De todas as imagens de graffiti que você viu por aí, Does provavelmente é responsável por uma grande parte delas. O grafiteiro, que decidiu seu nome artístico por conta de um verbo auxiliar que significa literalmente “nada” no dicionário, afirma se inspirar na própria vida quando faz suas peças.

Assim, Does acredita que a evolução de seu estilo evolui por si próprio, sem a necessidade de uma referência externa.

Olhando para o passado, o artista vê como cresceu, quando não conseguia pintar muros distantes de sua casa e hoje já passou por quase todo o Brasil e outros 13 países diferentes.

Confira abaixo alguns de seus trabalhos, assim como um pouco da vida de Does na entrevista que ele deu à Zupi:

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[Zupi] De onde vem seu nome artístico ‘Does’? Por que o escolheu?

Escolhi meu nome a partir de um dicionário, no qual consta que a palavra “does” não significa nada, é um verbo auxiliar.
Penso que é isso que representamos para a sociedade: nada!

[Zupi] Como e quando foi o seu primeiro contato com o graffiti?

Foi em 1988. À época, eu utilizava a técnica de stencil art, mas, com o tempo, acabei desistindo da ideia de levar uma imagem pronta. O trabalho era muito artesanal e, na hora de passar para o muro, eram menos de 10 minutos. Por isso acabei trocando pelo estilo que faço até hoje.

Eu me inspirei quando vi um pedaço do muro de Berlin em um livro de história, no qual estavam desenhadas letras bem estilosas para aquela época. Assim decidi seguir meu novo caminho.

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[Zupi] Quando percebeu que tinha vocação para a profissão?

Não percebi isso até hoje, mas continuo insistindo em fazer.

[Zupi] Você vê alguma mudança significativa no seu estilo desde que começou no graffiti?

Não acredito que eu tenha mudado de estilo, mas posso afirmar que evolui o meu jeito de fazer arte. Com o tempo, você conhece novas coisas, passa por várias fases na vida e isso acaba fazendo você parar para pensar e deixar de ficar estacionado sempre no primeiro degrau.

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[Zupi] Seu trabalho tem uma forte identidade visual. Qual é a sua maior inspiração para pintar?

Eu conquistei essa identidade com o passar dos anos, sempre pensando em evoluir. Não costumo ficar me inspirando em outros trabalhos ou pessoas, quero ser eu mesmo, quero que as pessoas olhem o meu trabalho e reconheçam-no, sem confundi-lo com o trabalho de outros.

Por isso, falo que a minha maior inspiração é minha vida.
Minha vida é fazer isso que faço, não há dinheiro que pague isso. Estou sempre viajando, pintando e conhecendo novas pessoas, o que vivo hoje em dia é o que faço.

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[Zupi] Há obras de outros gêneros como literatura, música ou cinema que têm um papel importante no seu trabalho?

Sinceramente, acho que não. Odeio literatura e cinema, mas música, quem não gosta? Eu sempre assimilo algumas músicas a momentos que estou passando ou passei e, quando as escuto, sempre me lembro dos bons e maus momentos da vida.

Graças a Deus só tenho bons momentos e, quando aparece uma energia negativa, recebo-a sorrindo para espantá-la logo e seguir minha vida sempre bem.

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[Zupi] No graffiti internacional, qual é a sua maior referência? E no brasileiro?

Referência é para pessoas que estão começando e precisam se espelhar em alguma coisa. A minha referência sou eu próprio e, pode ser até estranho isso, mas eu procuro ser eu mesmo, me espelhando no que fiz no passado, no que estou fazendo no presente e no que farei no futuro.

Existem pessoas que respeito muito a trajetória e que hoje servem de exemplo a muitos outros. São pessoas que encaram o graffiti com seriedade e não como modismo, que estão há mais de 20 anos na atividade porque amam o que fazem e dedicaram boa parte de suas vidas para chegarem onde estão.

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[Zupi] Você tem alguma arte sua que tem algum significado especial? Qual é a sua preferida?

Para mim, todas possuem um significado especial. Como eu falei antes, eu vivo isso e só quero coisas boas para minha vida, somente energias positivas!

[Zupi] Você tem trabalhos em parceria com outros artistas. Prefere criar sozinho ou acha o trabalho colaborativo mais interessante?

Isso varia muito. Às vezes, faço minha parada sozinho, mas na maioria das vezes estou junto a uma galera, conheço muita gente e sempre existem aquelas pessoas com quem você tem mais afinidade para pintar.

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[Zupi] Acha que a grande exposição que o graffiti ganhou nos últimos tempos banalizou a profissão ou abriu portas?

Se abriu portas, esqueceram a minha. Tem muita gente que entra no mundo do graffiti para ganhar fama e dinheiro, ao contrário de outros, que começaram por uma brincadeira e hoje vivem disso.

[Zupi] Tem alguma história curiosa que viveu no seu trabalho que gostaria de compartilhar?

Tenho muitas, mas que posso resumir em algumas linhas. Quando comecei a pintar, não imaginava pintar a duas quadras de minha casa. Hoje, já conheci 22 estados brasileiros e 13 países.

Dentro de todas essas viagens, tenho muito o que contar e muitas recordações em mente, que pretendo transformar tudo em um livro algum dia.

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[Zupi] Existe algum trabalho de outro artista que você gostaria de ter feito? Se sim, qual?

Sinceramente não, prefiro criar e evoluir sempre o que eu faço.

[Zupi] Tem algum projeto em que está trabalhando atualmente?

Atualmente estou junto a uma empresa nacional que faz uma tinta especialmente para graffiti, a Worx. Também estou me empenhando para fazer meu livro e poder contar um pouco de tudo que passei em todos esses anos de graffiti, mas ainda não tem previsão para lançamento.

Preciso buscar apoios, mas já possuo boa parte do material editado e acredito que vai ficar bem legal.

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[Zupi] Quer deixar alguma mensagem final?

Primeiramente a Deus, que sempre me deu saúde e forças para eu poder fazer graffiti até hoje. Queria também agradecer a todos vocês da Zupi e ao Jordons da QAZ. Desde já, quero agradecer às pessoas que dedicaram um pouco de tempo para ler isto.

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Eaí, o que você achou? Veja o resto do trabalho do grafiteiro no seu site: Does

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