CLUBE  •  PIXEL SHOW  •  AGENDA  •  FEIRA

Lollapalooza Brasil 2015: com astros do rock e da música eletrônica, festival se afirma como marca

Nos dias 28 e 29 de março rolaram as atrações da edição 2015 do Festival Lollapalooza no Brasil. Nossos colaboradores Luiz Felix e Suzanne Tanoue falaram da impressão que tiveram do evento que aconteceu em Interlagos (SP).

As fotos incríveis foram tiradas pela equipe do ihateflash. Confira!

Apesar de mais vazia do que nos anos anteriores, a quarta edição do festival Lollapalooza no Brasil consolidou o evento como um dos mais importantes da música em nosso país. As cerca de 130 mil pessoas presentes no Autódromo de Interlagos no último fim de semana tiveram a oportunidade de assistir às performances de dinossauros do rock, de revelações nacionais, de astros da tão prestigiada EDM (Electronic Dance Music), de grandes nomes do indie e de tantos outros gêneros inclassificáveis e igualmente celebrados.
dia1_lolla_set-115dia1_lolla_set-24

No sábado (28), o sol ameno e a Banda do Mar (formada pelo casal Mallu Magalhães e Marcelo Camelo e pelo baterista português Fred Ferreira) trouxeram mais cedo ao Palco Skol o público, que empunhou balões azuis enquanto cantava empolgado as músicas dos Los Hermanos e da cantora paulistana. Momentos mais tarde, no mesmo palco, o trio Alt-J selou com maestria sua primeira passagem pelo Brasil.

dia1_lolla_set-63

Misturando bases eletrônicas e um rock mais sombrio, a banda (que fez um show sold out em São Paulo no dia anterior) entoou hits de seus dois discos, como “Left Hand Free”, “Breezeblocks” e “Matilda”. Ao entardecer, no Palco Onix, os britânicos do Kasabian fizeram um dos shows mais animados do festival. Liderada pelo vocalista Tom Meighan e animada pelo guitarrista Sergio Pizzorno, a multidão cantou e pulou junto com a banda do começo ao fim da uma hora de show – o que rendeu elogios do frontman (sempre tão econômico nas declarações de amor ao público) logo após “Empire”: “São Paulo, you’re an empire!”.

dia1_lolla_set-147

O primeiro dia de festival foi marcado pela ausência de Marina and The Diamonds. Uma das atrações mais esperadas pelo público, a cantora teve de cancelar sua apresentação no Lollapalooza por problemas com o voo de Nova York a São Paulo, suspenso após 12 horas de espera. Ainda assim, a noite de sábado não deixou a desejar: a música eletrônica teve seu lugar no palco Onix, com o dubstep de Skrillex colocando uma multidão para dançar e também no Palco Perry, destinado a esse gênero, com o Major Lazer, projeto do DJ americano Diplo (que já produziu artistas como Madonna e Katy Perry).

dia1_lolla_set-212

Robert Plant, um dos maiores nomes da história do rock, se apresentou no Palco Skol com os Sensational Space Shifters, banda que o acompanha nos shows. O dono de uma das vozes mais icônicas da música embalou um público jovem, que, mesmo vestindo camisetas da banda, não sabia cantar nenhuma música do Led Zeppelin. Fechando a noite, a banda indie-pop-teen Bastille arrancou lágrimas e gritos dos adolescentes que lotavam o Palco Axe enquanto Jack White fazia um dos melhores shows do festival, consolidando-se como cantor, compositor, guitarrista e frontman. Atemporal, tocou músicas de sua carreira solo, dos White Stripes e dos Raconteurs, além de covers de Elvis Presley e Gene Vincent.

