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Luciano Cian
Rio de Janeiro RJ

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] O que te levou a trabalhar como artista e designer?

Desde moleque minha curtição é o desenho. Ficava horas e horas rabiscando folhas. Com o tempo fui traduzindo esse impulso para algo mais elaborado. Pensei em fazer uma faculdade que tivesse ligação com esse universo. Acho que minha família me influenciou bastante, eu tinha um avô que costumava fazer esculturas na areia quando íamos à praia, uma tia que sempre pintava e um tio publicitário.

Hoje, com minha própria família, sinto a mesma força. Pode parecer infantil, mas o apoio dos outros nessa área é muito importante, no começo a insegurança permeia tudo. Em trabalhos com o lúdico, nada é exato. O parecer dos outros é muito importante, é preciso ouvir. As criações mais artísticas vieram com a necessidade de expressão pessoal. Existe uma diferença muito grande entre o design dentro de um escritório e arte. A arte se baseia na liberdade total, não existe arte com briefing. São formas distintas. Por isso sempre busquei a arte paralelamente.

[Zupi] Conte um pouco sobre os rumos tomados por você na profissão de designer.

Comecei numa agência de publicidade pequena, caí no estúdio. Embora não tenha tanto tempo assim, naquela época ainda não era comum o uso de computadores. De lá passei por diversas agências. Aprendi a trabalhar com o computador por osmose, enchendo o saco dos mais experientes, sufocando geral. Mas como o computador não resolve nada, sempre tentei aliar o dia-a-dia profissional com informações externas. A maior parte do tempo trabalhei como diretor de arte em publicidade.

Logo que surgiu a web como mais uma vertente do design procurei me interar sobre o assunto. Fui para fora estudar e fiz um estágio numa agência de web, em Nova York. Hoje, temos uma estrutura que oferece várias ferramentas de comunicação: design gráfico, moving design, web, multimídia, promoção, marketing… A Hiato – uma parceria de diversos profissionais – está nascendo com base nessa diversidade. O grande barato é fazer cada dia uma coisa diferente, usar uma ferramenta diferente. Sair da rotina.

Em paralelo, criei, junto com uns amigos, uma marca de roupa masculina: Van der Durke. A idéia é fazer uma streetwear bem ligada ao universo do design, sem “frescuras” fashionistas… Em julho devemos botar o bloco na rua. Uma curtição que tem dado bastante trabalho, e que ao mesmo tempo é super gratificante.

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[Zupi] Porque você decidiu abrir o seu próprio estúdio? E como você prospecta seus clientes?

Foi natural. A oportunidade apareceu, as pessoas certas estavam (estão) ao meu lado. Senti que a hora é essa, que esse é o caminho para o crescimento profissional. O time todo resolveu jogar sua própria partida, o que é extremamente motivante. Até porque, sozinho, nada disso seria viável. Na verdade, a Hiato está nascendo agora, nesse mês. Já a prospecção é uma arte – de paciência e trabalho duro.

Um bom portfólio ajuda, mas como já mencionei antes, é preciso unir cabeças diferentes para andar num ritmo legal. A dedicação dispensada em cada trabalho dá resultado, o que culmina num efeito dominó, ou seja, qualquer cliente é o mais importante e, a partir daí, o trabalho ganha um poder de divulgação próprio.

[Zupi] Como funciona na prática esse trabalho conjunto?

Na criação conseguimos montar uma base heterogênea que fala a mesma língua. Por exemplo, para os jobs de design gráfico e publicidade o Moa é o cara, para os jobs de web e multimídia é o Rogério que dá o toque. E isso não impede que a gente interfira no vizinho, essa troca é fundamental.

Nos conhecemos por acaso, trabalhamos juntos numa empresa e agora nos associamos. Juntos também criamos um site de design, o https://www.marginale.com Todo .mundo tem um trabalho dentro da gaveta, uma idéia que não se adequa ao mercado. Por isso o Marginale foi criado. Lá, qualquer um pode mandar seu trabalho, desde que não haja vínculo com marcas. Já estamos com mais de 1.300 acessos, vários colaboradores. É um espaço para a liberdade criativa.

[Zupi] Qual atrativo principal você apontaria em seus trabalhos?

Qualidade e velocidade. Parece papo de vendedor… e é mesmo. É preciso saber vender, se colocar no mercado. Sem qualidade ninguém se sustenta por muito tempo, é preciso investir em novas frentes, aprender sempre novas linguagens e tecnologias. A velocidade hoje em dia é fundamental para o mercado. Os negócios se atropelam, as oportunidades aparecem e somem cada vez mais rápido, por isso a velocidade na resposta de um job é muito importante. E para que essa velocidade não comprometa a qualidade, existe uma equação tênue, que formatamos com o tempo, de acordo com o próprio mercado.

[Zupi] Você segue tendências visuais? Onde você procura e pesquisa suas referências?

Todos seguem. Não dá pra ignorar o mundo. Ontem os carros eram quadrados, hoje são redondos, amanhã ninguém sabe como serão. A linguagem visual é uma esteira rolante – mesmo que muitas vezes se movimente para o mesmo lugar. Não é fazer por fazer, é andar junto com um contexto. Mesmo que você queira se desprender dos fatores externos eles vão agir sobre você de alguma forma. A evolução não pára. As referências vêm de todos os lados. Tudo é válido: bons livros, programas de TV (bons e ruins), músicas etc. Estão em toda parte.

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[Zupi] O que te inspira?

A melhor inspiração vem da liberdade. Às vezes tento zerar a mente para me desprender dos ícones cotidianos. Liberdade nesse caso não é ideologia, é uma necessidade para se sentir confortável o suficiente para fazer as coisas sem censura.

[Zupi] Existem artistas e profissionais que servem como impulsão nesta busca por idéias?

Vários. Desde um “pintor de letras de cartaz de supermercado”, até o mais vanguardista artista moderno. As idéias são atemporais e não têm endereço certo. Para achá-las é preciso caminhar em todas as direções.

[Zupi] Misturando tudo isso, como você define o seu estilo?

Não sei definir qual é o meu estilo, só sei que ele é objetivo. A sutileza das mensagens me atraem, gosto de interpretar o receptor como um ser inteligente, até porque inteligência não tem nada a ver com ignorância. Isso pode parecer tão objetivo quanto paradoxal. Com a dosagem certa funciona.

[Zupi] Você acha que o design brasileiro em si tem um estilo próprio?

Não. O Brasil é maior que o eixo Rio/São Paulo. Existe muita diversidade país afora. Acho até que já teve, quando a arquitetura moderna era o grande barato. Quando existia uma escola construtivista. Hoje em dia estamos correndo atrás, o Brasil vive um tempo aonde o que vier é lucro. Não existe um estilo, existe busca pelo básico.

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Zupi] Você acha necessário estudar para se tornar um bom profissional?

Acho o estudo muito importante, não só o acadêmico, mas o geral. A Faculdade te dá uma base bem capenga para o mundo prático. Por isso, cada vez mais, há necessidade de estudar universos mais amplos.

[Zupi] Novos projetos em vista?

Além da Van der Durke, que deve pintar em julho, do Marginale.com (que está no ar) e da própria Hiato, pretendo fazer uma exposição de objetos no próximo ano. Já tenho várias idéias anotadas. Mas como idéia no papel não existe, preciso materializar, transpor para o real.

[Zupi] Alguma mensagem final?

Mexa-se!

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