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Apolo Torres
São Paulo, SP

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[Zupi] Apolo, como você se apresentaria aos nossos leitores?
Sou um artista que não consegue trabalhar sem música.

[Zupi] Como um artista relativamente novo, provavelmente não tenha acompanhado de perto o princípio da arte urbana no país. Apesar disso, o que poderia dizer sobre a street art hoje?

Acho que a street art hoje deixou de ser um movimento de contracultura, underground e se tornou mainstream. Com exceção de algumas vertentes, a exemplo da pixação, que ainda são um pouco marginalizadas, a arte urbana já foi totalmente absorvida pela sociedade, pelos mercados e a tendência agora é banalizá-la cada vez mais. Até mesmo com a pixação está acontecendo um pouco isso, com a tipografia sendo usada em alguns produtos e pixadores alcançando o status, merecido, de artistas. Enfim, aos poucos a street art é vista com maior aceitação.

[Zupi] Fazendo parte de uma geração extremamente urbana, que se utiliza de elementos da cidade em seu discurso, na sua vida, e no seu caso, também na arte, acredita que, por essa razão, se respeita mais a street art hoje? E quanto a cidade tem para oferecer à sua arte?

Como você disse, faço parte de uma geração extremamente urbana e globalizada, e sendo assim, não há como minha arte não ser também, já que ela é a expressão do que vejo, do que vivo e do que sou. A street art usa a cidade como suporte para a apresentação do trabalho artístico. Eu me utilizo de tudo o que vejo na cidade como assunto nas minhas pinturas, inclusive a arte urbana, mas os habitantes e a arquitetura são referências muito mais importantes para meu trabalho do que a street art.

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[Zupi] Quais são suas referências? Quais as técnicas utilizadas em suas ilustrações e graffitis?

Minhas referências são o que vejo no dia a dia. Fotografo bastante e me utilizo desses frames para pintar. Também recorto todas as imagens interessantes que vejo em jornais e revistas. Faço sempre um sketch com a ideia da composição, depois busco uma referência mais concreta para cada um dos elementos presentes nesse banco de imagens.
Para os graffitis a técnica é tinta e improviso, mas isso é uma coisa que eu faço por diversão, muito raramente.

[Zupi] Acredita que hoje é possível se ter um estilo próprio trabalhando com várias referências e técnicas?

Eu acho que esse é o único caminho. Se você se apega a uma referência ou uma técnica, fica acomodado.

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[Zupi] Sua obra contém ilustrações para algumas campanhas publicitárias. O que tem a dizer aos artistas que reclamam da associação entre arte e mercado? É possível sobreviver da arte sem os contratos publicitários?

As ilustrações que desenvolvi para campanhas publicitárias e estampas de roupas não têm ligação com meu trabalho autoral. Salvo casos em que o cliente se interessa por uma imagem já pronta, e nesse caso não há influência dele no processo de criação. Porém, isso é muito raro de acontecer comigo.
Não vejo problema nenhum em ganhar dinheiro com o seu trabalho, essa é a única maneira de poder se dedicar a ele todos os dias, mas desde que se tenha liberdade de criação. Se você trabalha somente com encomendas de clientes acaba se tornando um instrumento, sem uma voz própria.

[Zupi] Ainda sobre o mercado, teria algumas dicas para fornecer a quem tem interesse em seguir a área?

Acho importante para o ilustrador iniciante fazer trabalhos para clientes. Por mais banal que às vezes possa parecer o projeto, sempre se aprende algo, e cada um requer uma técnica e uma pesquisa diferente. Depois da experiência adquirida, essas técnicas deixam de ser um desafio e se tornam ferramentas. Quando você faz um trabalho autoral, então, pode voltar sua atenção para o conceito e o estilo.

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[Zupi] Além dos elementos urbanos, personagens suburbanos e a periferia também são retratadas em suas ilustrações. Qual a razão de mostrar esse universo? O que ele tem a ver com a sua realidade?

Na rua onde moro e nas ruas por onde ando as pessoas e as casas são assim. Quando abro a janela e olho a paisagem, é isso o que eu vejo. Na cidade onde moro essa é a realidade da maioria, até por isso, não acho que “subúrbio” e “periferia” sejam as palavras ideais, porque essa arquitetura e esses personagens estão por todas as partes da cidade. Estão lado a lado com os bairros ricos e grandes edifícios, não somente em regiões periféricas e suburbanas. Quando chove e os rios transbordam, toda a cidade sofre as consequências, não só a periferia.

[Zupi] Você teve uma formação universitária no curso de Desenho Industrial. Qual relevância a graduação teve para sua arte? Na sua opinião, é fundamental ter esse estudo na carreira?

A graduação foi fundamental para mim, mas não no sentido de ensinar a desenhar, mas sim para mostrar caminhos no exercício da profissão. Por esse motivo acho a faculdade importante, em especial o Desenho Industrial, por se tratar de um curso muito abrangente. Talvez se tivesse estudado artes plásticas, por exemplo, não pudesse dizer o mesmo.

[Zupi] Para fechar nosso bate-papo, o que a arte mudou na sua vida e na sua visão sobre as coisas que te envolvem?

É difícil responder essa pergunta, pois a arte sempre fez parte da minha vida, desde criança. Para simplificar, eu sempre retratei o que vivi nos meus desenhos.
Agradeço pela oportunidade e um grande abraço.

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Confira mais trabalhos aqui

Veja mais ilustrações de Apolo na galeria abaixo.

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