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Maikon Nery
Londrina, Brasil

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[Zupi] Você sempre se interessou por ilustração? Quando se tornou profissional?

Sempre me interessei pelo visual das coisas, pelas cores, formas e superfícies. Isso sempre me chamou a atenção e, desde pequeno, fui estimulado e incentivado neste sentido. Eu comecei a fazer estágio no 3º ano do curso e foi nesta época que tive contato com a realidade do mercado e vi como é a atuação do profissional de design gráfico.

[Zupi] Qual sua formação? Na sua opinião, cursos de design são para “criar” profissionais ou lapidá-los?

Eu me formei em Design Gráfico pela UEL (Universidade Estadual de Londrina). Para mim, a universidade apresenta ao aluno ferramentas para um desenvolvimento intelectual, critico e, se possível, experimental. A universidade pode, sim, criar profissionais, mas o que vai lapidá-los serão os anos como profissional atuante no mercado.

[Zupi] Como é o mercado de design no Paraná? Já pensou em ir trabalhar em São Paulo ou em outro país?

É um mercado que está em expansão, mas há muito que crescer ainda e também perder alguns vícios provincianos, por isso acho que o profissional daqui tem uma função muito importante que é a de “catequizar” o mercado para que os empresários sintam a importância do design.
Acredito que em pouco tempo devo ir para um grande centro, mas, por enquanto, uso a internet para encurtar distâncias e pegar trabalhos do Brasil inteiro e até de fora.

[Zupi] Seu trabalho é bastante colorido e alegre. Como é o humor de Maikon Nery?

Não sei, acho que na maioria do tempo estou de bom humor.

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[Zupi] Você prefere temas definidos ou livres? Por quê?

Não tenho preferência, o desafio de criar e achar a “liberdade” em temas já definidos é muito bom, assim como é interessante e ao mesmo tempo difícil você criar em cima de temas livres. O importante é ter temas, sempre.

[Zupi] Com qual temática não gosta de trabalhar?

Todas as temáticas são interessantes, não tenho nenhuma preferência. O bom mesmo é o desafio. Gosto de transitar livremente sobre todos os temas por mais diferentes e contraditórios que pareçam.

[Zupi} Em seu site há, pelo menos, dois trabalhos, que remetem diretamente ao cantor e compositor Cartola. Qual sua relação com o samba?

Eu adoro música, principalmente as feitas com sinceridade. Gosto de samba de raiz, chorinho, jazz, bossa nova, rock, MPB… Gosto de cantores e compositores, que além de produzirem musica, fazem arte também, transcendam a preocupação com o mercado e se atentem para sua produção como artistas de verdade. Tenho uma admiração enorme pelo cantor e compositor Cartola. Sua história de vida é incrível, um grande poeta mesmo. Certa vez o maestro Villa Lobos assistiu a uma apresentação de Cartola e disse: “A música, a melodia, o arranjo está tudo errado! Mas tudo é tão lindo”. É sobre esta sinceridade que eu falo.

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[Zupi] Você usa diferentes técnicas em seus trabalhos. Há alguma preferida?

Não, na verdade me interesso mesmo é pela mistura do trabalho feito a mão e digitalmente. A mistura de técnicas deixa o trabalho “rico” e com mais vida. Gosto da relação física com o trabalho, por isso crio na mão, desenho, corto, colo e depois passo para o computador para finalizar. Vejo o computador como mais uma ferramenta e não como um meio limitador.

[Zupi] O que você faz quando o prazo está chegando ao fim, mas a folha ou tela continuam em branco?

Existem trabalhos que saem de uma forma extremamente natural e outros que você tem mais obstáculos para que o trabalho fique bom. O grande problema é quando a “cabeça está em branco”, porque é ali que começa a coisa. Quando acontece isso eu tento me concentrar e entrar de cabeça no trabalho. É 100% transpiração mesmo.

[Zupi] Seu trabalho pessoal difere completamente do profissional. Como você os separa?

Acho que alguns trabalhos meus são completamente diferentes da minha produção pessoal. Principalmente os que faço no estúdio de design onde trabalho, mas os que faço como freela já não são tão diferentes assim. Acho que tenho mais liberdade e posso chegar mais perto do meu trabalho pessoal. Para mim o ideal é chegar num momento em que o trabalho pessoal e o profissional se confundam ou sejam um só.

[Zupi] Você acha que a arte deve passar alguma mensagem ou entreter?

Para mim arte é comunicar, sensibilizar, transformar e também é entretenimento. Na arte você se comunica com o espectador e uma das formas pode ser pelo entretenimento, mas ao mesmo tempo a arte não é obrigada a ser compreendida a princípio. Ela tem a função de revelar um novo mundo e uma nova experiência para a sua comunidade porque quando um artista descobre uma nova realidade ele não descobre só para si, mas para o meio onde está inserido.

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Entrevista realizada por Sheila Silva: sheilafsilva@gmail.com

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