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Ciro MacCord
Curitiba, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi]Qual é a sua formação?

Estou terminando o curso de Desenho Industrial (Programação Visual), agora só falta mesmo o TCC.

[Zupi]Como entrou na área de design gráfico?

Antes de pensar em que faculdade seguir, durante o ensino médio, trabalhei em uma agência de publicidade. Me apaixonei pelo Photoshop nesta época, mas até então não pensava em mesclar as técnicas à mão, que fazia desde moleque, com esse novo conhecimento. Mas a paixão já foi suficiente pra decidir o que queria seguir profissionalmente.

[Zupi] Você acredita que é necessário estudar para se tornar um bom profissional na área de design?

Não acredito na faculdade enquanto simples “ritual de passagem” ou convenção, mas com certeza o ambiente acadêmico pode te fazer submergir de vez em um processo hiper-dinâmico de trocas de informação, experiências e intercâmbios. Acredito que este processo também pode ser alcançado mesmo fora da faculdade, mas a possibilidade oferecida por um universo múltiplo e vivenciado por pessoas afins diariamente é realmente muito boa, e tem que ser muito bem aproveitada.

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[Zupi] Qual foi a sua trajetória?

Comecei com o velho clichê de desenhar muito desde moleque, mas nunca pensei em levar a coisa a sério. No ensino médio me vi impressionado com as possibilidades oferecidas por alguns softwares da área do Design, mas já não dava muita importância às coisas feitas à mão. Foi na faculdade que percebi o valor dos experimentos e a partir daí comecei a juntar as técnicas e a me arriscar cada vez mais em diferentes aspectos e processos gráficos. Durante este tempo mudei três vezes de cidade (Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba) e com certeza isto influenciou minha bagagem, pontos de referência e expressão.

[Zupi]Quais as técnicas que utiliza nos seus trabalhos?

Sou fissurado em colagens, mas procuro sempre mesclar com traços à mão, efeitos digitais e vetor. Se pudesse viveria com o scanner na mão!

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[Zupi]Você segue tendências visuais? Onde você busca suas referências?

Não considero que sigo uma tendência, mas com certeza meu caminho gráfico é a síntese de muitas observações. Procuro sempre cair em novos processos, mas automaticamente os trabalhos parecem seguir uma estética em comum. Se os percebo sujos demais, por exemplo, tento forçar algo mais limpo e vice-versa, e assim por diante.

[Zupi] Quem te inspira?

Tenho muita admiração por artistas e designers que possuem um trabalho aparentemente assimétrico e recheado de camadas, como Majid Farahani, Tide Helmeister e David Carson. É impossível também deixar de falar dos trabalhos gráficos explorados por poetas concretistas e surrealistas.

[Zupi] Você mantém projetos pessoais? Se sim, quais?

Por enquanto não desenvolvo projetos muito oficiais, toda a produção está em constante fase de evolução e experimentos. A busca é constante. Ultimamente estou procurando aliar técnicas gráficas estáticas ao movimento, me utilizando até mesmo de cinema roteirizado. Além disso, estou atualmente envolvido com o meu TCC, que pode ser uma síntese disso tudo. O projeto vai abordar a utilização de substâncias psicodélicas pela sociedade e o universo riquíssimo (gráfico, histórico, cultural, social, político) descortinado por esta relação – hoje reduzida a meros tabus.

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[Zupi]Sobre os projetos pessoais, você acha que existe diferença entre o que é trabalho pessoal e o que é profissional?

Com certeza. No trabalho pessoal você é completamente livre para as associações e processos. Você se vê desimpedido para a expressão dos seus conteúdos e para experimentar à sua maneira, assim o trabalho acaba saindo mais ao seu criador. Já no trabalho profissional, com menos carga artística, você tem que aprender a domar a expressão e tem que resolver problemas delimitados por regras. O aprendizado vem dos dois lados.

[Zupi]Você acha que o design brasileiro em si tem um estilo próprio?

Acho difícil, talvez impossível, definir um estilo próprio para um país presenteado com tanta multiplicidade. As bagagens adquiridas em regiões tão distintas tendem a diferenciar as expressões da mesma maneira.

[Zupi]Qual a sua visão a respeito do mercado de design hoje?

Talvez a minha visão seja ácida demais. Vejo um mercado cada vez mais procurado e compreendido, e isso tem chamado a atenção de muita gente, principalmente de quem está agora decidindo o futuro. No entanto me preocupa a ética deste Design: puramente mercadológica. Não sei a que ponto chegaremos se continuarmos a apenas seduzir consumidores, modelar e deformar informações e excitar o lado mais raso do ser humano. Design é comunicação, temos que repensar sobre os seus propósitos.

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[Zupi] Qual a sua expectativa para a área no Brasil?

Vejo uma evolução cada vez mais anunciada, no entanto será necessária uma espécie de reforma do ensino na área. O processo de formação é determinante para o mercado e para a compreensão do nosso papel, mas vejo um déficit expressivo no ambiente acadêmico. O grande problema é que este questionamento leva ao questionamento do ensino no geral, e aí a questão fica muito mais complexa.

[Zupi] Quais são as dicas para quem está entrando no mercado agora?

Nunca pensar que já se alcançou o “ponto certo”. Nenhum conhecimento tem o momento final, temos que permanecer em processos dinâmicos de transformação, ruptura e mudança, pra ir se aperfeiçoando cada vez mais. A questão é nunca se satisfazer.

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