CLUBE  •  PIXEL SHOW  •  CONFERÊNCIA  •  PROGRAMAÇÃO  •  SKETCH  •  FEIRA

Brasileiro, o artista Eduardo Ver encontra na xilogravura seu caminho artístico. Quando o xilógrafo aprendeu a diferença entre ver e olhar, ele começou a utilizar seu trabalho como forma de representação da natureza.

O artista considera sua arte como algo maior que um hobby e utiliza temáticas que contam tanto histórias pessoais quanto religiosas.

Eduardo Ver
Brasil

image

image

[Zupi] De onde você é? Como sua cidade-natal o inspirou a fazer esse tipo de arte? Por que você adotou o nome “Eduardo Ver” como nome artístico?

Sou de São Paulo e a cidade me mostrou que sem amor e fé, eu seria como a maioria, uma carcaça programada para reagir com arrogância e indiferença à vida, caminhando para morte dopado, dando valor a coisas que não preciso para sobreviver. O nome “Eduardo Ver” surgiu em 1995, quando eu era office-boy e encontrei uma senhora moradora de rua que me pediu para pagar um lanche para ela. Eu paguei e minha vida mudou. Ela me disse sobre minha importância e minha missão, que eu tinha que ver o semelhante como meu irmão e tudo sairia como eu desejo. Então ela perguntou meu nome e falou: “A partir de hoje, você é o Eduardo Ver”. Na hora eu não entendi nada, mas aquele dia está na minha retina até hoje. Só assim eu percebi a diferença de olhar para ver – quem olha não sente emoção, quem vê compreende e ama.     
  
[Zupi] O que o motiva a continuar fazendo xilogravura quando hoje em dia existem diferentes tipos de mídias e novas tecnologias?

A xilogravura é a maneira pela qual fui escolhido para mandar minha mensagem e a minha principal motivação é a fé. Quando fiz minha primeira xilo, percebi que a minha função aqui é não enlouquecer e produzir imagens xilográficas. Esse é o meu caminho e estou consciente do que estou fazendo, assim como respeito muito quem utiliza outras mídias. Gosto bastante de ver outros trabalhos tecnológicos e me emociono também.

image

image

[Zupi] Qual tema você mais retrata nas suas imagens e quais são suas influências para essas histórias?

Os temas são variados: o encontro com o divino pelo sexo, a harmonia, o caos, a natureza por meio dos orixás, a busca pelo respeito entre os seres do universo, a traição dos homens, a doença do mundo e a busca pela cura da minha mente e da minha alma.  

[Zupi] Percebemos certa ligação religiosa nas temáticas das suas imagens. Qual religião você segue e como você extrai suas obras a partir dela?

Creio que a palavra não é seguir, pois quem segue está perdido. Eu respeito a doutrina e os ensinamentos da Umbanda Sagrada. Creio que quando faço uma xilo com imagens ligadas a Orixás é porque há permissão por parte dos mestres espirituais que me acompanham. Sempre que começo uma nova matriz, peço proteção à natureza porque vou trabalhar com sua matéria e entrego meu corpo e espírito como ferramentas aos ensinamentos desses mestres.

image

image

[Zupi] Cite sua maior influência no mundo da xilogravura.

O primeiro foi Gilvan Samico, que tocou meu coração e me mostrou o caminho. O segundo é meu mestre e amigo Ernesto Bonato que me fez andar no mundo da arte, em 2006, abrindo as portas de seu ateliê para mim.

[Zupi] Comente um pouco sobre seu processo de produção das imagens. Você utiliza alguma técnica que fuja do tradicional?

A produção das minhas xilos é muito desgastante. Costumo ficar de dois a quatro meses em uma peça, fico desenhando e escrevendo sobre a imagem e sinto que já vivi toda aquela história que vai aparecendo na madeira. Não tenho nenhuma técnica especial, apenas uma ferramenta de ferro, chamada goiva.

image

image

image

[Zupi] Você sempre se interessou por literatura de cordel? Conte um pouco sobre a sua ligação com os folhetos.

Na biblioteca próxima de casa, sempre ia fazer uma visita na prateleira que tinha os folhetos. Eu me divertia, dava muitas risadas, sem imaginar que, alguns anos mais tarde, iria ilustrar alguns livros e folhetos de um amigo e cordelista de primeira linha chamado César Obeid.

image

image

[Zupi] Já pensou em utilizar a xilogravura para algum tipo de manifestação ou crítica? Se já usou, conte-nos como.

Eu utilizo a xilo para produzir cartazes lambe-lambe, sempre pensando em mensagens positivas. Não utilizo meu trabalho para criticar ninguém seja quem for, pois não acredito nesse caminho, creio que minha função é tocar o coração para despertar a mente. Aconteceu comigo então quero proporcionar isso para outro ser humano.  

image

image

[Zupi] Seu lado artístico o seguiu por toda sua vida? Como você encarava seus trabalhos anteriores?

Minha fase de criança foi muito rica, cresci brincando na rua desenhando com giz no chão, empinando pipa, rodando pião, jogando bolinha de gude, até fazer balão eu sei. Acredito que não escolhi ser artista, eu nasci artista, porque eu já fiz e vi muita coisa nessa vida: fui office-boy, estoquista, já trabalhei com recadastramento de pessoas abandonadas e meu último trabalho foi no aeroporto em 2006.  Estava descontente com os seres humanos com os quais convivia, por isso fui seguir o caminho da xilogravura. Não a classifico como profissão, muito menos hobby. É muito maior e não tenho como explicar.  

image

Compartilhe via...

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn