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César Dacol Jr. cria monstros. O artista fez as criações de personagens presentes em 300, Viagem ao Centro da Terra 3D e Selvagem, além de já ter trabalhado com games e outros artistas famosos.

Ele já viajou por muitos lugares do mundo por conta do seu trabalho e evoluiu junto à indústria cinematográfica.

O brasileiro trabalhou por muito tempo com maquiagem na indústria do cinema, até que surgiram os efeitos especiais e a computação gráfica para dominar esse mercado.

Isso fez com que o artista mudasse sua carreira para a modelagem 3D e começasse a criar monstros e personagens tridimensionais recheados de efeitos especiais, tanto para games quanto para grandes filmes, até mesmo junto à Disney.

O artista será um dos palestrantes do Pixel Show, onde mostrará seus principais trabalhos. Não vale perder essa, hein!

Conheça mais sobre ele agora.

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[Zupi] Gostaria que você, primeiramente, contasse um pouco sobre a sua vida.

Bom, eu sou diretor de criação de personagens para filmes. Comecei em 1983 fazendo maquiagem e efeitos especiais em Toronto, o que fiz até 98. Nos anos 90, uma onda nova estava surgindo na indústria do cinema e ninguém sabia o porquê ou o que era.

Eu tinha um estúdio onde fazia as maquiagens, mas quando percebi que os filmes estavam se tornando mais cheios de efeitos, tecnologias que podiam aprofundar os temas no cinema, eu comecei a ir atrás de computação gráfica, então voltei a estudar.

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[Zupi] Como foi o começo da sua carreira com modelagem e efeitos especiais no cinema? Por quais tipos de dificuldades você passou?

Para explicar isso, preciso voltar lá para os anos 70. Naquela década, houve um boom na indústria da maquiagem, havia vários estúdios grandes, centenas de outros menores e foi algo que cresceu muito nos anos 80.

De repente surgiu essa coisa nova, a computação gráfica (CG) e, com ela, a maquiagem decaiu, pois não era mais tão procurada. Com isso, a indústria cinematográfica começou a exigir mais e mais dos produtores, o que fez com que a CG virasse uma inimiga.

Eu, por ter ido pra essa área, também virei um inimigo. Assim, começaram a rumores sobre mim, eu virei um alvo dos estúdios pequenos e essa foi minha maior dificuldade.

Lá achei que ia escapar do universo cinematográfico e me foquei nos games, mas o que eu não sabia é que lá era a cidade de maior produção de filmes da Disney.

[Zupi] Quando você percebeu que ia seguir na carreira de efeitos especiais e modelagem 3D?

Percebi no meio dessa transição da maquiagem para os efeitos especiais e quando me instalei nessa cidade.

Foi quando todo mundo ficou sabendo que eu estava por lá e, então, comecei a trabalhar em animação para a Disney. Foi aí que tive que voltar para a escola e aprender tudo isso que estava perdendo.

Era a época de Jurassic Park, o filme de Spielberg que foi um marco nesta história, pois utilizou tanto a tecnologia tradicional, com robôs em forma de dinossauros gigantes, quanto a CG, que estava apenas surgindo.

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[Zupi] Trabalhando na indústria do cinema você deve ter cruzado com muitas figuras conhecidas. Teve alguém que você ficou muito feliz por conhecer pessoalmente?

Na minha profissão, trabalhei com muita gente famosa como Al Pacino e Marlon Brando. Conheci todos eles, mas quem eu tive um enorme prazer de conhecer foi Rick Baker, um grande maquiador e supervisor de efeitos especiais americano.

Outro que eu sempre quis fazer contato, mas nunca tinha a chance, foi George Miller, diretor de Mad Max. Cheguei na Austrália para fazer o Happy Feet 2 e lá estava ele. Steve “Spaz” Williams também foi mais um com quem adorei trabalhar, fiz Selvagem (da Disney) e ele era o diretor.

Spaz foi o primeiro a fazer um teste de animação de dinossauro e, quando mostrou para Spielberg, seu trabalho foi parar direto no Jurassic Park.

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[Zupi] Conte um pouco do seu processo de criação e desenvolvimento de personagens.

O meu processo é basicamente o tradicional, não há nada que seja muito diferente que os outros fazem. Primeiro acontece uma reunião com diretor, diretor de arte e produtores, depois conhecemos o projeto e o roteiro por inteiro para poder aprender a fundo sobre o personagem ou o monstro que vou criar.

Então vou fazer o desenho original no papel, que é onde começa a idéia, responsável por 99% do processo criativo.

Eu gosto de fazer no papel porque é prático, rápido, o custo é bem menor e ajuda a descobrir o simulacro do resultado final.

Depois disso, o desenho vai para o design final, feito no computador. Antigamente era feito com argila, tínhamos as maquetes, as esculturas, mas hoje é tudo praticamente feito com CG.

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[Zupi] Você prefere desenhar pessoas reais ou personagens bizarros como monstros e alienígenas? Por quê?

Não tenho nenhuma preferência por um tipo de personagem ou outro, mas eu gosto muito de desenhar monstros. Esses personagens bizarros dão maior liberdade para nossa imaginação, que fica solta para fazer o que quisermos e, por isso, acaba sendo mais divertido.

Mas em alguns projetos, como 300, não dava pra mudar muito, pois os monstros tinham que ser muito realistas e ainda tinha a base dos quadrinhos para adaptação, por isso era um projeto mais preso.

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[Zupi] Qual é, para você, o futuro do Brasil no mercado de modelagem 3D e efeitos especiais?

O Brasil é um lugar interessante para esse mercado, mas ainda tem algumas barreiras. Os maiores pontos contra a indústria da modelagem e dos efeitos especiais talvez sejam o estado político do Brasil e as leis trabalhistas, que criam obstáculos de entrada para as empresas se instalarem e desenvolverem essa tecnologia aqui.

A favor do mercado, a cultura brasileira é recheada de referências em anatomia, coisa que não acontece lá fora e faz com que o pessoal corra atrás depois de adulto. Por isso que tem tanto artista brasileiro em destaque nesse mercado, mas não trabalhando aqui no país.

O problema do Brasil é que os artistas são muito bons, até por conta da qualidade de novelas e filmes que saem daqui, mas ninguém vai atrás da indústria Sci-Fi, que é algo que dá dinheiro e gera interesse do público.

Onde está o horror, a ficção científica, se o brasileiro é um povo tão imaginativo? A base da indústria cinematográfica está no horror, nos monstros, já que é isso que gera dinheiro e a faz crescer. Você pode pegar exemplos clássicos como Frankenstein, Nosferatu, A Múmia, que são filmes de sucesso com o tema. A pergunta que resta é: o que falta para o Brasil fazer esses filmes?

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[Zupi] Qual seu projeto preferido? Tem algum personagem que você se identifica?

Projeto preferido eu não tenho nenhum, mas os mais marcantes foram Happy Feet 2, no qual trabalhei na Austrália com George Miller. 300 também foi um projeto muito legal, assim como Viagem ao Centro da Terra 3D.

Quantos aos personagens, acho que o mais marcante talvez tenha sido o Kazar do Selvagem, pois foi o primeiro projeto em que eu pude realmente fazer o que eu queria, com total apoio do diretor, Steve “Spaz” Williams.

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Gostou do trabalho dele? Acesse o portfolio do artista aqui: César Dacol Jr.

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