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Guilherme Sebastiany
São Paulo, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi]Para começar, narre um pouco da sua trajetória profissional.

Descobri minha paixão pelo design, que hoje é minha principal atividade, durante o 3o ano da faculdade, em um exercício de desenho de símbolos e marcas. Mas não foram apenas as possibilidades criativas do desenho que me encantaram, e sim, a responsabilidade que o desenho acarretava ao representar empresas e profissionais. Apesar de ser uma das atividades mais comuns, inerentes a quase todos os designers, é a mais importante e poucos a tratam com a devida seriedade. Sobre o desenho da marca recaem todas as expectativas sobre o posicionamento da identidade empresarial da empresa no mercado. Dificilmente se encontra um designer que não faça ou tenha feito uma marca para algum cliente. Nem todos fazem sites, nem todos trabalham com sinalização, mas todos fazem marcas. No entanto, é comum encontrar marcas de qualidade muito duvidosa em portfólios de empresas que fazem sites maravilhosos.

A interação entre design e arquitetura acabou por me beneficiar no relacionamento com meus clientes, na medida em que estou disponível a resolver um número maior de problemas simultaneamente. Ao atuar com Design Total, consigo responder plenamente às demandas de projeto do cliente, fazendo desde o projeto de sua casa, ao paisagismo de seus espaços de lazer, do layout de seu escritório à sua marca e sinalização.

Esta mesma interação entre disciplinas me possibilitou criar um curso de programação visual, voltado a arquitetos e direcionado à melhoria da apresentação de seus projetos em concursos e exposições. Ensinar é a atividade na qual mais me realizo, e se possível, gostaria de dar aulas em uma faculdade assim que terminar meu mestrado.

[Zupi]Como surgiu a idéia de criar o seu escritório? E como funciona esta estrutura hoje?

Como muitos colegas, ter um negócio próprio com muitos trabalhos também era parte dos meus planos. No entanto, descobri que ter um escritório não significa alugar uma sala, comprar computadores e contratar funcionários. O que realmente compõe um escritório não é o espaço físico, e sim uma carteira de clientes e uma demanda constante de trabalho. Essa demanda determina o tamanho do mesmo, se é um andar inteiro em um edifício comercial, ou um home Office, como no meu caso. Durante muito tempo, via de forma negativa a perspectiva de estar trabalhando em casa. Isso mudou quando descobri que Guto Lacaz, um dos designers cujo trabalho mais admiro, também trabalhava desta forma, e o fazia por opção. Desde então resolvi manter minha estrutura pequena, trabalhando sozinho e dando uma maior atenção aos clientes e seus projetos.

Ainda existe muito preconceito por parte dos empresários em contratar pessoas que não possuam escritórios fixos e que trabalham em casa. Mas essa flexibilização espacial possibilita um maior conforto, o que é essencial no processo criativo, bem como reduzir custos diretos e economizar tempo. Além disto, o cliente prefere sempre que o designer vá ao seu escritório, e não o contrário.

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[Zupi]Quem são os parceiros do escritório?

Estou muito contente com as parcerias que estabeleci nos últimos dois anos. Entre elas estão diversos profissionais com habilidades específicas admiráveis, e empresas que cumprem adequadamente as solicitações executivas dos projetos. Também estabeleci parcerias colaborativas, que são especialmente interessantes na realização de divulgações e captação de projetos. Entre elas eu destacaria a Câmara de Arquitetos e Consultores (https://www.camaradearquitetos.com.br) , onde além de ser professor e consultor, faço toda a direção de arte de sua publicação institucional: a revista Câmara Informa (https://www.camarainforma.com.br). Outra parceria que está em andamento é com o site Click Obras (https://www.clickobras.com), onde serei editor de conteúdo da seção “tudo sobre design”.

[Zupi]Você tem uma equipe de trabalho, sócios?

Não possuo sócios ou estagiários. Quando necessário, devido à um volume de trabalho maior, ou devido à uma necessidade específica, formo parcerias com colegas que atuam da mesma forma, dividindo o trabalho e as responsabilidades. O contrário também ocorre, sendo solicitado por outros profissionais à ajuda-los em determinadas atividades, que fazem parte do meu repertório de trabalho.

[Zupi]Qual o principal diferencial do seu escritório?

