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Bruna Canepa
São Paulo, SP

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Bruna, você tem familiares ligados à arte; isso foi decisivo na sua carreira? O dom do desenho já nasceu com você?
Com certeza foi decisivo. Mas não vejo o dom do desenho como algo que nasce com você. Penso que o ambiente onde você cresce favorece, ou não, suas qualidades artísticas. Acredito muito que estar num ambiente criativo, e que te dê a possibilidade e o espaço de imaginar e criar desde sempre, te favoreça a desenvolver essas qualidades. Acho que todos podem ter esse “dom”, mas ele precisa ser despertado e incentivado. E talvez esse despertar venha sozinho, sem ajuda ou empurrão de ninguém. Não acho que o dom do desenho seja uma graça divina (risos).
Além disso, minha mãe sempre deu liberdade para fazer quase tudo em casa. Minha casa é pequena, mas ela sempre cedeu os espaços para usar para o que fosse preciso e fazer bastante bagunça. Acho isso essencial.

[Zupi] Como filha de Kiko Canepa, acha que ele teve foi um apoio importante para a sua arte? Brinca desenhando com o seu pai? Como é a relação de vocês? E os seus irmãos? Vocês juntam as suas aptidões artísticas nas reuniões familiares?
Sim, um apoio muito importante. Nunca fiz aulas de desenho fora, sempre dentro de casa. Tudo que ele pôde me ensinar, ensinou. E ainda ensina. Pois nunca se sabe tudo, e o tudo, nunca é suficiente. As brincadeiras com meu pai e minha irmã sempre tiveram muita relação com coisas criativas. Como eu e minha irmã nunca moramos com ele, as férias eram a época de explorar isso ao máximo. Fazíamos teatrinhos improvisados com bonecos, esculturas com gesso e chumbo, mini-móveis de madeira para as barbies, pizzas caseiras, pinturas em telas gigantes, e até programas de TV inventados. Vejo isso como parte muito importante da nossa infância.
De vez em quando nossos gostos não concordam. Tem trabalhos do meu pai que eu não gosto tanto, e coisas minhas que ele também não gosta. Mas acho isso fundamental para olhar com outros olhos certas coisas, e quem sabe evoluir.

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[Zupi] Há algum momento da sua infância que tenha marcado o desenvolvimento do seu trabalho? Alguma referência em particular que você se lembre?
Acho que as visitas às marcenarias. Eu e minha irmã passamos a infância visitando esses espaços com meu pai, e a madeira é um dos materiais que acho mais impressionantes para trabalhar. Praticamente todos os nossos móveis foram desenhados ou feitos por ele. Sempre achei isso muito bonito. Meu pai faz móveis belíssimos e eles estão na minha casa até hoje, gosto muito dessa sensação. E vejo que essa lembrança se reflete nas esculturas de madeira que estou começando a fazer com mais frequência, e até em trabalhos de arquitetura para a faculdade.

[Zupi] Você ainda estuda, verdade? O que dizem os professores do seu trabalho?
Sim, estudo arquitetura. Na verdade sou um pouco tímida e às vezes insegura para mostrar as coisas para os professores. Acho que nunca mostrei nada dos trabalhos pessoais para eles. Apenas coisas que faço na faculdade, desenhos de projetos, plantas, cortes, perspectivas e desenhos de observação. Gosto muito de fazer desenhos técnicos de arquitetura.

[Zupi] Quais as suas influências?
Um dos meus grandes ídolos é o Daniel Johnston. Além de fazer música, acho seus desenhos impressionantes. São simples e surreais. Considero ele um gênio, e sempre será uma influência. Estou acompanhando também o trabalho da Gemma Correll, que minha irmã me indicou. Gosto muito dessa onda de desenhar seu dia-a-dia e as coisas que anda fazendo. Isso está borbulhando nos flickrs de vários desenhistas, acho demais. Ela tem um traço infantil e singelo que me agrada muito. Também aprecio o trabalho do Matt Leines, ele é muito talentoso. Faz uns desenhos de homens barbudos com uns animais que parecem ter vindo de um conto medieval, com cores muito bonitas. Dá vontade de ir passear e guerrear nesse lugar/ história que ele criou. Também gosto muito do Rui Tenreiro, Matt Furie, Maxwell Holyoke-Hirsch e um monte de outras impressões que fuço na internet. Não consigo lembrar de todos para colocar aqui.

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[Zupi] Por que nos seus desenhos coloridos predominam as cores amarelo, vermelho e azul?
Tenho um especial apreço pelas cores primárias juntas. São as cores básicas. Acho que elas ficam muito bem sozinhas. Às vezes até tento fugir disso, mas raramente acho que outra combinação de cores cai melhor.

[Zupi] Você sonha com poder marcar o seu trabalho autoral? Como você vê as exigências do mercado de arte?
Não sonho com isso. Apenas procuro ser decente e não fazer trabalhos picaretas. Acho o mais importante. Ainda estou me descobrindo e experimentando, e acho que estou longe de atingir meu auge. Não acho legal seguir a linha do mercado para se dar bem. Trabalhos baseados nisso não se sustentam.

