A fotografia noturna de Cristiano Xavier

Embora a tecnologia tenha facilitado o trabalho de fotógrafos profissionais e amadores, fazer uma boa foto continua dependendo de um bom olhar e técnica. No caso das fotografias noturnas um resultado satisfatório é ainda mais difícil, pois uma probabilidade de sair errado é muito maior do que as chances de sucesso e o fotógrafo Cristiano Xavier vem se destacando no mercado nacinal e internacional, justamente, por seus registros noturnos impressionantes.

Para Xavier todo esforço vale a pena quando se atinge o resultado: uma fotografia inesquecível, não só pela imagem capturada, mas também pelas lembranças das experiências vividas para chegar até lá.

O fotográfo conversou com a Zupi e contou mais sobre suas experiências com as fotografias noturnas. Além disso, ele ainda participa de expedições fotográficas que levam pessoas dos mais diferentes perfis e níveis de conhecimento fotográfico, para conhecerem novos lugares, pessoas e desenvolverem o olhar e técnicas na companhia de renomados fotógrafos especialistas em diferentes segmentos.

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Como começou o interesse por fotografias noturnas?

Muitas viagens ao norte de Minas Gerais me fizeram um apreciador do céu do sertão e a partir dai comecei meus experimentos em fotografia noturna no final da década de 90, usando filme ainda.

Quais os principais desafios de fotografar durante a noite? E as vantagens?

No escuro existem dificuldades técnicas como a visualização da cena, o enquadramento correto e principalmente o foco, mas partindo do princípio que a matéria prima da fotografia é a luz , a noite pode ser considerada uma tela em branco e esta é a maior vantagem para um artista.

Isso possibilita liberdade para pintar a cena com sua própria luz, ou seja, dar a sua interpretação pessoal dentro daquele tema escolhido.

Tem algum preparo prévio, antes de sair para fotografar?

Antes de decidir sobre quando e o que fotografar, a parte do planejamento prévio é muito importante.

Saber qual a fase da lua, observar a previsão do tempo no que se refere a presença ou não de nuvens e também a melhor época do ano para fotografar cada motivo. Estes cuidados aumentam o índice de boas fotos.

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Muitas vezes eu visito o local durante o dia testando alguns enquadramentos que serão reproduzidos a noite, mas nem sempre isso é possível. Gosto de fazer imersões que duram a noite inteira pois isso rende mais o trabalho. Para isso preparo todo o equipamento com antecedência, carrego as baterias, lanternas, flashes etc.

É importante levar um agasalho, água, comida e uma cadeira dobrável para aguardar as longas exposições sentado observando as estrelas.

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Quais os lugares que mais gostou de fotografar? Tem alguma história curiosa?

Em se tratando de fotografia noturna, os desertos são as regiões que concentram as características mais propícias para uma boa foto. Céu limpo sem nuvens, umidade baixa que impede a condensação de gotículas na lente e distância das luzes de grandes cidades. O deserto de Atacama, no Chile, o de Mojave na California e o de Dash-e Kavir no Irã já renderam boas imagens.

Certa vez fui fotografar as maiores Joshua trees do mundo, localizadas na parte oeste do Death Valley nos EUA. É um local bem isolado e somente com traçados de GPS fornecidos por um amigo consegui chegar.

Eram 23h e eu pretendia fotografar até umas 3h AM e acampar por ali mesmo. Na primeira tentativa de foto, decidi pintar as árvores com a lanterna mas percebi que a tinha esquecido no carro a uns 100 metros de mim. A princípio me deu uma preguiça de ir até lá e enquanto me decidia olhei para o chão de areia próximo a mim e não é que havia uma lanterna ali! Me arrepiei todo. Uma lanterna neste fim de mundo e logo no momento em que eu mais precisava de uma? Peguei-a e testei. Ela acendeu perfeitamente, usei para fazer o light painting na árvore e continuei usando por mais umas 3 horas. Na última foto da noite eu decidi fazer um autorretrato próximo a uma das árvores. Armei o tripé, enquadrei, acionei o selftimer e antes de correr para a frente da câmera, deixei a lanterna no chão ao lado do tripé. Feita a foto final da noite peguei a mochila, o tripé e quando procurei pela lanterna tinha desaparecido. Neste momento me deu um frio na espinha. Procurei, procurei e nada. Tinha certeza absoluta que havia deixado ao lado do tripé 20 segundos atrás. Voltei para o acampamento, passei a noite e no dia seguinte tomando o café da manhã contei a história para o amigo que tinha me dado as coordenadas daquele local.

Ele calmamente respondeu: Aquela lanterna pertence as árvores.

E continuou comendo suas panquecas como se nada tivesse acontecido.

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O que você busca/espera quando sai para uma noite fotográfica?

 Minha busca na noite é uma imagem exótica que foge dos padrões. Toda foto noturna por si já é uma versão diferente daquela cena vista durante o dia, pois a câmera tem a capacidade de compactar o tempo numa foto só. Muitas vezes para produzir uma imagem pode-se levar várias horas e esta imagem produzida é fruto da passagem deste tempo. O resultado é uma visão impossível de se ter a olho nu.

Como e onde acontecem as expedições fotográficas?

As viagens são produzidas pela nossa empresa, a OneLapse Expedições Fotográficas.

Definimos os roteiros com grande antecedência e sempre fazemos uma visita prévia ao local para nos certificarmos das condições gerais e qual é o melhor horário de luz para cada locação. Com estas informações montamos o traçado da viagem e divulgamos em nosso site. São sempre locais que têm atrativos específicos, sejam belezas naturais como Patagônia e Islândia, características históricas e culturais como Irã e Índia ou fenômenos específicos como a caça aos tornados e a aurora boreal.

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