Meu diferencial está no atendimento e tratamento dado ao cliente e honestidade no relacionamento comercial. Não tento empurrar para o cliente serviços que ele realmente não precise. Sei ouvir e respeitar as opiniões dos clientes sobre como deve ser a identidade visual de sua empresa, não tenho a menor vaidade em relação a minha criação e considero atentamente todas as opiniões colocadas. Essa parceria com o cliente no processo criativo é essencial ao bom andamento do trabalho. No entanto quando o cliente se encontra equivocado, não tenho receio em contrariá-lo, veementemente se preciso, mas sempre explicando as questões técnicas relativas ao problema em questão, é importante saber diferencial o que em um trabalho é uma imposição técnica, e o que é apenas um preferência pessoal. Nossa responsabilidade para com o cliente não é bajula-lo, mas desenvolver uma identidade adequada e eficiente para sua empresa ao mesmo tempo em que deve atender suas expectativas. O designer que se considera genial e não admite outras opiniões sobre o projeto que desenvolve, provavelmente está equivocado em sua solução formal. Em contra partida o designer que simplesmente acata todos os desejos do cliente, não está cumprindo com as suas responsabilidades, e não consegue garantir a qualidade do trabalho. É preciso compreender que o bom projeto surge sempre na parceria entre o cliente, que é quem mais conhece seu negócio, e o designer, que domina a técnica e o processo criativo.

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[Zupi]Qual é a prioridade quando se trata da criação destes trabalhos?

A prioridade de todo trabalho que realizo é a eficiência do produto ou marca dentro do mercado, executando um estudo técnico apropriado, sem no entanto, deixar de lado o compromisso com os valores de nossa cultura nacional, que em última análise é a Identidade deste nosso pais.

[Zupi]Para exemplificar o seu estilo de trabalho, cite alguns cases de sucesso.

Apesar de não ser meu maior projeto, gosto muito de um caso em particular pelo seu desenvolvimento e resultado. Panetto – Este pequeno restaurante na Vila Olímpia, em São Paulo, foi um dos primeiros trabalhos onde o efeito positivo de uma estratégia adequada de design pôde ser posta em prática e comprovada. Localizado em uma região repleta por outros restaurantes, onde a fidelidade do público à um determinado estabelecimento era quase nula, o desenvolvimento de uma identidade completa, incluindo tanto o desenvolvimento da marca, quanto da sinaliza;cão e material de divulgação, proporcionou um crescimento do número de clientes em uma taxa mais acelerada que o esperado na região. O material de divulgação potencializou também um aumento de 260% no número de deliveries em menos de duas semanas, o que proporcionou o retorno do investimento em apenas oito dias. Somando esta estratégia, uma boa arquitetura (de minha autoria) que criou um ambiente agradável, um bom atendimento e um cardápio variado, o restaurante pode manter um público bastante fiel.

[Zupi]Quais são suas fontes de inspiração?

Não acredito em inspiração, prefiro fazer uso da Transpiração. A idéia de inspiração me faz pensar em uma pessoa brilhante, que de repente tem uma grande idéia revolucionária que soluciona todos os problemas, mas que na verdade é a reprodução fragmentada de repertórios esparsos. Prefiro acreditar que esta solução adequada vem naturalmente na medida em que um trabalho metodológico e correto de pesquisa e experimentação é realizado, abordando por vários ângulos todos os problemas do projeto, sempre seguindo o trinômio recomendado por André Villas Boas (“o que é e o que nunca foi design gráfico” Cap 3 pag. 15, Editora 2AB https://www.2ab.com.br) que divide a metodologia do processo criativo em três etapas: Problematização, concepção e especificação.

[Zupi]Quem são os mestres e artistas nos quais você se inspira ou pelos quais tem admiração?

Reverencio muito os professores da faculdade, pois foram eles que sempre estiveram dispostos a discutir meus trabalhos e me orientar, mesmo após o expediente da faculdade. Viscente Gil, Cauduro, Minoru Naruto, Silvio Ulhoa Cintra e principalmente o professor Haron Cohen, que me introduziu ao mundo responsável do design, e ao professor Issao Minami, que até hoje acompanha a auxilia em meus trabalhos e em minha carreira acadêmica. São estes meus grandes mestres. Devo muito também aos profissionais que em lugar de se preocupar apenas com suas próprias carreiras e em esconder o conhecimento adquirido através de uma extensa atividade profissional resolveram publicá-las e dividi-las, com isso, auxiliando o desenvolvimento dos novos profissionais e a classe profissional como um todo. Entre eles destacaria André Villas Boas, Ana Luisa Escorel e Gilberto Strunck.

