Lucas Santtana, o amor livre e a esperança nas mãos do vinil

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Lucas Santtana já tocou com Chico Science e Nação Zumbi, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marisa Monte, teve canções gravadas por Céu e Arto Lindsey e sua música deixa a Europa de queixo caído a cada novo lançamento. Sobre Noites e Dias é o sexto trabalho do artista baiano e foi lançado em 2014 e é de onde vem o single Funk dos Bromânticos, disponível para download gratuito na edição #49 da Zupi, já nas bancas.

Confere aí o segundo episódio da série de entrevistas do Qrtunes+Zupi com o Lucas Santtana que fala de amor livre, faz crítica responsável e pontual ao mercado da música e transforma empreendedorismo em arte.

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– O Alexandre Matias (do site Trabalho Sujo) disse que o single Funk dos Bromânticos é “uma festa de beijos sem culpa” o que, de fato, ilustra muito bem a cena, com a Camila Pitanga no beatbox, os violinos as guitarras e o refrão contagiante. Conte-nos um pouco sobre essa ode ao amor livre.

Essa música nasceu da minha experiência na turnê do disco anterior ao Sobre Noites e Dias, O Deus Que Devasta Mas Também Cura. Conheci, em algumas cidades, pessoas de vinte e poucos anos que tinham uma mesma maneira de olhar e vivenciar o amor livre. Todos eles já haviam se relacionado com pessoas do sexo oposto e do mesmo sexo e não usavam mais a palavra homossexual, gay ou lésbica. Eles já sacaram que o casamento é uma instituição falida e que buscam outras formas de poder se relacionar amorosamente, afetivamente, sem precisar cair nos mesmo erros das gerações anteriores. Essa música foi feita para essa geração bromântica. Essa palavra vem do inglês bromantic (brother+romantic). Eu abrasileirei ela.

– A música digital está aí e veio pra ficar. Seja através do streaming ou do download, não há mais como isso não fazer parte do dia-a-dia. A disponibilidade de download gratuito de álbuns em diversas plataformas é uma realidade que abala as estruturas convencionais. Artista e usuário – outrora fã – têm experiências distintas, não é?

Olha, como usuário, acho o serviço de streaming ótimo; já como artista, acho uma merda. Eles são uma imensa caixa preta e pagam muito mal os artistas. A lei brasileira tem que agir fortemente contra isso, porque conseguem ser piores do que eram as gravadoras. Inclusive, as gravadoras estão comprando uma parte dessas empresas e oferecendo seu catálogo em troca de benefícios. Depois de anos, descobriram que era melhor se associar a eles do que ficar brigando na justiça. Então, para os artistas ficou pior ainda, porque você precisa lutar contra as velhas gravadoras e o novo serviço digital de música.

O CD parece estar mais para portfolio do artista que produto de consumo. Por fim, parecendo andar contra a corrente, ressurgem o vinil, a fita cassete e as técnicas analógicas de gravação. Será o fim do CD? É ficção científica ou pura nostalgia?

O vinil, de fato é uma esperança, pois não cai na malha digital, então é uma venda direta para o seu público e com remuneração total. E, ano passado, a venda de vinil nos EUA foi maior que toda a venda de streaming junta. CD já era faz tempo! Depois da digitalização da música ele perdeu completamente o sentido. Os novos computadores nem têm mais aquela bandeja para colocar o CD. Você vai ouvir onde? No streaming.

– Vivemos a era do empreendedorismo e a música independente embarcou forte nessa onda, até porque não tem como gerenciar a carreira, produzir álbum, show e turnê sem estar a par do que está acontecendo ao seu redor. No entanto, isso não quer dizer que tem que fazer sozinho. Tudo acontece muito rápido com a internet e não há como (nem porque) fugir dela. Todo e qualquer passo precisa ser planejado, seja o lançamento do álbum, o projeto do financiamento coletivo pra turnê no interior do estado, a inscrição em um edital de cultura, a participação em um canal do Youtube, etc. E tudo isso é muito positivo no que diz respeito à construção do artista para o mercado musical. Há quem ache que o artista perde a atenção para com a criatividade e a performance. Como você enfrenta o dia-a-dia de ser artista independente dentro da realidade nacional? Você se considera um empreendedor?

Totalmente. Diria que mais do que isso eu aprendi na prática a ter prazer em ser administrador da minha carreira junto com minha empresária e minha equipe. Porque com todas as mudanças que vivemos hoje, nessa velocidade, você precisa ser muito criativo na parte empreendedora também. Se transforma numa parte artística, entende?

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