Conheça a autora do Projeto Mulheres

Carol Rosseti é ilustradora e defende a causa feminista com lápis de cor, aquarela e muito talento. Dona da sua rotina, Carol ama o que faz e através das suas ilustrações trás um discurso de amor e aceitação. Produz o projeto Mulheres, que propõe um dialogo sobre feminismo com pessoas que estão fora, e ela consegue. Recentemente foi convidada para o projeto de repôster da Skol, na qual trouxe um novo olhar para os cartazes de divulgação. Conheça agora um pouco dessa moça que nos encanta com seus traços coloridos e cheio de significados.

Conte um pouco sobre você e sua trajetória. 

Sou de BH, me formei em design gráfico em 2011 e, além de trabalhar como ilustradora, tenho um estúdio com dois sócios chamado Café com Chocolate Design. Eu trabalho com meus projetos autorais, faço artes comissionadas, eventualmente faço trabalhos para publicidade ou voltados para causas sociais, como no caso dos trabalhos que fiz em parceria com a ONU e o MPMG. Esse viés social e ativista do meu trabalho veio principalmente a partir do projeto Mulheres, que publiquei nas minhas redes sociais en 2014 e 2015.

Como você se interessou pela ilustração como profissão e como foi o ingresso no mercado?

Eu sempre quiser “desenhista”, antes de conhecer a palavra ilustradora. Eu amo desenhar e foi um interesse que perdurou ao longo de toda a minha vida. Eu entrei no mercado de uma forma acho que pouco usual. Oportunidades vieram a partir da viralização do meu projeto autoral Mulheres. Com esse projeto, meu trabalho ganhou visibilidade no mercado editorial, no cenário independente (através dos produtos que eu mesma crio e vendo) e no meio ativista, onde fui chamada para participar de projetos e eventos que defendessem causas feministas ou relativas a direitos humanos de forma geral.

Quais ferramentas de trabalho você utiliza?

É até bastante variado… Todos os meus desenhos são feitos à mão. Eu uso aquarela, lápis de cor, guache, caneta nanquim… Gosto de experimentar materiais e técnicas diferentes. Eu scanneio tudo (se meu scanner quebra, minha vida vira ao avesso) e trato a imagem no computador. Na faço grandes alterações nem pintura digital, é só um ajuste das cores que saem meio avacalhadas do scanner mesmo. Já para projetos de design gráfico, eu utilizo muito o computador.

Quais os pontos positivos e negativos da sua profissão?

Eu sou uma profissional autônoma, e por isso, minha profissão envolve muuuuitas funções diferentes. Eu desenho, eu administro minhas mídias sociais (facebook, instagram e tumblr, com publicações quase diárias), eu produzo meus produtos, eu vendo em eventos, eu administro a loja online, o estoque e os envios de pedidos, eu respondo todos os meus emails e mensagens das redes sociais, dou workshops, dou palestras… Enfim. Meu dia a dia é, por um lado, bem diversificado, e por outro lado, é MUITA coisa. O que acho mais difícil é a instabilidade: tem meses que eu ganho bem, outros que não entra quase nada. É imprevisível, mas aprendi a administrar a renda para que os meses bons compensem os meses ruins. Pra mim, o grande ponto positivo é que eu amo muito o que eu faço e tenho total consciência de que não trocaria por nenhuma outra profissão. Eu trabalho em casa (provavelmente de pijama), faço minha própria comida, faço pausas a hora que eu quero, faço meu próprio horário. Se eu acho que não estou sendo produtiva, eu paro e vou ver um filme. Se eu estou doente, eu não preciso mostrar atestado médico pra ninguém. E se eu perco meus prazos, eu sou a única responsável também. Eu me adaptei bem com esse modo de vida, e realmente amo desenhar.

Qual é a sua maior inspiração na hora de criar as ilustrações?

Acho que são as pessoas que eu conheço, as pessoas que encontro, as pessoas do cotidiano que eu não conheço e me divirto imaginando suas histórias. Acho que o ser humano é uma fonte infinita de inspiração. Somos muito diversos, todos temos histórias pra contar, todos temos muito a ensinar e a prender. Eu gosto de pensar que meu trabalho sempre valoriza a diversidade. Não existe uma forma certa ou errada de pensar, mas existe muito a aprender com a diversidade se conseguirmos nos comunicar com os outros. Gosto de tentar promover essa comunicação, um diálogo respeitoso e construtivo entre as pessoas.

Muito tem se falado e tem sido discutido sobre a quebra do padrão de beleza imposto pela sociedade, e as suas ilustrações retratam mulheres de diferentes estilos. Essa a sua intenção? Qual mensagem você tenta mostrar através das ilustrações?

Eu gosto de dizer que não vale simplesmente dizermos que a beleza é relativa, e que existem mil forma de ser bonitas. Isso é verdade, mas não resolve muito a questão. Eu acho que o mais importante é que a gente (principalmente nós, mulheres) entenda que a beleza não é o principal valor para buscarmos em nossas vidas. Não existe uma única forma de ser bonita, e, na verdade, a gente nem precisa ser bonita para nos sentirmos completas. Eu passei muito tempo da minha vida tentando me sentir linda, e achando que eu só atingiria um nível ideal de amor-próprio se eu me achasse maravilhosa. Bem, hoje eu acho que meu amor-próprio ta bem legal, e eu não me acho linda. Me acho ok, sou bonita na maior parte do tempo, mas longe de ser a lupita nyong’o. E tudo bem. Eu me valorizo hoje porque sou muito feliz com minhas escolhas de vida, porque acho que sou um ser humano legal, uma pessoa boa, vejo mil qualidades em mim mesma que não passam pela beleza. A busca pela beleza precisa ser revista. Não é ela que deve guiar nosso amor-próprio.

Qual a importância de retratar mulheres normais ao invés de seguir o padrão de magreza que a sociedade impõe?

Sim, são mulheres que como as que vejo no meu cotidiano. Alguma são gordas, outras são magrelas, outras tem um porte mediano… É importante retratarmos a diversidade para que não exista um único modelo de corpo ideal, ou normal, ou desejável. Representatividade é muito importante! Aliás, estou para dar um workshop exatamente sobre isso, aqui em BH: sobre representatividade e criação de personagens.

Recentemente você participou do processo de repôster da Skol. Qual foi o seu pensamento na hora da criação?

Foi justamente essa questão da representatividade. Eu quis ver mulheres inteiras na propaganda, e não um objeto cênico. Mulheres também devem ser consideradas como público-alvo do produto mas, independente disso, elas precisam ser retratadas com respeito. Ver mulheres sendo constantemente objetificadas nas narrativas cotidianas tem um efeito devastador nas pessoas, a gente internaliza essa representação e isso tem consequências.

O Projeto Mulheres fala sobre isso também né? Conta um pouco sobre a sua proposta.

O objetivo do mulheres é promover um diálogo sobre feminismo com pessoas de fora do movimento. Existem ilustrações sobre amor-próprio, sobre escolhas de vida, moda, relacionamentos, experiências, traumas, desafios, identidades, sexualidade… São temas que a gente discute muito dentro dos movimentos ativistas e nem sempre conseguimos levar esse diálogo adiante. O Mulheres consegue começar um diálogo sobre esses temas com sua tia, sua avó, seu irmão… As ilustrações não são discursos que encerram o tema, são realmente chamados para um debate. Eu tento trazer sempre um tom leve para o texto, deixando a mensagem simples, direta e sempre acolhedora.

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