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Uma viagem ao nordeste foi o suficiente para cair a ficha de Fernando Chamarelli. O designer, formado na UNESP, começou a rabiscar e percebeu que aquilo que ele fazia poderia se tornar algo maior. Os traços dele se caracterizam pelas formas geométricas e cores chapadas, em um estilo mais moderno.

Fernando se envolveu com arte de rua, tatuagem e HQs e busca inspiração nas culturas brasileira, celta, egípcia, africana, maoi e outras. Assim, hoje faz diversas ilustrações, tanto em tela, quanto no computador e já passou por publicidade, fazendo um mouse customizado para a Microsoft e uma garrafa para a Absolut.

Abaixo, conheça o trabalho de Chamarelli e sobre o artista na entrevista que ele deu à Zupi.

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[Zupi] Conte um pouco sobre como e quando você decidiu virar artista.

Acho que tive uma luz quando voltei de uma viagem ao Nordeste. Fiquei uma semana em Olinda e minha mente abriu muito, pois tive muito contato com pessoas talentosas. Havia arte, música e artesanato em cada esquina.
Ao mesmo tempo, terminava a faculdade de design gráfico na UNESP. Logo após me formar, comecei a rabiscar e percebi que estava fazendo algo diferente e que aquilo ficaria bom se usasse tinta sobre tela. Foi minha primeira experiência com tinta acrílica, porém tinha certeza que daria certo. Comecei a pintar e as coisas foram acontecendo rapidamente. Hoje, felizmente, vivo de arte.

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[Zupi] Quais são as principais influências das suas temáticas?

A cultura brasileira. Nossas lendas, mitos, religiões, fauna, flora, festas. Há muito o que explorar e mostrar. A diversidade é enorme por aqui.
A arte pré-colombiana também me intriga muito e está sempre presente em meu trabalho. Mas pra mim é necessário misturar tudo isso com elementos da arte celta, egípcia, africana, maori, haida, chinesa, indiana, entre outras.
Acredito que estes povos sempre estiveram conectados. Tudo está interligado em meu trabalho e meu universo é um mix de culturas.

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[Zupi] E o traço, como você começou a desenhar deste modo mais geométrico?

Eu comecei desenhando personagens de HQs, caricaturas, retratos realistas, mas durante alguns anos trabalhei como designer, usava muito o Adobe Illustrator, isso fez com que meu trabalho se transformasse. Muitos vetores, formas geométricas e cores chapadas, deixei de fazer sombras. Sem perceber, meu estilo mudou muito. Hoje consigo fazer o mesmo trabalho tanto na tela usando pincel como no computador, usando tablet.

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[Zupi] Quais artistas ou estilos artísticos você adota como referência?

Meus artistas favoritos ainda estão vivos, são jovens e são muitos. Dos tradicionais eu diria Escher, Bosch, Klimt, Dali e Magrite. Sempre gostei do movimento surrealista, porém admiro artistas das antigas, que usavam pedaços de ossos pra tatuar, corantes naturais pra fazer belas pinturas corporais e criavam máscaras e grafismos incríveis.

[Zupi] O processo criativo é fácil? Como rola o trabalho?

Sim, já existe muita coisa presa em minha cabeça. Para as liberar, eu só preciso de uma folha em branco, um lápis e ouvir uma boa música. Minhas ideias fluem melhor com ritmos do nordeste como mangue beat, maracatu, samba de coco ou um som experimental.

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[Zupi] Você foi chamado para ilustrar publicidade, certo? Como é a ilustração voltada para essa área, é diferente?

Na verdade não fui chamado para tanta publicidade assim, mas já participei de projetos e fiz coisas bem legais neste meio. Normalmente, o cliente me deixa bem livre, apenas diz o que quer e eu faço do meu jeito através do meu estilo. Foi assim em meus últimos trabalhos, quando customizei um mouse pra Microsoft e pintei uma garrafa pra Absolut Vodka.

[Zupi] O que o inspira a continuar ilustrando?

Enquanto eu continuar fazendo arte, eu vou manter essa vontade de criar em diferentes suportes. Seja ilustrar no computador e desenhar sobre o papel ou pintar na tela, na madeira, na rua, na pele, entre outros. Escultura é o próximo passo. Gostaria de fazer de tudo um pouco, mas, por falta de tempo, dou prioridade às pinturas.

 

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[Zupi] Você já passou por tattoo e street art. Continua fazendo esses tipos de arte? Conte um pouco da sua experiência com ambas.

Eu comecei a desenhar tarde, já na adolescência, diferente da maioria dos artistas. Pouco tempo depois que comecei a desenhar fiz uma maquininha caseira de tatuagem, com agulha de costura, colher, tubo de caneta e motor de carrinho de brinquedo. Aprendi a construir a máquina com os moleques do bairro onde morava, na cidade de Penápolis, vários deles tinham uma dessas. Com quatorze anos, eu fui minha primeira cobaia e, depois, fiz nos meus amigos e assim foi indo. Na época, eu não tinha conhecimento sobre os riscos, só queria ter uma tattoo louca e me tornar tatuador profissional.
Com o tempo, fui a convenções, comprei bons equipamentos e fiquei em um estúdio por um curto período. Tatuagem sempre foi algo que eu levava paralelamente. Aprendi muito nesse mundo, acho que os contornos pretos e finos que hoje podem ser vistos em meus trabalhos vem desta época.
Depois, veio a faculdade e minha relação com a tattoo foi diminuindo, comecei a pintar em telas e nas ruas, fazia intervenções em outdoors. Foi uma época bem divertida.

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[Zupi] Como você traduziria seu trabalho para novos artistas ou pessoas que não o conhecem?
Boa pergunta. Traduzir o que faço é difícil pra mim também. Eu diria que meu trabalho é um mosaico multicultural. Mas o ideal seria eu mostrar uma imagem para eles e deixar que viagem pelas formas orgânicas, permitindo que inventem novas histórias.

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+ Informações
Fernando Chamarelli
Flickr

 

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