FOTOGRAFIA EXPERIMENTAL

Pretendemos com essa coluna estabelecer mais um canal de comunicação com nossos leitores e auxiliar no entendimento da linguagem que se tornou a mais popular no final do último século. Utilizar esse espaço para apresentar diversos modelos de câmeras e suas características operacionais. Para apresentar diversos tipos de suportes fotossensíveis e as formas adequadas de manipulação em laboratório. Mostrar como o trabalho de fotógrafos e coletivos espalhados pelo Brasil e pelo mundo tem conquistado cada vez mais adeptos para a fotografia experimental.

A fotografia não surgiu a partir de um equipamento. Surgiu a partir da observação de um conjunto de fatores e da busca e aplicação de tecnologias eficientes para estabelecer uma relação favorável com esses mesmos fatores, inclusive, com o propósito de recortar de um determinado instante, um registro único, mediador, não um simples reflexo. É possível, então, buscar por resultados dotados de racionalidade por conta de como a captura pode ser calculada e manipulada. No entanto, os padrões que orientam a produção e a difusão no contemporâneo tem impactado nossa relação com a fotografia de uma forma ímpar, nunca antes experimentada. Se por um lado, o acesso aos mais diversos tipos de equipamentos e acessórios e aos modelos de compartilhamento disponíveis transformou em hábito comum o ato de fotografar, por outro, os padrões que amparam boa parte desse exercício proporcionam uma relação muito superficial com o processo, nos colocando reféns do que apenas a repetição do clique pode nos proporcionar. Não que todos tenhamos que praticar a fotografia o tempo todo comprometidos com o método, mas é bom saber que existem diversas outras formas de fazer a partir de qualquer que seja o equipamento utilizado. Formas capazes de romper com a bidimensionalidade da imagem e do que poderíamos chamar de sua natural rigidez.

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E dentre todas essas formas, uma das que mais se assemelha aos processos originais é a fotografia [ESTENOPEICA]. Muito conhecida como [FOTOGRAFIA DA LATA], consiste basicamente na produção de registros a partir de câmeras sem lentes – a maioria de fabricação artesanal – e tendo como [SUPORTE] o [FILME ou PAPEL FOTOSSENSÍVEL].

Para fabricação de uma câmera [ESTENOPEICA] precisamos inicialmente de um compartimento que – quando fechado – impossibilite plenamente a entrada de luz. A [LATA] é um dos objetos mais utilizados, em particular as [LATAS] de 400g de achocolatado ou de leite em pó. Basicamente, é preciso apenas pintar a lata internamente com tinta na cor preta sem brilho e fixar nela um [OBTURADOR] que consiste num pequeno [FURO] ou [ORIFÍCIO] produzido com uma agulha em uma lâmina de alumínio. Muitos são os modelos de [OBTURADORES] fabricados e a principal diferença está na forma como eles são operados – abertos e fechados – pelo fotógrafo para que a luz externa possa passar pelo [ORIFÍCIO] e conduzir para o interior da [LATA] a imagem enquadrada que será [CALCADA] no [SUPORTE FOTOSSENSÍVEL] acondicionado internamente. Esse modelo de câmera não possui um [VISOR], muito menos um [MONITOR] para que o fotógrafo possa se certificar do enquadramento desejado. Ou seja, em todo o [CORPO] da câmera existe apenas o [OBTURADOR]. Essa característica estreita naturalmente a relação entre o fotógrafo e o equipamento já que é possível até sugerir o enquadramento desejado, mas apenas intuir o resultado.

São essas e outras características que fazem da fotografia [ESTENOPEICA] uma fotografia capaz de nos ajudar a compreender a complexidade do processo fotográfico. Que nos fazem compreender como fatores como o [TEMPO DE EXPOSIÇÃO] e o [ÂNGULO MAIS FAVORÁVEL DE ENQUADRAMENTO] podem interferir nos resultados. Uma fotografia que nos surpreende com a realidade de como o [MOVIMENTO] ou a [AÇÃO DA LUZ] sobre as superfícies de tudo que compõe o enquadramento podem provocar interferências diversas, [SUBTRAINDO ou ADICIONANDO INFORMAÇÕES].

Uma fotografia que nos faz perceber que o real é – no mínimo – tridimensional e que o sensorial sempre vai além. Uma fotografia que revela a partir da sua própria essência possibilidades múltiplas de projeção do olhar. Uma fotografia que contribui com uma amostragem do que é possível produzir durante o clique fora da rigidez e a partir das infinitas possibilidades de descobertas quando se valoriza a [LUZ] e [SUAS RELAÇÕES] como a principal tecnologia. Que nos permite esmiuçar o interior da câmera. Uma fotografia que nos proporciona a desuniformidade. Que nos alerta para o risco da miopia que o projeto de franquia do pré-fabricado espetacular tem proporcionado. Um estímulo luminar.

Quanto as imagens que acompanham essa publicação, elas fazem parte do projeto [ESTENOPEICA SP] que tem como principal objetivo refletir acerca das relações estabelecidas com o caos nas grandes cidades. Um ensaio que explorou tecnicamente – a partir do tempo de exposição utilizado – a possibilidade enquanto resultado de imagens insólitas. Seja nos registros onde a quase ausência de pessoas em locais onde – na realidade – todos praticamente se acotovelam no dia-a-dia, seja nos traços desenhados pelo movimento dessas mesmas pessoas, a ideia é confundir o observador e estimulá-lo ao questionamento.

E seja a partir das perguntas ou na busca pelas respostas, a proposta é a de dialogar sobre uma fotografia conectada à vida.

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