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Bruno Dellani
Fortaleza, CE

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Para começar, quem é Bruno Dellani, segundo o próprio?

Boa pergunta… Desenhista desde sempre, fã de quadrinhos, desenhos animados e arte. Tirando isso não sei o que sobra. Trabalho desde 96 na área de confecção desenvolvendo estampas, passei um curto período trabalhando de forma técnica, não agüentei e voltei a trabalhar com criação – essa é realmente minha área.

[Zupi] Em que momento você optou por se tornar designer gráfico e que caminho você trilhou para tanto?

Sempre gostei de desenhar, mas até os 18 anos não tinha idéia de como ou qual seria o meu futuro profissional. Não imaginava que esse meu gosto por desenho e artes pudesse se tornar ou vir a ser a minha profissão.

Surgiu uma oportunidade de trabalho em uma confecção para finalizar desenhos para estamparia. Fazia essas artes à mão e em filme de recorte. Depois comecei a trabalhar com programas gráficos, mas ainda não via esse trabalho como profissão.

Aos poucos fui investindo em cursos de desenho, arte, quadrinhos, animação. Comprei livros e materiais de estudo. Estudava por conta própria. Aqui em Fortaleza, na época 95/96, não havia curso superior nas áreas relacionadas às artes ou design.

Em 2001, ingressei num curso de Design Gráfico numa escola que se propunha a formar profissionais (técnicos) tanto nas áreas de design gráfico como publicidade. Posso dizer que esse foi o meu primeiro contato realmente didático com a profissão e com profissionais bastante renomados na área. O curso durou dois anos e foi onde percebi a importância do trabalho: design é profissão e era o que eu realmente queria.

[Zupi] Como você descreve o seu estilo de trabalho?

Estilo? Bem, nunca pensei em seguir um estilo próprio. Acho um pouco perigoso o designer ter ou seguir um estilo. Para mim, tudo depende do tema abordado, da necessidade da peça ou coleção que esteja sendo desenvolvida. Exatamente por medo de ficar “preso” a um estilo, nos próximos meses farei algumas experiências mais artísticas. Para mim, tudo depende do tema abordado, da necessidade da peça ou coleção que esteja sendo desenvolvida.

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[Zupi] O que serve de inspiração na hora de criar?

O tema em si. A pesquisa envolvida. Como meu trabalho é mais voltado à área de confecções, os temas sempre trazem propostas visuais interessantes e que são abertas a muitas experiências.

[Zupi] Existem artistas e profissionais nos quais você se espelha?

Tirando os que já são unanimidade nesse quesito, como Rafic Farah, Elesbão e Haroldinho e Alexandre Wollner, tem uma galera mais recente em que estou sempre ligado e que admiro bastante. Posso citar Eduardo Recife, Nelson Provazi, Felipe Guga, Nando Costa e Guilherme Marconi.

Ultimamente tenho me sentido muito tentado a começar a trabalhar com vídeo, desenvolvendo vinhetas, clipes, assinaturas eletrônicas, por isso o pessoal da Lobo me inspira bastante, sem falar no visual de alguns canais a cabo, como a Sony, AXN, MTV, Fox, National Geaografic. Trabalhos muito bons. Acho o design aplicado ao audiovisual um caminho muito interessante a trilhar.

[Zupi] Você acredita que durante a sua trajetória profissional até agora o estudo foi o mais importante ou foram as experiências que o fizeram realmente crescer?

Tanto um como outro. Dentro da minha formação, posso dizer que comecei experimentando, depois veio a necessidade da formação. Agora tenho as duas necessidades, por isso estou sempre estudando e experimentando a todo momento.

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[Zupi] A falta de experiência pode atrapalhar a força criativa? Como superar esta barreira?

Sim e não. A experiência nos ensina a melhor forma de contornar certos problemas. Acredito que criatividade está bastante ligada à experiência, mas às vezes podemos confiar demais em nosso conhecimento e tomar decisões não tão adequadas. A inexperiência às vezes ajuda na nossa necessidade de mudança. Entramos no assunto de mente aberta e conseguimos encontrar soluções novas. Uma boa forma de superar esses extremos é estar sempre de mente aberta, estar sempre atento ao mundo e nunca pensar que “já sabe de tudo”.

[Zupi] Como você avalia o trabalho do Bruno no início de carreira em comparação com o do Bruno de hoje?

Como sempre trabalhei dentro da área de desenvolvimento de estampas, parte dessa formação continua a mesma, o que difere hoje em dia é a consciência da importância do meu trabalho dentro da empresa e da criação envolvida. Na verdade, a maior diferença é que hoje tenho mais consciência de que ainda há muita coisa pra explorar dentro do design gráfico.

[Zupi] Muitos artistas deixam o Brasil em busca de melhores oportunidades mundo a fora. O que falta ao nosso país?

De tradição dentro do que se entende por design e sua importância, são poucas as empresas e pessoas que sabem do que trata o “design”. Essa falta de mercado consciente tem feito possíveis clientes buscarem sempre as soluções mais rápidas, fáceis e baratas, para o desenvolvimento e divulgação de seus produtos, desestimulando e sub valorizando o profissional local.

[Zupi] O Brasil tem potencial e estrutura para auxiliar o desenvolvimento dos talentos nativos? O que precisa ser mudado?

O Brasil tem bastante potencial profissional, já sobre estrutura acho que ainda tem muito para se desenvolver. Não falo só com relação à formação, mas também sobre o mercado. O que precisa ser mudado é a consciência sobre o papel do profissional. A partir do momento em que surgem mais oportunidades de trabalho, certamente a qualificação profissional seria incentivada. Talvez campanhas, programas e periódicos ajudassem na divulgação do design. Ou até mesmo projetos de incentivo que auxiliassem pequenas empresas a investirem na área.

[Zupi] Imaginando que você tivesse carta-branca do governo federal para investir no design brasileiro, que tipos de projetos você implantaria?

A regulamentação seria uma boa… E não só isso, acho que não só para o design, mas sim em artes e comunicação em geral. Sei lá, imagino cada estado com uma faculdade especializada nesses setores, do design às artes plásticas, publicidade, fotografia, cinema, TV/Vídeo…Ops, quase caio da cama!

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[Zupi] Qual conselho você daria aos jovens que pretendem ser designers profissionais?

Estudar, procurar se profissionalizar, desenhar muito (pra quem gosta, isso ajuda), ter muita paciência, saber ouvir a opinião dos outros e bastante humildade, se possível, pois a área de criação às vezes passa uma falsa supervalorização. Design é muito importante, mas é bom saber que é apenas uma parte do processo.

[Zupi] Algum comentário final?

Agradeço e parabenizo a Zupi pelo trabalho que vem fazendo, tanto online como em seus projetos editoriais, ajudando a divulgar novos profissionais e o próprio design em si.

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