferninhos, pubs e lugares fechados pelo Brasil e pela Europa. Acho que foi essa necessidade de jogar mais com as salas e se fazer ouvir melhor que trouxe alguns instrumentos elétricos pro nosso set, trouxe essa possibilidade de explorar mais as letras e se ouvir soar melhor. Gravamos esse segundo disco no Estúdio Canoa com o Gui Jesus Toledo, em São Paulo, e a maioria desse disco foi gravado ao vivo, em fita. A gente juntou muito material nesse hiato de quase dois anos entre o primeiro e o segundo disco, e quando fomos escolher as músicas pra gravar, haviam quase 40. Passamos um pente fino, e essas doze músicas juntas – o Time is Monkey –, é nosso melhor trabalho nesses quase 6 anos de banda. E a resposta tem sido ótima. Temos feito muitas viagens, conhecendo muita gente nova. Acabamos de voltar de uma pequena tour no Rio Grande do Sul e já estamos partindo pra outra no interior de São Paulo. Entramos também num momento de clipes desse disco. Em breve sai coisa nova. Enfim, estamos num momento muito legal.

Música digital, streaming, download, embora tenham tentado muito, estão aí e aí vão ficar. A disponibilidade de download gratuito de álbuns em diversas plataformas transforma o CD em portfolio. Pra incrementar o engodo musical da vida moderna, o vinil, a fita cassete e as técnicas analógicas de gravação estão de volta às prateleiras. Será o fim do CD? É ficção científica ou pura nostalgia?

Nós temos parceiros que cuidam dessa parte das vendas e das mídias, que ofertam pra um certo nicho que procura novidade. Em 2013, lançamos o compacto Chuva Ácida/Todo Trem com a 180, selo gaúcho de vinil. Agora a gente lançou o Time is Monkey com o selo RISCO de São Paulo. A gente vende mais cd’s depois dos shows do que nas lojas, vende muito streaming mesmo disponibilizando o disco pra download. Então não tenho muito esse olhar das tendências de venda, por enquanto estamos brincando com as mídias e as pessoas estão se identificando, tá rolando. Tão ou mais interessante de como o produto final é vendido, é como ele é concebido. Quero dizer, a idéia de se gravar um disco com o mínimo de overdubs possível, ou mesmo num direct cut como fiz ano passado na Third Man Records (naquela cabine do Jack White, de 1927), é, de certa forma  um resgate da ideia que a música captada é uma foto do que está soando no estúdio, logo se aceitam os erros, as limitações daquilo. Sem tanta maquiagem que é sugerida pelos mil inputs/canais/plugins dos Pro Tools contemporâneos. Tem uma escola de quem produz/grava bandas nas horas vagas dos trabalhos de publicidade, e a publicidade/jingle pode ser uma escola limitadora. Daí não adianta gravar tudo pasteurizado e depois esculpir num cilindro de cera/cassete/vinil, vai seguir quadrado. Mas é uma questão muito íntima, varia da busca de cada músico.

O Faça Você Mesmo do século XXI é o Empreendedorismo Musical, termo que sustenta que o artista da música deve, mais do que nunca, gerir sua carreira fazendo uso das diversas ferramentas disponíveis, principalmente de distribuição e divulgação de música. Como vocês lidam com o dia-a-dia dessa realidade?

Buscamos e dependemos de parceiros, investimento, temos pessoas trabalhando conosco. Pode ser chamado de empreendedorismo, como pode ser chamado de “faça você mesmo”. Sobre essa construção, o que acho que colocou a banda num eixo logo no primeiro dia foi que saímos pra rua pra nos divertir, pra ver no que dava, mas era trabalho também, precisávamos pagar as contas em casa. Tocávamos pra todo mundo e muita gente não costuma consumir música nova, fizemos algo que ia um pouco contrário dessa maré das relações de música meramente virtuais. Era música na praça, no sol, na chuva. E é óbvio que não inventamos nenhuma roda ao irmos pra rua, ainda que houvessem pouquíssimas bandas tocando na rua aqui em São Paulo. Acho que tem a ver com abrir mão um pouco do que se tem como ‘receita de bolo’ e fazer o que tá no alcance. É o surf de zeitgeist da coisa. Se não tá rolando lugar pra tocar, toca onde te querem, se não tem quem faça a camiseta, não tenta fazer uma que pareça cara, e aí vai. E sobre uma possível dificuldade de ser independente, não sei como é ser um artista de grande gravadora, naqueles moldes anos 80. Sei que muita gente que tinha vida de rei nos anos 80 assinou contratos errados e quando acabou o império acabaram meio sem saber o que fazer, não tinham contato diário com essa parte administrativa, estavam alienados da própria carreira. Tem que amar muito o palco pra seguir o baile, mas tenho curiosidade por esses processos anteriores ao show, seja em captação de recurso, como fechar turnês, contratos, vendas de disco, não vejo problema nisso, acho que aproxima os problemas das soluções.

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