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Lia Fenix
São Paulo, SP

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Lia, apresente-se para nossos leitores. Quantos anos tem? Há quantos pinta? Possui algum estudo formal, na área?

Olá a todos! Meu nome é Lia, tenho 27 anos, sou professora e ilustradora; a maioria das pessoas acha que meu nome não é este, mas me chamo Lia mesmo.
Sou formada em Artes Plásticas, sempre desenhei e há seis anos fui apresentada ao graffiti, pelo qual me apaixonei completamente! Nunca fui muito dos pinceis, e sim mais das canetas e lápis de cores; o graffiti me mostrou a mesma versatilidade dos outros materiais com os quais estava acostumada, em proporções bem maiores! E isso me encantou de imediato! Além da possibilidade de mostrar meu trabalho que sempre ficava dentro dos meus cadernos só para mim em casa.

[Zupi] Seus desenhos podem ser encontrados pelas ruas ou em telas. Qual deles marcou o início de sua produção? Acredita que algum deles oferece melhor suporte para seu estilo de pintura?

As ilustrações em papel com certeza são o início do meu trabalho, adoro papel, (risos) mas não saberia dizer se meu trabalho é mais papel ou rua porque depois que descobri o graffti os dois lados andam de mãos dadas, viraram uma coisa só…

[Zupi] Suas ilustrações são geralmente protagonizadas por mulheres. Acredita que a opção por um temática seja importante na construção do estilo de um artista?

Bom… isso é bem particular, acho que cada artista tenha de certa forma uma temática; às vezes ela não é explicita, mas sempre há alguma, mesmo que inconsciente.
No meu caso é o gosto pela anatomia feminina que me leva a fazer com que as mulheres sejam as protagonistas das minhas obras, não sei desenhar figuras masculinas (risos). Além disso, também gosto muito das possibilidades das formas femininas, o corpo é mais delicado e orgânico, o que me permite a sutileza dos gestos e ao mesmo tempo uma “agressividade” encoberta por mãos leves, cabelos arrumados e maquiagem.
Acredito que mais importante que um tema seja o gesto – você reconhece um artista pelo traço, pelas cores, pelas formas… não apenas pelo tema.

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[Zupi] Suas personagens são inspiradas ou refletem pessoas reais (de repente um pouco de você, também)?

Muita gente diz que minhas personagens têm MUITO a ver comigo…, o que não é de todo mentira; acabo sempre colocando alguma coisa minha nelas, seja a nostalgia de um tempo como a infância, por exemplo, ou ainda questões mais pessoais que afloram quando estou desenhando, mas sempre busco referências em fotos interessantes sem me prender apenas nelas, utilizando-as mais com a intenção de captar a forma, mesmo. Acho que minhas personagens refletem e se inspiram nessa atmosfera de essência saudosista, de circo e mágicas infantis impossíveis, mais ou menos como as que vivem a Alice no País das Maravilhas (risos).

[Zupi] Notamos que na maioria das vezes suas moças estão com os olhos fechados. Algum motivo especial, para isso?

Se um psicólogo analisasse meus trabalhos com certeza teria todo um discurso lírico sobre isso, mas não, não há motivo algum para os olhos fechados, só questões estéticas mesmo, as vezes até faço os olhos abertos, mas não consigo gostar, não sei o motivo, acho que fica meio inexpressivo por incrível que pareça !

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[Zupi] Em relação aos seus desenhos feitos nas ruas, a escolha dos locais ocorre de modo aleatório ou existe algum critério de onde realizá-lo?

Não; geralmente pinto onde posso ou onde sou convidada. De preferência com meus amigos e amigas. Não gosto muito de pintar sozinha.

[Zupi] O Painel que você desenhou para o Pixel Show 2009 era decorado por diversos gatos. É esse o seu animal preferido?

Não e sim, eu amo animais! sou completamente apaixonada por eles! Cheguei até mesmo prestar Veterinária na época dos vestibulares! Andei muito tempo à cavalo, um animal maravilhoso por sinal! Tive uma égua que era o amor da minha vida, tenho um cachorro que fica na casa dos meus pais e acha que é gente, no auge dos seus 15 anos! E tenho uma gatinha na minha casa, ela é muito charmosa, toda flexível e posuda (risos)! Acho os gatos animais extremamente sensuais; eles são plásticos, delicados, interessantes… o gato é um ótimo bicho pra se desenhar, a anatomia deles permite qualquer posição sem ficar estranho, são uns “paninhos”,  por isso gosto de desenhá-los. Mas lógico que também tem a questão de identificação.

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[Zupi] Entre suas maiores influências estão quais nomes femininos? E masculinos?

Sou fã de carteirinha da Frida Khalo! Ela é maravilhosa! Mas não a considero uma influência, há uma ilustradora e graffiteira espanhola chamada Rabodiga que sim, ela poderia ser citada como uma influência feminina dentro dos meus trabalhos. O traço dela é delicado, as personagens charmosas, a noção anatômica perfeita! Ela sabe muito bem como usar as cores, em resumo, é muito boa mesmo naquilo que faz! Os trabalhos dela são magníficos! O acabamento, sem palavras!
Quanto a um nome masculino com certeza meu tio, Reynaldo. Ele é vitralista. Fui criada com ele até os seis anos de idade – pode parecer pouco tempo, mas foi ele que me iniciou no meio das Artes Plásticas. Nossos traços são bem semelhantes, aprendi a desenhar com ele e em muita coisa que eu faço hoje percebo nitidamente a influência dele, as linhas sinuosas, a figura humana mais alongada, coisas que “herdei” com ele.

[Zupi] Seus trabalhos são geralmente adjetivados como suaves e delicados. Acredita que essa seja uma característica comum à maioria da produção de arte urbana feminina?

Não, não acho; na verdade nem saberia como adjetivar os graffitis femininos. São tão diversos estilos e personalidades que os realizam, que fazem com que a produção artística neste meio se diferencie enormemente de artista pra artista, alguns de meus próprios desenhos eu não adjetivaria como suaves; delicados, sim.

[Zupi] Conte um pouco sobre a sua série freak ups. Por que a escolha das personagens sem rosto e das máscaras?

Nossa, essa série foi muito legal de realizar, embora a maioria das pessoas não entendesse (risos).
A ideia era mostrar a falta de conteúdo nas mulheres-objetos, apenas corpo, onde a personalidade não importa. Era uma coisa bem protesto mesmo – eu desenhava as mulheres de madeira, como aqueles manequins de studio gráfico e depois de colocar uma “personalidade” nelas, no caso freaks girls, eu retirava a identidade do rosto e jogava uma máscara em algum lugar, como se pra sociedade não se importasse com quem é você e sim com o que você parece ser. E pra isso me utilizei muito da estética das pin ups e das freaks girls, que é um estilo estético que me agrada muito e engana, pois a pin up mostra “sem querer” e por isso era aceita no entre guerras; a freak é vista como estranha na sociedade atual…. mas se observarmos bem as duas são a mesma mulher… atrevidas e interessantes.
Gosto muito de tattoo e piercing, então procurei colocar um pouco deste universo na serie das freak ups.

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[Zupi] Por fim, como seria um autorretrato seu?

Risos… nunca consegui fazer um autoretrato, acho que seria uma mistura das minhas personagens atuais com um pouco da essência das minhas freaks, e uma boa dose do nonsense de Alice no País das Maravilhas.
Sou uma mistura de tantas coisas que acho impossível me descrever de forma satisfatória, por isso resolvi fazer um desenho! Só posso dizer com certeza que sou a Lia (risos).

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