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Foi o amor que o fez mudar-se do Ceará para São Paulo, há quatro anos. Para ficar perto da esposa, Bill Queiroga chegou à Cidade Cinza e trouxe em sua bagagem muita criatividade – fermentada por um ambiente familiar artístico e pela graduação em comunicação, em 2010. Na maior cidade da América Latina, tornou-se diretor de arte de uma das maiores agências de publicidade do Brasil, a AlmapBBDO, e descobriu-se artista plástico no fim do ano passado.

Aventurando-se por esse mundo novo, a ideia é tentar manter as coisas o mais fora do controle possível para que a fluidez da criação seja melhor. Dessa maneira, expressa, em sua arte, seu desejo de liberdade, de criar além de um briefing. Confira o bate-papo que tivemos com Bill a seguir!

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Como foram os seus primeiros contatos com a arte? É algo que vem desde sua infância?
Num primeiro momento, a família teve uma grande influência sim. Cresci num ambiente familiar muito talentoso, tudo muito simples. Havia músicos, pintores, escritores e publicitários. Criativamente era um lugar perfeito para você começar a desenvolver alguma aptidão. Essas influências acabaram se confirmando quando entrei na faculdade de comunicação. Desde 2010, trabalho como diretor de arte. Mas foi no final de 2014 que comecei a externar mais esse desejo de criar além da agência.

O que te fez mudar do Ceará para São Paulo há 4 anos? Está gostando da Cidade Cinza =)?
Vim pra São Paulo pra ficar perto da minha esposa. Na época, namorava à distância há dois anos. Vivíamos nessa “ponte-aérea” caríssima Fortaleza-São Paulo. Chegou um momento em que a saudade ficou grande demais e resolvi mudar de vez. O bom é que, vindo pra São Paulo, existia a possibilidade de trabalhar em grandes agências, num mercado forte, e profissionais que eu admirava bastante. São Paulo é uma cidade incrível. Uma cidade que te inspira e te transforma. É muito bom fazer parte de um sistema que está em frequente mudança, recheado de referências por onde você anda. Arte de rua, moda, arquitetura, música, moda, são coisas que estão acessíveis, tendo grana ou não. E isso faz dela única.

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De onde (e/ou de quem) vem sua inspiração para criar os trabalhos?
É difícil definir um ponto de partida. Não existe um processo. Tento manter as coisas o mais fora do controle possível, porque assim acho que a criação flui melhor. O trabalho acaba assumindo um diálogo imediato, franco, sentimental. Às vezes, uma frase, um filme, uma história, é o necessário pra começar alguma coisa. Gosto de ver o que os outros estão fazendo. Isso é instigante. Tem uma galera foda que tira sua percepção do lugar do comum: Mozart Fernandes, Rodrigo Branco, Pedro Saci, Jorge Torres Galvão, Vacilante, Urso Morto, Antony Micallef, Manoel Quitério, isso só pra citar alguns. Tudo isso acaba de certa forma influenciando e inspirando o que eu faço.

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E quanto às frases presentes nas obras, de onde elas vêm?
As frases são um suporte que gosto de usar pra criar um diálogo com quem vê. É um aspecto de conexão e reflexão. Gosto que as pessoas criem identificações com cada uma delas. Que busquem seus próprios significados. Além desse contexto poético, eles também estão ali como parte gráfica. Assumem junto das cores, dos desenhos, dos símbolos uma unidade. Geralmente é algo que ocorre na hora. Uma colocação que minha mulher fala, conversas na rua, panfletos no chão, observar é parte de um exercício constante e isso acaba sendo absorvido de alguma forma.

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As artes plásticas, para você, são mais um escape, um hobby ou uma profissão (ou um pouco dos três)?
Já existia o desejo de criar além da publicidade. Por ser uma profissão que absorve muito, tanto fisicamente quanto mentalmente, eu queria encontrar uma outra forma de criar que não fosse através de um briefing. Um processo livre, sem amarras. Então a pintura tornou-se essa alternativa. E ela acaba assumindo todas essas características. É um escape, é uma terapia, é uma profissão. Mais do que tudo isso é a possibilidade criar algo livremente, não ficar preso a um processo rotineiro, onde muitas vezes não chegamos a lugar nenhum. Quando as pessoas começam a se sentir provocadas com aquilo você faz, isso te faz feliz. É um reflexo gratificante.

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