Menina se transforma em Sherlock Holmes num ensaio apaixonante

Mari Merlim é fotógrafa nascida em São Paulo, mas há 3 anos vive em Florianópolis. Sua história com a fotografia surgiu de maneira bem familiar, quando seu irmão mais novo nasce e seu pai adquiri a primeira câmera digital de suas vidas, 2000. Ela já havia tido contato com as câmeras analógicas antes, mas foi com a fotografia digital que ganhou a liberdade de fotografar o assunto que quisesse, já que o uso de filme tornava a foto algo caro demais para uma criança brincar.

A artista conta que em 2010 fez parte de um trabalho voluntário no Morro do Borel, no Rio de Janeiro, onde ficou responsável pelo registro fotográfico do trabalho em uma creche, foi então que descobriu o retrato infantil e se apaixonou pela ideia de fotografar crianças

Seu mais recente trabalho é um ensaio fotográfico onde uma menina se transforma em Sherlock Holmes. Mari conta que a ideia surgiu da intenção de fotografar uma personagem que representasse o feminino para crianças.

Para a fotógrafa, os personagens femininos infantis ainda se limitam muito a princesas e fadas travestidas de beleza e inocência. Ela completa “É difícil encontrar personagens fortes, inteligentes, racionais. Normalmente esses personagens são masculinos. As meninas, por sua vez, deixam de lado a possibilidade de se inspirarem em algo que não seja apenas uma casa de beleza impecável.”

Pensando em tudo isso, escolheu  Sherlock Holmes, o detetive mais famoso do mundo e que se tornou referência para quase todos os protagonistas de romances policiais que vieram após ele.

” O que nos inspira nele não é sua beleza, aliás, essa passa quase como um elemento dispensável, é sua inteligência, seu talento dedutivo, o gosto por aventura que o tornam célebre.”

O curioso é que todo o processo de criação é coletivo, já que quem imagina e sugere as atitudes do personagem é a própria Gigi, protagonista das fotografias.

“Meu papel é instigar sua imaginação possibilitando a fantasia e fotografar o que para ela é, além de um ensaio, uma brincadeira.”

Mari explica que Gigi é filha de amiga pessoal e que convidou a menina pois ela tem uma relação forte com brincadeiras de mistério e aventura e por se intereressar por histórias de detetive. “Ela seria a criança perfeita para incorporar uma investigadora curiosa e daria a cara do nosso ensaio.

O propósito pessoal da fotógrafa é dar voz à infância, oferecer protagonismo quando se trata de debater assuntos que adutos acham que crianças não devem participar. Falar sobre a existência de preconceito racial, de gênero e levantar a possibilidade de representatividade, do coletivo, da igualdade.

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