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Glauco Diógenes
São Paulo, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Glauco, quais as técnicas que utiliza nos seus trabalhos?

Inicialmente meu trabalho estava totalmente voltado à utilização de softwares vetoriais, e com um estilo mais limpo e com referências nos cartoons das décadas de 40, 50 e 60, que acho fantástico, absurdos! A partir de uma base, ou raff feito à mão, eu redesenhava e corrigia as imperfeições dos traços e aplicava cores direto no computador. À medida que o tempo foi passando e a complexidade dos projetos aumentando, fui implementando o uso de novas técnicas e adequando ao meu traço. Hoje, utilizo variações de texturas, colagens, fotocomposição com gráficos vetoriais integrados, tinta, lápis de cor, enfim, dependendo da característica procuro utilizar a maior quantidade de recursos disponíveis para cada trabalho.

[Zupi] Como você define seu estilo? Quais são as fontes de inspiração?

Hum. Pergunta difícil. Eu cheguei até a dar um nome: Neo Vetorial Realismo (risos). Mas achei meio brega, embora tenha lógica, pois utilizo princípios do processo de desenvolvimento de arte realista, voltados pra aplicação em vetor com um “mix” de técnicas variadas. Mas não tem bem um nome, se você me ajudar eu coloco (risos). As minhas maiores fontes de inspiração, acredito, sejam as mesmas de outros artistas contemporâneos. Porém, estou “bebendo” muito de fontes clássicas, amo Klimt, Van Gogh, Picasso, Dali, Kandinsky. Além de estudar muito sobre a vanguarda russa, Rodchenko e Klutsis são verdadeiros deuses.

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[Zupi] O seu estilo carrega alguma proposta?

Não necessariamente! Não tenho a pretensão de levantar uma corrente ideológica, política ou mesmo artística ultra inovadora ou revolucionária no meu trabalho. Mesmo por que não acho que eu “tenha” cacife pra isto. Óbvio que fico super feliz e orgulhoso com o reconhecimento e a aceitação que tenho tido nos mais variados mercados e mídias, fora e dentro do Brasil. Mas sei também que é apenas trabalho e que agora mais do que antes vou ter que ralar pra continuar aprendendo cada vez mais e fazendo melhor, para não cair em mesmice ou modismos de estação. Se tem alguma proposta no meu trabalho, posso dizer que é essa: criar um trabalho que não seja refém de tendências e que tenha uma longevidade importante. Para que alguém daqui a 10, 15 anos possa olhar e ainda achar interessante e pertinente.

[Zupi] Você trabalha com diferentes mídias, como design gráfico, ilustração, fotografia e web design. Com qual você mais se identifica?

Boa pergunta! Na verdade eu sou apaixonado por todas e sempre que posso aprendo alguma coisa nova específica de cada área com possibilidade de integração entre elas, para gerar um trabalho mais homogêneo e esteticamente mais apurado. Sou designer gráfico por formação e, modéstia à parte, faço melhor que ilustração, que vejo como um hobby. Sei que invariavelmente dentro de um parâmetro de escolha individual, mais cedo ou mais tarde, vou ter que me definir por apenas uma destas, como principal, para continuar competindo e produzindo para os atuais e potenciais clientes. A única coisa certa é que nos próximos quatro anos, vou estar fora do país desenvolvendo projetos em motion graphics que é um sonho e objetivo antigo que tenho. Quando voltar dependendo de como estiver o mercado brasileiro, pretendo aumentar a capacidade do meu estúdio e montar uma base multidisciplinar só com especialistas em cada área. Isso seria bem legal, já tenho até as pessoas certas pra cada área, mas preciso de mais “bala” por que talento vale o quanto pesa. E como pesa! (risos)

[Zupi] Como foi participar de um projeto social junto com a Revista Ocas?

