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Marcella Tamayo
São Paulo, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Quando você percebeu que tinha vocação para o design?

Vocação é uma palavra muito forte! Não sei bem se tenho vocação para alguma coisa. Já mudei tanto de opinião. Teve uma época que eu tinha certeza que tinha nascido para ser contorcionista no Cirque du Soleil e de que passaria a vida toda me alongando mundo afora.
O design apareceu sem querer. Fazia curso técnico de telecomunicações e até gostava das contas, mas foi só conhecer o técnico em design gráfico para trair a categoria e mudar de curso. Depois de terminar a escola fui para a faculdade continuar o que achava ser o meu novo caminho (adeus contorcionismo). Precisei de dois semestres para perceber que também não levo muito jeito pra coisa. A verdade é que sempre tentei desenhar e grande parte dos acontecimentos na minha vida tem ligação à isso. Para onde tudo vai levar é que desconheço.

[Zupi] Você tem um estúdio no qual trabalhe com outras pessoas ou você trabalha por conta própria?

Por enquanto estou sozinha nessa, meu chapa.

[Zupi] Você acha que existe diferença entre o que é trabalho pessoal e o que é profissional?

Nos projetos pessoais, não muita. Mas o trabalho profissional tende sempre a sair melhor acabado, mais caprichado, levando mais tempo
para terminar. É aquela coisa, todo mundo dá o seu melhor quando vai se mostrar para alguém. Trabalhos pessoais têm a vantagem do desleixo despreocupado que é tão necessário quanto uma boa finalização.
O único trabalho profissional que realizei não foi aceito até hoje. Então não vou ficar chateada se, eventualmente, minha opinião quanto à isso não for levada muito a sério.

[Zupi] Você já trabalha para alguns clientes ou somente estuda?

Somente estudo. Estou no quarto semestre do Bacharelado em Design com Habilitação em Comunicação Visual (ufa!) lá no Senac.

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[Zupi] Há algum trabalho que tenha te marcado?

Os que me fazem lembrar de alguma história. Esses dias estava arrumando meu quarto quando achei um caderno. Não fazia muito tempo
que ele havia se perdido em meio a bagunça, mas resolvi dar uma olhada. Abri bem na página em que tinha desenhado um cachorro. O desenho está tortíssimo, feio mesmo, mas com ele lembrei de tanta coisa…
Havia levado aquele caderno em uma viagem da faculdade para o sul de Minas. Desenhei o cachorro enquanto visitávamos uma amiga do nosso professor. Estava muito frio, eu não tinha borracha e meus dedos já haviam endurecido faz tempo. Acho que isso contribuiu um pouco para o cachorro alerta ficar parecendo um camelo dormindo, mas, ao mesmo tempo, olhar aquela coisa estranha no caderno fez tudo voltar. Os cheiros, as risadas, as pessoas. Todo desenho guarda um pouco de magia.

[Zupi] De onde você extrai suas referências visuais? Existe algum artista inspirador?

Ah, mas é muita coisa! Possuo alguns artistas queridos como Magritte, Hopper, Klimt, Mucha e Aaron Jasinski. Também tem muito do mangá, dos quadrinhos e do grupinho cinema/música/teatro/dança. As referências vêm de todas as partes, o tempo todo e creio que isso não se aplica só a mim. Mas além dos estímulos visuais estão as pessoas e a forma como elas levam seus dias. Conversar e conhecer as particularidades de quem está por perto é a grande sacada da vida e é também o que mais me influencia.

[Zupi] Existe algum elemento que você aplique mais aos trabalhos?

Curvas. Coloco o lápis no papel e o danado insiste em sempre fazer as voltinhas.

[Zupi] Nota-se, constantemente, o uso das figuras femininas em suas ilustrações. De onde vem essa referência?

Quando pequena, eu era fã de um desenho chamado Sailor Moon. Fã incondicional, sabia até a música da abertura em japonês. Passava
tardes e tardes tentando copiar os desenhos, procurava imagens em sites, revistas, bancas clandestinas. Comecei a desenhar meninas com
elas e não parei mais. É mais gostoso, tem mais detalhes, mais sorrisos e mais lágrimas.
Mas juro que tento desenhar homens! Tenho algumas coisas guardadas em casa pra comprovar, tão bem guardadas que nem lembro mais onde estão. Meu problema em desenhá-los é que eles sempre ficam com um jeitinho afetado. Um dia eu consigo wink

[Zupi] Algum comentário final?

Por mais difícil que possa ser, nunca perca o ânimo e a boa vontade. Muito obrigada a todos por tudo, de coração.

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