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Leleskines, os Moleskines Apócrifos de Carlos Paboudjian

Todos os dias, somos bombardeados por um sem-número de imagens que chegam até nós das mais variadas maneiras. O pesquisador Norval Baitello Junior chamou esse excesso de referências de iconofagia: o processo em que ou somos devorados pelas imagens, ou elas nos devoram.

O carioca Carlos Paboudjian não só devorou as imagens como também as dominou e juntou tudo nos Leleskines. Nascido e criado no Rio de Janeiro (e atualmente morando em São Paulo), o designer de produto por formação e diretor de arte por profissão montou essa série (que até agora conta com três volumes) onde faz ilustrações, colagens e o que mais lhe der na telha nos sketchbooks.

De Nietzsche ao skateboard (uma de suas grandes influências), suas referências são incontáveis. Os Moleskines Apócrifos (em tempo: “apócrifo”, na literatura, significa “de origem desconhecida”, “de autor desconhecido”. Os Livros Apócrifos  foram os textos deixados de fora da bíblia) reúnem – de maneira bem escrachada e – ainda bem! – sem pudor, os trabalhos de Carlos, com quem conversamos.

Confira a entrevista e abra as páginas desses cadernos!

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Como surgiu a ideia do Leleskine?

Comecei usando o Moleskine, lógico que pela qualidade do caderno em si, mas muito também pelo tamanho dele e a dinâmica que isso possibilita. Quando terminei o primeiro, fui mostrando pros amigos e alguns gostaram bastante, até porque muito do conteúdo vem da convivência com eles. Então comecei a produzir mais e decidi por tudo online. A gracinha com o nome, foi de um amigo, Thiago Fernandes, que comentou isso em um dos desenhos “Leleskine!” (Moleskine + Lelesk). Achei engraçado. E fica mais ainda com uma cruz invertida na capa no caderno.

Suas inspirações vão de Nietzsche ao McDonald’s, passando por uma gama de assuntos que não dá pra colocar numa categoria só. Como funciona o processo de criação?

É realmente bem plural, eu tenho uma certa dificuldade em dizer em que categoria está. Como diria o fera, “É preciso muito caos interior para parir uma estrela que dança”. Mas antes de tudo é um espaço experimental para testar materiais, tintas, lápis, sujeiras, colagens, recortes, escrever, fazer desenhos mais realistas, rabiscos de criança…. Ali eu posso ver como fica e claro a partir disso minha linguagem vai fluindo de modo mais orgânico e as coisas vão surgindo e se misturando, com desapego de processos. Se eu errar, foda-se, colo alguma parada por cima e foi. São fragmentos de horas e horas de convivência e conversas de alta qualidade com meus melhores amigos, leituras, filosofia, viagens, experiências em geral.

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A página onde você divulga os Moleskines Apócrifos já recebeu acessos de 47 países e 163 cidades diferentes até agora. Rola um contato com o pessoal lá de fora?

Isso realmente foi uma surpresa que eu ainda estou tentando entender. Eu tenho vários amigos lá fora mas até a grande maioria dessas cidades eu não tenho a mínima ideia de como chegou. Batumi, Sevastopol, Vologda, Suwon-si, Algumas eu até dou um Google pra conhecer mais. Espero que renda bons frutos e que eu possa interagir com isso de alguma forma.

A temática do Leleskine envolve assuntos, de certa forma, “polêmicos”. Você já sofreu algum tipo de “censura” por isso?

Realmente tem gente que não gosta, se sente ofendido de alguma forma, mas essas mesmas pessoas teriam a mesma postura em diálogos sobre esses mesmos assuntos, comigo ou com pessoas que pensam de maneira semelhante, então, acho normal. Censura mesmo, só o desenho/bullying de um amigo, que pediu pra tirar da página (dei uma rabiscada no rosto. Continuo te amando, cara!) e minha mãe que fala que eu passo dos limites as vezes. Até o Mark Zuckerberg libera desenho de putaria no Facebook.

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Onde você gostaria de chegar com o projeto? E quais são os próximos passos do Leleskine?

Eu quero atingir o máximo de lugares, culturas e pessoas possíveis, que de alguma forma inspire mais pessoas a se expressarem, a tirar o que tem dentro da cabeça, seja uma frase, um rabisco, um… “acho que consigo desenhar uma porra dessa”, ou um… “isso ia ficar MUITO engraçado!”, “até eu faço uma merda dessa”… Em um Moleskine, na parede, na mesa da escola, no banheiro do bar…

Os próximos passos: Continuar criando com a mesma intenção e ao mesmo tempo, organizando e buscando um jeito de expor isso fora da internet também.

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Veja os volumes completos na página oficial do Leleskine.

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