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 Gustavo Brigante é um designer gráfico e ilustrador de Buenos Aires, Argentina. Sendo autodidata, ele diz que gosta de fazer com que as dificuldades se tornem desafios e, desse modo, nunca deixa de aprender novas coisas e ter novas possibilidades. Considerando a paciência o maior instrumento para se ter sucesso, ele nos conta um pouco sobre como começou e quais são as melhores e “piores” partes de seu trabalho. Confira:

Como você se interessou pela arte?

Eu acho que meu primeiro interesse pela arte veio do meu pai. Ele me fez ler coisas magníficas quando criança que me formaram durante minha vida e são basicamente o que me levaram a ser o que eu quis ser. Eu me lembro especialmente da revista Metal Hurlant, uma revista futurística francesa, Lucky Luke, Heavy Metal (tanto a revista quanto o filme onde eu pude conhecer ótimos músicos), quadrinhos do The Pulp Dick Tracy e filmes como Brazil, Bladerunner ou Baron Munchausen.. a lista é bem longa então eu não vou entediar vocês com tudo :) .

Mas anos depois do meu interesse por arte ter aparecido, eu também achei o design através da evolução das minhas leituras e de influências relacionadas à minha infância.

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Você é autodidata em todas as áreas em que trabalha. Como você conseguiu aprender todas as coisas sobre elas e você acredita que qualquer pessoa pode aprender também?

Eu acho que é porque eu sou um pouco doido, no sentido de que eu preciso desenvolver uma estrutura de mente para mim mesmo para não desistir quando as circunstâncias fossem difíceis e eu não estivesse conseguindo dinheiro através do que fazia. Eu acredito que a maioria das pessoas têm uma voz em sua cabeça que diz “Desista, você não é bom nisso, outras pessoas estão fazendo isso e você não, faça outra coisa”, e se deixar levar por essa voz é, certamente, o que te faz parar. Mas eu comecei a ignorar essa voz, ou qualquer outra voz que viesse de fora que me desse “conselhos” que não fossem meus objetivos. Simplesmente continuei praticando, melhorando e trabalhando duro, mesmo quando ninguém acreditava que eu poderia fazer o que eu queria.

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De onde surgiu a ideia de fazer manipulações/ilustrações?

Eu sou um grande leitor de quadrinhos, e nos anos 90 eu me interessei especialmente pelo trabalho do Dave Mckean, o artista que fez todas as capas do Sandman, e também muitas artes na área da música. Quando comprei o livro sobre o trabalho do McKean, eu estava totalmente longe da ideia de ser um designer ou um artista visual, porque eu achava que você precisava ter computadores muito bons para isso. Mas aí eu descobri que ele usava um computador quase igual ao meu e fazia coisas magníficas. Aí eu decidi que era hora de aprender como usar essas poderosas ferramentas gráficas, então eu comprei o Photoshop 3!

Quanto ao desenho, eu rabisquei minha vida inteira, mas de algum modo entre os 13 anos aos 21 anos eu simplesmente não fiz mais muitos desenhos. Foi só quando eu me tornei um designer que eu senti uma necessidade de usar meus pincéis e voltar a praticar. Mas agora eu praticava com novas ferramentas e também com mais paciência para sentar e aprender técnicas diferentes.

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Quais são as suas influências e o que te inspira?

Como eu disse em uma pergunta anterior, minhas primeiras influências ainda estão incorporadas e modernizadas nas minhas influências de hoje em dia, mas eu também peguei fontes mais naturais que apenas filmes e mídias em geral. Eu acho que como parte do proceso você começa a ligar menos sobre receber influências de outras artes e você começa a se influenciar mais por coisas ao seu redor, o passado e o futuro do seu redor, e como aquilo afeta ou pode afetar a cultura em qualquer um desses tempos. Esse é um pensamento do processo em que eu sempre penso. Não que eu racionalize exatamente desse jeito, mas é quase isso. Eu também aprendo muito vendo a natureza, suas formas e diversas variações são uma ótima maneira de internalizar e observar.

Quais são as principais dificuldades do seu trabalho?

