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Conheça Fábio Stachi, fotógrafo que usa linguagem corporal como meio de expressão de arte

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Fabio Stachi é fotógrafo, mas um fotógrafo centrado na emoção humana, que busca uma relação íntima da linguagem corporal como meio de expressão de arte, mas de um jeito sombrio e caótico. Interessante não?

Nascido em São Paulo e formado em design gráfico, o fotógrafo sempre teve interesse pela arte. Após anos de experiências, a fotografia foi tomando espaço na sua vida, tendo fortes influencias de Caravaggio, Vermeer, Rembrandt, Pino Daeni e Jan Saudek, Fábio não se prende a regras e conceitos estéticos, não gostando que associem seu trabalho ao erotismo, afinal nudez é só um artifício de seu trabalho.

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Batemos um papo com Fabio, olha só:

Como é sua história na arte? Como tudo começou?

Quando criança ganhei um livro de pinturas como presente de um tio. Me lembro que inicialmente não gostei, pois queria receber brinquedos de presente, como toda criança. Ninguém na minha família tinha qualquer relação com artes. Mesmo não compreendendo absolutamente nada sobre aquelas pinturas, havia uma que me chocava e ao mesmo tempo despertava enorme curiosidade. O título era “Minha mãe morrendo”, onde supostamente o artista havia pintado sua idosa mãe no leito de morte. Olhar aquilo era tão assustador quanto instigante. Essa é a primeira lembrança que eu tenho da arte.

Mais tarde, em 1996 então com 14 anos, inspirado nas capas dos discos do Iron Maiden comecei a estudar desenho na escola 28 de Julho em São Caetano. Desenhei até os meus 17 anos quando comecei a trabalhar como designer numa agência. Três anos mais tarde (por volta de 2002) comprei minha primeira câmera fotográfica de filme, inspirado pelo amigo e artista plástico Herbert Baglione (que inclusive já foi capa da Zupi). Fotografava absolutamente tudo ao meu redor. Meu salário na época era basicamente para investir em equipamentos e comprar filmes e revelação. Meus primeiros freelas de fotografia começaram a aparecer alguns anos depois. Fotografei shows, pequenas campanhas de moda e fazia muitos retratos. Em 2006 comprei meu primeiro equipamento digital. Me formei em Design Gráfico em 2008 e nessa mesma época meu trabalho autoral começou a ganhar forma nos ensaios que fazia com a minha namorada. Nosso projeto de fotografar em locais abandonados começou a ganhar corpo e ter muita repercussão.

Dois anos mais tarde eu larguei o trabalho como designer e passei a trabalhar somente com fotografia. Em 2013 fiz minha primeira grande exposição com o Herbert Baglione, o PROJETONEGRO, que passou por São Paulo, Bogotá e México. De lá pra cá foram muitos convites para exposições e trabalhos publicados em revistas.

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Seus projetos são bem conceituados, onde você busca inspiração pra chegar neles?

Sou apreciador da pintura barroca. A luz e sombra do meu trabalho vem de Rembrandt, Vermeer e principalmente Caravaggio. Na fotografia minha inspiração é Jan Saudek, Witkin, Mário Cravo Neto e Francesca Woodman.

Eu acredito que a inspiração pode vir de qualquer lugar que toca você de alguma forma. A própria música pesada é uma influência enorme no meu trabalho. Augusto dos Anjos, Matthew Barney, Dino Valls, Osvaldo Goeldi e Ren Hang por exemplo, não possuem qualquer semelhança entre si, mas são grandes fontes de inspiração naquilo que faço!

O que você quer provocar em quem vê suas fotos?

O caos é o ponto de partida do meu trabalho. Procuro buscar uma forma não convencional de traduzir sentimentos que retratam certos conflitos humanos, como angústia e melancolia através do mistério e da beleza contidos nas sombras. Em cada trabalho eu convido o espectador a ser estimulado e a participar do enredo complementando-o com suas sensações.

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Além da fotografia, você tem alguma relação com outro tipo de arte? Se sim, ela influencia na fotografia?

Neste momento não. Mas como eu disse, o que me levou até a fotografia foram o desenho e a pintura, mas atualmente eu apenas fotografo. Tenho planos de um dia voltar a pintar e tentar saber como isso vai funcionar. Também possuo um desejo de criar algo musical, ainda não sei bem o quê, mas como sou completamente apaixonado por música, talvez algum dia experimente trabalhar algo relacionado à música e combinar com fotografia e pintura.

Arte sempre foi seu plano A?

Digamos que a criação sempre foi meu plano de vida. Primeiro com o desenho e pintura, depois design e atualmente fotografia. É através da fotografia que eu procuro me comunicar com o mundo e dizer o que sinto. E quem se identifica com o que eu faço talvez esteja reconhecendo o mesmo sentimento em si mesma. É isso que me inspira e me dá forças para criar.

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Fabio está com um projeto em andamento e falou pra Zupi um pouquinho sobre. Se trata de  ORCHISSARIUM um projeto fundamentado em elementos que simbolizam a dialética perturbadora entre a vida e a morte. Essa imagem fará parte de uma exposição coletiva em Santiago de Cali, na Colômbia em agosto.

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Veja mais de Fabio Stachi no seu site.

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