Foi extremamente gratificante, melhor, foi maravilhoso. Se hoje estou aqui falando com vocês devo muito a Ocas. Na verdade, eles me ajudaram muito mais do que eu a eles, que acreditaram no meu trabalho numa fase em que eu estava começando ainda, engatinhando. Conheci o projeto na rua mesmo, voltando de um almoço. Achei bárbara a iniciativa de trazer dignidade para moradores de rua e pessoas carentes através do trabalho, através da comunicação, através da arte. O pessoal de texto também era selecionado a dedo e a liberdade criativa que eles me davam era enorme. Foi muito bacana e tenho muito orgulho. Sempre que posso tento participar desse tipo de projeto. Acho que o design tem um poder social mal aproveitado no Brasil, principalmente em relação à questão social. Quase tudo que é feito para esse tipo de iniciativa tem pouquíssima ou nenhuma verba envolvida, consequentemente detalhes importantes como divulgação e design são deixados em segundo plano. Tal fato resulta numa exposição deficiente, ruim e de menor visibilidade. Recentemente, pude participar do 1º Festival de Curtas Metragens de Direitos Humanos, onde produzi um “mini-branding” dos materiais de divulgação. Foi super bacana e gratificante também, mas ainda vou voltar a fazer Ocas. É muito importante este tipo de projeto!

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[Zupi] Como você vê o trabalho de ilustrador hoje?

Eu acho que o ilustrador é tão importante quanto um designer, um diretor de arte e um motion designer. Só a sua remuneração que ainda não está no mesmo nível, mas aos poucos vai chegar lá. A ilustração, hoje, é um instrumento de comunicação específico global que atende com extrema qualidade e eficiência qualquer tipo de proposta, seja ela comercial ou não. Para muitas correntes de novos designers, principalmente, em países como Alemanha, França, Japão e Suíça, a ilustração é sim uma forma de design, é sim um instrumento de comunicação utilizado para emocionar, causar desejo no consumidor potencial. E tem uma enorme valorização nas mais variadas mídias, seja em web, publicidade e na televisão também.

[Zupi] Qual a sua expectativa para a ilustração no Brasil?

Acho que o Brasil caminha neste sentido e que a “cena” de ilustradores brasileiros é, sem dúvida, uma das melhores do mundo. A ilustração errôneamente, como muitas coisas do Brasil, era classificada com um objeto de comunicação menor. Comercialmente, sua utilização esteve restrita durante muitos e muitos anos somente ao mercado editorial, e quase sempre quando faltava verba pra fazer “aquela foto” chamavam o ilustrador pra conversar. Era uma competição desigual e sem a menor razão de ser já que são duas mídias distintas. Se voltarmos uns cinco ou sete anos atrás, raramente você via uma campanha publicitária feita aqui que tivesse um “desenhinho” que fosse, e quando tinha já rolava a piadinha “hiiii, a lá faltou verba”, “chamaram o desenhista”. Eu acho que a web colaborou absurdamente para esta mudança, além, é claro, do fator econômico entre os brasileiros na faixa dos 20 aos 35 anos. Um público que melhorou e está aberto, gosta e consome este tipo de linguagem. Hoje, é difícil você ver alguma coisa relacionada à comunicação, seja em qualquer mídia, que não tenha ilustração, animação. O mercado se abriu definitivamente o que é ótimo para nós.

[Zupi] Você é considerado um dos maiores ilustradores do mercado brasileiro. Quais são as dicas para quem está entrando no mercado agora?

Nossa, que responsabilidade. Você que está falando isso (risos). Tenho vários amigos ilustradores absurdos, não vou citar nomes. Um monte, e melhores até! É aquela velha receita de bolo que todo mundo cansou de ouvir, mas não tem segredo algum. Amar de paixão, como um louco aquilo que faz ao ponto de abrir mão de várias baladas, namorada, amigos, lazer e outras coisas humanas (risos). Ser ultra curioso e saber como ser curioso, estar ligado no que está rolando no mundo, aprender vários tipos de técnicas, fazer um networking enorme, adaptar seu trabalho a vários públicos (consumidores finais) e mídias é bem importante. E o mais importante: que adianta você ser um mega designer / ilustrador do mundo, super famoso e fazer coisas que só artistas, descolados e outros designers vão entender e conseguir Apreciar?
Para mim, não adianta nada! Meu trabalho é para o cara comum, para o empresário, para o Diretor de Arte, para a dona de casa, para o adolescente, enfim. Quanto mais pessoas gostarem e consumirem o meu trabalho melhor para mim. Consequentemente, mais trabalho e divulgação espontânea eu vou ter. Ah, ia me esquecendo: o ego, o maldito ego, guarde no bolso. Por que ilustração, design, motion graphics e todos estes nomes bonitos e pomposos, se resumem a uma única frase: um trabalho importante como qualquer outro dentro da sociedade.

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