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Joana Lira
São Paulo, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Como foi sua trajetória no mercado de trabalho?

Comecei estampando tecido à mão no ateliê da minha mãe com 17 anos. Foi no mesmo ano em que comecei cursar Design Gráfico pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), em Recife. Depois passei a trabalhar com objetos utilitários pintando porcelana. Fiz minha primeira exposição individual de pintura sobre tela no ano que me formei como designer. Fui convidada para fazer cenários, ilustrações e brindes. Em 1999, mudei para SãoPaulo, onde comecei a ilustrar livros e revistas. Também fiz mais um cenário para uma peça de teatro. Dois anos depois, fui convidada pelo Prefeito de Recife João Paulo Lima e Silva para fazer a cenografia do carnaval da cidade. Outro trabalho que me abriu muitas portas: campanhas publicitárias, brindes para multinacionais, ilustrações para produtos diversos, criação de objetos etc.

[Zupi] Como foi sua experiência com exposições?

Em 1997, fiz minha primeira e única individual em Recife, intitulada Bichos Aloprados. Ela me trouxe muitos trabalhos e me fez sair um pouco do aspecto funcional do design. Senti que estava mais livre. Desde 2005 participo da exposição itinerante Ilustrando em Revista, organizada pela Editora Abril. E em 2006 participei do Designmai, na Alemanha, com a cenografia do carnaval de Recife.

[Zupi] Quais as técnicas que utiliza nos seus trabalhos?

Faço a técnica que for necessária, mesmo que tenha que aprendê-la. O desafio, apesar de me causar muita angústia no início de um trabalho, sempre é saudável com o alívio do fim. Atualmente gosto de caneta nanquim, tinta acrílica, papel canson, pigmento, tablet, photoshop e coreldraw. Sou do tempo do ronconcon na era digital. Tenho preguiça mesmo. O que termina definindo muito meu traço.

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[Zupi] Como é o trabalho do designer no desenvolvimento da identidade de uma festa popular como o Carnaval? Quais os desafios?

É um trabalho incrível! Super gratificante, mas tem que ter raça. A impressão é que você tem um poder enorme, pois “brinca” com a cara da cidade. Mas ao mesmo tempo há muitas limitações e desafios: precisa agradar e comunicar a todos; as peças além de cumprir sua função de decorar e informar, precisam resistir a vento, chuva e sol; não pode haver dano ao patrimônio histórico, nem pôr em risco a segurança das pessoas. Hoje em dia, depois de oito anos que já fazemos o projeto é muito mais fácil. Já deu para ter um bom aprendizado.

[Zupi] Como você define seu estilo? Quais são as fontes de inspiração?

Acho meu desenho totalmente brasileiro. Sou de Recife. Tenho orgulho da minha cultura. Sempre convivi com o artesanato, os cordéis, a arte armorial. Até hoje me sinto seduzida por esta linguagem forte. Procuro passar um desenho carregado de da cultura de nosso país. Não fico pensando em conceitos para cada trabalho que faço. Acho que já faz parte da minha linguagem gráfica. Minhas principais fontes de inspiração até hoje foram: meus pais que são arquitetos, Petrônio Cunha (artista gráfico olindense e meu ex-padrasto), Keith Haring, Niki de Saint Phale, e os “basicões” maravilhosos Picasso e Matisse.

[Zupi] Atualmente, o que você tem feito na área?

Sempre faço muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Isso é um pouco insano, gosto assim. Acabei de ilustrar mais um livro infantil. Estou prestes a entregar quatro trabalhos por estes dias: uma estampa de sandália, uma ilustração aplicada em sacolas de brinde para uma empresa, ilustrações de um guia de turismo e um desenho de etiqueta para embalagem de pão.

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[Zupi] Qual o tipo de mídia que você tem maior prazer em ilustrar (cartazes, revistas, web etc.)?

Meu maior prazer é fazer coisas diferentes. Detesto me prender a mesma mídia todo tempo. Faço todos os trabalhos com muito prazer, seja ele livre ou a partir de alguma definição. Mas tema livre é sempre ótimo, não é? Estou com um projeto super especial de um livro e uma exposição sobre o trabalho que desenvolvo há oito anos com a cenografia do carnaval de Recife. A idéia é lançar ainda este ano. Espero conseguir. Estou me busca de patrocinadores (alguém se habilita?). Fora isso, tenho um projeto de pintura e desenhos que desenvolvo desde 2000 sobre o universo feminino.

[Zupi] O que você ainda espera realizar na área?

Gostaria muito de conseguir viabilizar o livro e a exposição do projeto do carnaval e mais para frente uma exposição individual com o Universo Feminino. Vamos ver se dá.

[Zupi] De que trabalho você sente mais orgulho em ter realizado?

O trabalho que consegui mais visibilidade é sem dúvida o da cenografia do carnaval de Recife pela grandeza do projeto. Muito gratificante! Mas tenho orgulho de tudo que já fiz. Não tenho preconceitos. Gosto mesmo é de ver a coisa pronta, em uso, na rua.

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[Zupi] Qual a sua visão a respeito do mercado do design hoje?

O mercado atual tem muito profissionais bons, mas acredito que também tem muitas oportunidades. Quem é competente e persistente acha espaço em qualquer mercado. Espero que a área cresça mais no Brasil, junto com as oportunidades e o valor do desenho.

[Zupi] Quais são as dicas para quem está entrando no mercado agora?

O importante é ter uma linguagem gráfica própria e muita confiança no trabalho. Isso facilita bastante na hora de apresentar e negociar um trabalho. Tem que “pôr a cara para bater mesmo”.

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