Posso até gostar do trabalho de David Carson, e outros profissionais estrangeiros renomados. Mas estes nada fizeram ou contribuíram com minha formação ou com o desenvolvimento do design nacional. Me incomoda a “babação” que os estudantes costumam fazer ao listar estes profissionais sem dar o devido valor aos pioneiros de design nacional (Wollner e Magalhães principalmente) que são os verdadeiros responsáveis pelo inicial desenvolvimento desta profissão no Brasil.

[Zupi]E as tendências, vêm de onde? Onde você pesquisa suas referencias?

Tudo a nossa volta compõem um universo abrangente de experiências visuais e sensoriais. Tudo pode ser considerado repertório, basta saber olhar para nossos espaços públicos e privados e ter discernimento sobre o que está bom e o que pode ser melhorado. Não gosto de tendências. Design nunca deve ser Moda, pois da mesma forma, ficaria defasada como a moda e em pouco tempo careceria de substituição. Tendências são apenas soluções inteligentes que são imitadas em grande quantidade e por isso mesmo perdem sua eficiência. Estes modismos visuais, encontrados principalmente na internet, são altamente prejudiciais. Hoje é muito fácil fazer um site “bonitinho” simplesmente imitando elementos criados por outros ou se apropriando destes modismos. Enquanto alguns destes elementos são mais sutis, outros ficam muito evidentes quando encontramos em grande quantidade, como setas que não levam a lugar algum, textos minúsculos e ilegíveis correndo pela tela, sucessão de pontilhados e retículas e assim por diante. Não que estes elementos sejam ruins, pelo contrário, são muito bons, e por isso mesmo foram copiados em tamanha escala, que fica difícil estabelecer qualquer autoria ou crédito.

O mesmo acontece ao desenho de marcas. Eventuais modismos acarretam um grande número de marcas de desenho similar. Justamente onde o modismo é mais prejudicial. Estes efeitos são decorrentes de péssimos profissionais presentes em nosso mercado. Não estou falando de falta de talento ou falta de conhecimento, mas de preguiça em desenvolver um trabalho metodológico e apropriado. Este efeito é agravado pelo pouco reconhecimento da profissão e sua má remuneração, que gera o binômio: O cliente finge que está pagando e o Designer finge que está trabalhando.

Um trabalho correto de design, depende de uma grande dedicação e estudo. Sem a remuneração correta, esta dedicação fica comprometida.

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[Zupi]Você considera o design um trabalho elitista?

Nosso país, com uma das piores distribuições de renda no panorama internacional, é por sua história e estatísticas um país elitista. Neste sentido tanto o design como a arquitetura estão disponíveis à uma parcela pequena da população. Ainda assim, uma parcela menor ainda contrata os serviços de um arquiteto ou designer, pois não compreende que, ao contratar um bom profissional, está na verdade, fazendo um investimento. Um bom arquiteto, pode realizar um projeto mais econômico, diminuindo os gastos com a construção e que ao mesmo tempo valorize o imóvel em uma revenda. Da mesma forma, um bom designer pode alavancar os lucros de uma empresa, na medida em que contribui com a eficiência de sua imagem. Mas poucos empresários investem em design. Mesmo negócios de pequeno porte possuem capacidade de investimento, mas não o fazem por confundi-lo com custos. Muitas vezes, tive orçamentos para pequenas empresas recusados devido a esta indistinção entre custo e investimento, ao mesmo tempo em que a mesma empresa aprovava um orçamento para confecção de um enorme, feio, ineficiente e desnecessário luminoso, com o dobro do valor cobrado.

Não considero meu serviço como elitista, mesmo porque, a maior parte de meus clientes é composta por pequenas empresas, e mesmo que conquiste clientes maiores e dispostos a grandes investimentos, continuarei a atender os pequenos empreendimentos com a mesma política de preços. Valorizo os pequenos e micro empresários que me procuram, pois estes compreendem o valor do design para o crescimento e sucesso de suas empresas. Em um pais onde 4 entre 5 novos negócios fecham em seu primeiro ano de vida e apenas 1 em cada 10 ultrapassa os 5 anos, posso ficar tranqüilo ao ver meus clientes bem distantes destas estatísticas.

[Zupi]Falta identidade para o design brasileiro?

