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Boca Ceravolo
Brasil

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[Zupi] Boca, pra começar, uma curiosidade: de onde vem seu apelido?

(risos) Na verdade, esse apelido vem da época do colégio. Quando mudei de escola, no colegial, meus novos colegas me deram vários apelidos e o que acabou colando foi “Boca”. Acho que é uma combinação entre eu ter uma boca grande e falar um pouco além da conta. Tenho sido “Boca” desde então.

[Zupi] Quando você começou a se interessar por arte? Qual sua primeira memória relacionada a isso?

Minha família como um todo e meus pais, especificamente, sempre se interessaram bastante por arte. Ambos tinham como hobby a pintura, e desde pequeno frequentei – muitas vezes contra a minha própria vontade – museus e exposições. Acho que estas visitas me influenciaram bastante. Também sempre gostei muito de desenhar e às vezes imitava meus pais, me arriscando na pintura.

Acho que a minha primeira memória relacionada a isso é de uma visita ao MASP. Lembro de chorar pelos corredores querendo ir embora, enquanto minha mãe falava pra eu ficar quieto e apreciava algum quadro.

 

[Zupi] Quando criança, você via muitos desenhos animados? Se sim, cite alguns que foram especialmente significativos pra você.

Eu não assistia muita TV quando criança (meus pais eram contra o excesso de TV, diziam que “derretia” o cérebro, e eu em boa parte concordo), mas era vidrado em desenhos animados. Gostava bastante de Tom & Jerry, Tintin, Babar e os da Hanna Barbera.

[Zupi] Qual foi o caminho traçado até você decidir que queria cursar Design Gráfico? Na época, você já cogitava trabalhar com motion design?

Como eu sempre gostei de desenhar, achei que o caminho natural fosse fazer algum curso relacionado a isso na faculdade. Ainda não conhecia o Design Gráfico, então achei que deveria fazer Publicidade. Como estava meio confuso, resolvi fazer um curso vocacional, e foi então que tive meu primeiro contato com Design, na época chamado de Desenho Industrial.

Me interessei pelo curso e resolvi pesquisar um pouco mais. O curso vocacional também indicou que Desenho Industrial talvez fosse a melhor opção para mim. Achei a ideia interessante e resolvi prestar o vestibular. Na época, nunca tinha ouvido falar em Motion Design, até porque era uma área desconhecida por muitos, até por pessoas que já trabalhavam com isso.

 

[Zupi] Você passou um tempo no Canadá e Europa, estudando e trabalhando. Conte pra gente como foi essa experiência e como avalia o mercado brasileiro de motion, em comparação com o que rola por lá?

No total, foram três anos fora: pouco mais de um ano em Vancouver, no Canadá, onde estudei Digital Design na VFS (Vancouver Film School), e dois anos em Copenhague, na Dinamarca, onde trabalhei como Motion Designer em um estúdio chamado THANK YOU.

Foi uma experiência muito boa, tanto profissional como pessoal. Ralei e aprendi muito em Vancouver, onde realmente descobri que a minha coisa era Motion Design. Conheci pessoas incríveis, muito talentosas, e fiz amizades que com certeza carregarei pela minha vida toda.

Na Dinamarca foi onde mais me desenvolvi profissionalmente. Foquei muito no trabalho e acabei ficando meio workaholic, talvez pelo fato de não ter família e amigos por perto. O trabalho acabou virando uma bengala, o que foi ótimo e um pouco estressante também. Aproveitei para viajar muito e conhecer muitas culturas diferentes, tanto na Europa como em outros continentes e, assim como no Canadá, conheci pessoas excepcionais, tanto no âmbito profissional como no pessoal.

Quanto ao mercado específico de Motion, acho que nem o Canadá nem a Dinamarca estão muito à frente do Brasil. Tem muita coisa boa saindo daqui e tomando o mundo, temos estúdios conhecidos mundialmente e o Brasil está na moda no mundo criativo. Mas acho que a maior diferença é que, lá fora, há uma preocupação maior com Motion Design. É uma área mais difundida, não tratada apenas como pós-produção ou efeitos especiais. Apesar de serem áreas similares, não são a mesma coisa. O cliente e as agências entendem melhor o que é Motion Design, e muitas vezes se tem maiores prazos (e budgets) para a execução dos projetos, o que influencia diretamente a qualidade do produto final. Aqui, muitas vezes se prioriza a quantidade em vez da qualidade, o que é uma pena.

 

[Zupi] Em seu site, você diz que hoje em dia é Diretor/Designer/Animador e Ilustrador nas horas vagas. Você faz tudo sozinho? Quais os maiores desafios e vantagens de se ver nessa situação?

(risos) Pois é, hoje em dia tem que se fazer de tudo um pouco! Dependendo do projeto, posso fazer tudo sozinho, sim; mas sempre que posso procuro trabalhar em equipe, pois acredito que duas (ou mais) cabeças pensam melhor que uma. Quando você trabalha sozinho, muitas vezes fica tão bitolado no projeto que não consegue ver alguns aspectos que poderiam melhorar.

Acho que os maiores desafios são conseguir se administrar, ter organização para não pular etapas e não prejudicar o processo criativo e as entregas. A maior vantagem é não ter que depender de outras pessoas para tocar os projetos.

 

[Zupi] Você tem – ou já teve – vontade de trabalhar com cinema? Quais suas principais referências nessa área?

Trabalhar diretamente como cineasta acho que não. Talvez no futuro, criando filmes de animação e aberturas de filmes. Me interesso muito por essa área do Motion Design.

Minhas principais referências são os clássicos Michel Gondry e Tim Burton. Também gosto bastante do Guy Ritchie, Gus Van Sant e Spike Jonze.

[Zupi] Fora das áreas de motion graphics e design, o que você citaria como inspirações importantes em seu trabalho?

Gosto muito de Art Nouveau e de Construtivismo, assim como de Street Art. Acho que a ciência também me inspira, eventualmente. Sou viciado em programas do Discovery Channel e gosto muito de infográficos. Mas acho que o que mais me inspirou nos últimos três anos é o minimalismo escandinavo, com o qual convivi muito no período em que trabalhei em Copenhague. É realmente impressionante como eles conseguem fazer tanto com tão pouco.

[Zupi] Pode falar um pouco dos seus projetos atuais? E para o futuro, quais os seus desejos e expectativas?

Atualmente eu estou tocando alguns projetos na NewContent, onde trabalho como Diretor do departamento de Motion Design, e ao mesmo tempo estou tentando tocar dois projetos pessoais nas minhas horas vagas. Um é um videoclipe colaborativo para uma banda portuguesa, que estou fazendo com outros seis motion designers espalhados pelo mundo; o outro é uma nova identidade visual e abertura para um festival de design.

Sobre o futuro, não sei; espero conseguir continuar balanceando projetos pessoais com profissionais. Quem sabe morar fora por mais um tempinho, e talvez ter meu próprio espaço/estúdio, algum dia. Por enquanto estou satisfeito.

[Zupi] Pra fechar, qual a sua dica para quem está começando agora?

Estude bastante, busque referências, tente aprender algo novo todos os dias. Envolva-se com as pessoas e com a indústria. Aprenda softwares, mas balanceie com a parte teórica. Em design e animação, qualquer pessoa pode apertar um botão. O segredo é como aplicar esse botão. Não tenha medo ou vergonha de correr atrás, as conquistas são os fins, não os meios.

Se não conseguir da primeira vez, tente de novo. Eventualmente as coisas dão certo!

 

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