[Zupi] Gostaria de trabalhar em algum lugar específico? Ou com alguém em especial? E um país? Algum que queira explorar para recolhaer ideias e influências?
Gostaria de trabalhar, em algum momento da minha vida, numa oficina de móveis de madeira. Talvez a Escandinávia seja o lugar perfeito para isso (risos).

[Zupi] A concorrência artística hoje em dia é bem forte. Qual é a sua ideia para se diferenciar e se posicionar no mercado?
É muito forte, e tem muita gente boa. Mas acho que tem espaço para todos também. Como falei em cima, acho difícil se manter não fazendo um trabalho verdadeiro. Procuro fazer minhas coisas ao meu modo, e penso que assim que as coisas interessantes chegam a você. Esse papo é batido, mas é necessário se distanciar da picaretagem e fazer o que realmente te inspire e o que ache legal. Cada um encontra seu nicho em algum momento se o trabalho for feito com respeito.

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[Zupi] Você utiliza vários elementos gráficos, óculos, ovos estrelados, café… Isso dá a sensação que qualquer coisa pode ser uma inspiração para você. Como é que é o processo de construção das suas ilustrações e como você desenvolveu esse estilo?
Sim, eu penso que qualquer coisa pode servir de inspiração. Não existe um processo exato. Penso em coisas e na diagramação delas na folha. E a partir daí as desenho. Raramente sento para desenhar sem uma ideia na cabeça, mesmo que para trabalhos encomendados. Sento para desenhar quando já estou pensando em algo. Costumo formular as coisas antes de partir para a prática. E acho que esse estilo foi se desenvolvendo ao longo do tempo. Quanto mais você trabalha mais você sabe o que quer ou não no seu desenho.  E acho seu traço vai se moldando a partir disso.

[Zupi] Quais são os materiais que você utiliza, e quais gostaria de começar a usar e experimentar?
Estou usando basicamente nanquim e papel vegetal, além de estar fazendo algumas esculturas em madeira. Pretendo desenvolver principalmente isso. Mas gostaria de tentar de verdade a usar tinta, começando por acrílica, que tem uma aparência mais chapada.

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[Zupi] O seu flickr se chama Zucot. De onde vem esse nome? Tem algum significado especial? E Suppaduppa, do seu portfolio?
Zucot é o nome de um sorvete italiano que vendia no clube de golfe que minha nonna frequentava. E não era um sorvete qualquer, era um sanduíche de sorvete. Eu e minha irmã íamos com ela neste clube e o melhor momento era quando a gente saia da piscina com um enorme calor e ia correndo comer um zucot.  Já o meu site pessoal, está hospedado no Suppaduppa, site que tenho com meus 3 amigos. O Suppaduppa é um site que criamos para expor e compartilhar tudo que gostamos sobre todos os tipos de assuntos. E nele tem uma lojinha com posteres, camisetas e outros produtos que nós mesmos criamos. É um coletivo de 4 amigos, mas levamos a sério o site, como um trabalho.

[Zupi] Então, quem integra o seu coletivo junto com você?
Sou eu, Bruna Canepa, a minha irmã, Clara Canepa, Denis Fujito e Flávio Seixlack.

[Zupi] Até agora fez trabalhos para quem e o quê?
Já fiz trabalhos para revistas, para acervos pessoais, para exposições.  Fiz coisas que gostei mais, coisas que gostei menos…haha.

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[Zupi] Você utiliza várias técnicas nas suas obras. Como é que você as desenvolveu e as combina?
Costumava usar muito recorte em papel. Cortava tudo cirurgicamente para dar a ideia de que os recortes fossem pinturas chapadas. Mas me enchi disso há um bom tempo. Passei a usar apenas nanquim e quase nada de cor. E meu papel preferido para trabalhar é o vegetal. Pois ele não absorve o nanquim como o canson. O nanquim fica na superfície e forma uma placa de tinta preta bem escura, que é o que eu mais adoro na combinação desses dois materiais.

[Zupi] Qual é a expansão que você quer dar ao seu trabalho e à sua pessoa? E quais são os seus projetos em um futuro próximo?
Não sei exatamente que expansão quero dar ao meu trabalho. Mas mais um vez, não penso em nada muito grandioso, mas sim em algo bem feito. Feito com prazer. Acredito muito nisso. Desejo sempre me distanciar da mediocridade. Então, passando longe disso, estarei feliz. Esse objetivo sempre fará parte dos meus projetos.

[Zupi] Para finalizar, tem alguma coisa que você queira acrescentar?

Sim! Pretendo organizar meu site assim que eu entrar de férias! Ele precisa de uma reformulação urgente, e minha irmã vai me ajudar a fazer algo bem legal. É uma promessa para ser cumprida antes de 2010 chegar.

E obrigada pelo convite!

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