Realmente falta, mas existem alternativas. A regionalização do design, ao contrário da nacionalização, é mais fácil de ser encontrada. Recentemente tenho visto trabalhos excelentes de alguns designers do norte e nordeste do pais, que buscam na cultura local a identidade de seu design. Esta postura está plenamente de acordo com a multifacetada cultura nacional, da qual todos fazemos parte. No entanto, admito que buscar esta identidade e deixa-la evidente em um trabalho em uma cidade como São Paulo é muito difícil. O caráter brutalista e antropofágico desta megacidade mundial é facilmente expressado na obra de muitos arquitetos e artistas paulistas, mas o design gráfico paulistano ainda se encontra dificuldade em encontrar esta mesma identidade e aplica-la em sua produção. Ao mesmo tempo, como é o centro econômico nacional, o design produzido aqui possui uma qualidade técnica impecável, e seu caráter mundial, permite a sua eficiência em um mercado aberto internacional.

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[Zupi]Você acha que a falta de identidade acaba também dificultando a entrada no mercado de trabalho?

O mercado é tão difícil para o jovem quanto é para os profissionais mais experientes. A dificuldade maior está em educar a sociedade sobre a importância do design não apenas como uma expressão de nossa cultura, mas também como ferramenta eficiente no posicionamento das empresas frente ao consumidor ou cliente. O maior obstáculo que o jovem profissional encontra não está no mercado, mas em si mesmo. Está em saber se relacionar adequadamente com seu cliente, entende-lo e atende-lo de forma adequada.

[[Zupi] – Nesse sentido, como você analisa a presença dos famosos “sobrinhos”?

Não penso mal deles, estão apenas ganhando um trocado honesto para levar suas namoradas ao cinema. Mas devemos compreender que os “sobrinhos” não fazem design, pois apesar de dominarem os programas, não utilizam uma metodologia adequada, não dominam a técnica e principalmente, desconhecem as implicações de seus serviços nos rendimentos da empresa. Mas os “sobrinhos” não são o problema. O problema real está nos “Tios”

[Zupi]Hoje, fala-se muito em regulamentação do Design, a necessidade ou não de formação acadêmica. Como você analisa este campo minado?

Passar por um processo de formação acadêmica sempre é bom, encurta distâncias, acelera o aprendizado e promove muitos contatos. Mas não é o suficiente. Muito se critica as pessoas que estão atuando neste mercado sem a formação adequada, e esta (a reserva de mercado) é a justificativa mais utilizada para se promover a regulamentação do design. No entanto o que mais me preocupa são as pessoas que tem formação acadêmica e desenvolvem um trabalho de baixíssimo nível, pois sua falta de qualidade está legitimada através de um diploma.

A grande vantagem da regulamentação é a obtenção de um maior reconhecimento pela sociedade, o que pode levar à abertura de novos mercados. Mas para ser eficiente a regulamentação deve ser muito mais que um reconhecimento de um curso superior. Deve embutir atribuições e responsabilidades profissionais, um conselho regional, e principalmente um código de ética. Apenas para exemplificar, recentemente recebi um pedido de orçamento para uma marca e seu manual, que acabou por se revelar um orçamento completamente especulativo. Se tratava, na verdade, de um outro profissional fazendo-se passar por um cliente em potencial para descobrir os valores que cobrava, para então, determinar o quanto deveria cobrar por tal serviço. Com um código de ética rígido, tal profissional poderia ter sua licença ou seu diploma caçado.

Vejo sempre muitos estudantes de design defendendo a regulamentação profissional, o que é natural, pois estão lutando por um espaço em seu futuro mercado de trabalho. No entanto, uma regulamentação séria impediria estes mesmos estudantes de exercer a profissão antes da obtenção de seu diploma.

Ao meu ver, a solução mais adequada não é a regulamentação da profissão, mas a criação de uma avaliação de habilidades e conhecimentos, nos moldes do exame de órdem da OAB, que habilitariam ou não a atividade de uma determinada pessoa nesta profissão, independente de sua formação. Apenas os aprovados poderiam assinar projetos gráficos, mas a reprovação não impediria que os mesmos trabalhassem para escritórios ou agências, sem no entanto, assumirem as responsabilidades pelos projetos.

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[Zupi]Para finalizar, liste seus bookmarks na internet.

Meu site pessoal é https://www.meudesign.com.br
Entre meus preferidos estão os sites que oferecem conteúdo, e não somente estética. Listo também os sites onde tenho alguma colaboração ou trabalhos publicado: Design Gráfico, Grito,  
Eyepunh , Arcoweb, Câmara Informa , Mundo do Design https://www.mundododesign.com.br Prêmio Sansung, Funesc, Câmara de Arquitetos, Arquitetura Digital

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