As dificuldades, na maioria das vezes, vem das áreas artísticas não serem tão reconhecidas e nem levadas a sério ainda no nosso continente, e também uma falta de regras sobre design e artistas em geral para desenvolver melhores condições de trabalho e também de pagamento. Outra dificuldade dessa profissão é quando as pessoas super analisam designers e tentam simplesmente usá-los como uma “ferramenta” para suas ideias, o que, em minha opinião, é um pouco rude, e é um paradigma que nós deveríamos poder mudar, não tendo medo de dizer ao cliente quando ele está errado. Dizer sim para tudo não é a tarefa de um designer, mas sim dar uma solução de um problema para o cliente/chefe.

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O que você considera como um obstáculo no processo de fazer design gráfico e composições digitais?

Eu acho que o maior obstáculo (para chamar isso de alguma forma) é não esquecer boas ideias. Às vezes você pode ter uma ótima ideia mas se você não trabalhar nela o bastante no tempo em que você teve o pensamento inicial, você não estará mais tão limpo em seu rascunho e dá próxima vez que você for olhar você vai esquecer o pensamento inicial e provavelmente só se lembrará de coisas vagas de como era.

Na maioria das vezes que eu posso, eu tento reverter os obstáculos em desafios. Eu lembro que um grande obstáculo para mim foi o jeito como a luz afeta a matéria, então a frustração disso me fez estudar bastante e também observar e contemplar como a luz afeta a vida, no exterior, e em suas variações em diferentes circunstâncias.

Que ferramentas você usa para desenvolver o seu trabalho?

Eu uso principalmente o lápis, marcadores Rotring, meu sketchbook, um PC i7 que eu construi para trabalho, onde uso photoshop, illustrator, cinema 4D, e eu também estou aprendendo Nuke no momento, porém é uma ferramenta muito complexa que precisa de muito estudo e prática para alcançar os resultados esperados.

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Qual é a melhor parte de seu trabalho?

Poder ter horas de trabalho flexíveis, que me permite fazer outras atividades que eu também gosto muito, e também me permite ficar mais tempo com pessoas que eu me importo, e com meus cachorros. Mesmo que muitas vezes eu acabe trabalhando mais do que em qualquer outro tipo de trabalho! Mas eu tento trabalhar somente nas horas regulares agora, das 10:30 às 18:30hrs.

Como você começa a criar? E quais são as principais coisas que precisam ser feitas antes de acabar o processo?

Eu não consegueria te dizer como eu começo, algumas vezes é só uma coisa inconsciente, ou só começa com uma forma inicial, que pode acabar em qualquer coisa. Ou tem a maneira mais planejada, onde eu desenho algumas vezes e então seleciono a direção que vou antes de ir para a parte digital e de vetores, e às vezes eu uso o photoshop ou cinema 4d depois.

No trabalho de composição o processo varia um pouco, e aí tem um pequeno rascunho mas também tem um outro level de rascunho onde você coloca coisas em cima da cena para descubrir a composição, antes de você começar a fazer as camadas e efeitos.

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Você tenta transmitir alguma mensagem com o seu trabalho?

Sim. Eu acho que às vezes eu faço isso de forma mais consciente, e outras vezes eu inconscientemente faço coisas em meu trabalho que provavelmente estão na minha mente, e levo muito tempo para perceber depois que terminei o trabalho. Eu realmente não sou o melhor em descrever o que faço, mas eu gosto de como as pessoas veem e o feedback é muito importante para mim, uma vez que eu não faço nada que eu não queira compartilhar e eu acho que a interação hoje em dia é fantástica para nós. No passado isso era impensável, então eu dou boas vindas a essa época.

Você poderia nos dar conselhos sobre como ter sucesso na área em que você atua?

Eu estaria mentindo se te dissesse que existe um método para fazer o que eu faço. A única coisa que eu sei é que você não deve esperar que alguém venha correndo até você quando está começando. Só trabalhe e tente melhorar o tempo todo e as coisas vão eventualmente se encaixar. Acho que a parte mais difícil é se dar conta de que a paciência é como um músculo, você não pode querer tê-la em duas semanas, você precisa aprender a construí-la, mas, mais importante, você precisa perceber e aceitar o fato de que você pode exercitá-la e fazê-la crescer dia após dia, até que um dia você percebe que pode gastar um dia inteiro trabalhando na sua arte sem se dar conta, ou gastando horas assistindo um tutorial sem precisar de ninguém ao seu lado para te mandar parar de ver. Mas principalmente porque a paciência te leva a celebrar e amar o conhecimento e você fica grato e feliz por ter uma conexão de internet que te dá acesso a tudo.

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