dia1_lolla_set-228

No domingo (29), nem a chuva, nem o cansaço e nem o caminho íngreme da estação de trem até o Autódromo de Interlagos afastaram os fãs que ansiavam pelas grandes atrações do dia, como Pharrell Williams, Calvin Harris e Smashing Pumpkins. Notadamente menos alternativo (talvez pelas capas de chuva que escondiam os looks escolhidos especialmente para a ocasião ou pelos artistas mais mainstream que encabeçavam o line-up), o público assistiu aos brasileiros da Scalene, da Far From Alaska, do Mombojó e, mais tarde, da baiana Pitty, que demonstrou um som mais maduro e pesado em sua apresentação.

dia2_lolla_set-229

Acostumados aos os clubes fechados e noturnos, os nova-iorquinos do Interpol fizeram um show eficiente e pragmático que – na medida do possível – animou o público em plena luz do dia. Por sorte, a chuva deu o ar de sua graça e ditou o clima mais adequado ao som da banda, que prezou pelas músicas de seu cultuado disco de estreia (Turn On The Bright Lights, de 2002). A sobriedade foi quebrada pelos sorrisos frequentes do guitarrista Daniel Kessler, que parecia contente em ver as primeiras filas cantando cada palavra da maioria das músicas do setlist.

dia2_lolla_set-183

No Palco Onix, os cabeludos do The Kooks encantaram o público majoritariamente formado por meninas. Em plena transição, com seu novo disco “Listen” (2014), a banda não deixou de executar os maiores hits dos primeiros álbuns, como as acústicas “Seaside” e “She Moves In Her Own Way” (Inside In/Inside Out, 2006). Ao fim da apresentação, a mesma audiência migrou para o Palco Skol para o show de uma banda já conhecida pelos frequentadores do Lollapalooza Brasil. A banda Foster The People (que já havia se apresentado na primeira edição do festival, em 2012) trouxe aos fãs os hits dançantes de seu último disco, “Supermodel” (2014) sem deixar de lado os maiores sucessos do álbum anterior (Torches, de 2011), como Pumped Up Kicks, Houdini e Helena Beat.

A plateia foi transformada em pista de dança. Quem também fez do festival uma grande balada (menos indie, mais comercial, a bem da verdade) foi Calvin Harris. Quem não conhecia muito o trabalho do DJ descobriu de onde vinham e de quem eram as músicas ouvidas na academia, no rádio e nas festas de formatura. Quem não quis acompanhar a grande festa promovida por Calvin Harris teve a oportunidade de assistir ao show mais alternativo da banda californiana Young The Giant. Pouco conhecido no Brasil, o grupo liderado pelo performático vocalista Sameer Gadhia conquistou a pequena audiência que se aglomerou em frente ao Palco Axe por sua eficiência e pela beleza da apresentação.

dia2_lolla_set-188

dia2_lolla_set-118

Os últimos shows da noite testaram a capacidade do festival: haveria pessoas o suficiente para lotar os três headliners? No Palco Perry, o veterano Steve Aoki embalou os aficionados por música eletrônica, enquanto os Smashing Pumpkins se redimiam de sua última e apagada apresentação em solo brasileiro (no extinto Planeta Terra Festival, em 2010) com um show muito mais dinâmico, recheado de hits e com a banda reformada. No Palco Skol, Pharrell Williams se firmou como um dos maiores (se não o maior) nomes da música pop mundial. Colocou fãs no palco, deu espaço às dançarinas que o acompanharam durante toda apresentação e emendou sucesso atrás de sucesso. Encerrou a quarta edição do festival com destreza.

dia2_lolla_set-208

Não é em todo festival em que temos a oportunidade de estender uma canga na grama e apreciar um show. Nesse aspecto, o Lollapalooza ganha pontos por promover como nenhum outro um clima favorável à tranquilidade, ao carpe diem. No entanto, os preços abusivos de comidas e bebidas (cerveja a R$10, por exemplo) e os cancelamentos (Marina and the Diamonds e SBTRKT) sem reembolso e a falta de ineditismo de peso foram as grandes reclamações dos pagantes. Em 2015, o Lollapalooza se reafirmou como marca. Foi um evento feito não para os fãs de música, mas para os entusiastas de festivais.

dia2_lolla_set-186

Compartilhe via...

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn