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Allan Sieber
Rio de Janeiro, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Allan, como foi a sua trajetória profissional?

De 1993 a 1997 eu fazia o zine/revista Glória, Glória, Aleluia!. Em 1997, comecei a publicar a tira Bifaland, no extinto caderno Zap! do Estadão e, desde 2000, publico na Folha de S. Paulo.

[Zupi] Quando você decidiu abrir a produtora Toscographics?

Comecei em 1999, quando pintei na porta do escritório da minha casa, em Porto Alegre: Toscographics. No final desse mesmo ano vim para o Rio de Janeiro e abri “oficialmente” a produtora. Atualmente a equipe é formada por mim, Denise Garcia (que mora em Berlin, no momento), João Cabral e Tiago Lacerda. Fizemos alguns curtas como Deus é Pai, Os Idiotas Mesmo e Santa de Casa. Também temos alguns trabalhos com Jorge Furtado como as animações do filme O Homem que Copiava e as animações da série A Invenção do Brasil.

[Zupi] Quais as maiores dificuldades envolvidas em um empreendimento próprio?

Manter a produtora de pé sem fazer publicidade o tempo inteiro e tentar viver dos projetos autorais que temos. Não gostaria de fazer animação de sabão em pó para viver.

[Zupi] Você considera as suas tirinhas “politicamente incorretas”? Há algum termo que possa definir melhor o seu trabalho?

Não considero. Definições são sempre um problema, mas vamos lá: algo como Humor Livre.

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[Zupi] Quais os cuidados que o quadrinista deve tomar na execução de uma tirinha com esse teor de humor?

Ele deve evitar ofender pessoas que morem perto dele.

[Zupi] Você já passou por alguma situação do tipo?

Não. Geralmente os caras me “peitam” pela internet, onde – como todo mundo sabe – só tem machão e pessoas corajosas. Ao vivo o quadro muda um pouco.

[Zupi] Quais são as suas maiores influências no gênero?

Jaguar, Millôr, Crumb, Schiavon e Fabio Zimbres.

[Zupi] O que mais te inspira na hora de executar o seu trabalho?

A urgência. Só trabalho na última hora.

[Zupi] As suas tirinhas criticam vários aspectos do ser humano no meio social (consumismo, rotina, hierarquias). Mesmo assim, o seu trabalho ganhou destaque e fãs. Em sua opinião, por que as pessoas vêem graça quando o cotidiano é trazido à tona e suas atitudes banalizadas?

Eu acho que as pessoas se reconhecerem em situações idiotas que elas vivem. É saudável rir de você mesmo.

[Zupi] Você já foi estagiário e passou por situações como as de Oséias – personagem da tirinha Vida de Estagiário?

Nunca fui estagiário. Mas já fui office boy.

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[Zupi] O fato de você ter sido office boy foi a sua grande inspiração para a elaboração das tirinhas do Oséias?

É, pode se dizer que sim. Eu levava horas pra fazer uma coisa que daria para ser realizada tranquilamente em 15 minutos. Pequenas vinganças.

[Zupi] Em sua opinião, o humor deve ter limites ou isso é uma “bobagem” de hipócritas?

Não deve ter limites óbvios, não ter amarras, para atingir um “público maior”. Mas cada cartunista sabe seus limites. É uma coisa pessoal. Humor é humor, sejam piadas sobre cadáveres ou sobre flores. O importante é ser engraçado. Eu evito falar sobre assuntos óbvios e desenhar cara de político. O importante é você não cair na cilada de chutar cachorro morto. Mas eventualmente acontece.

[Zupi] Alguma vez alguém ou algum grupo já se sentiu ofendido com alguma tirinha feita por você?

Que eu me lembre, somente evangélicos, católicos, defensores dos cães, vegetarianos, nazistas, racistas, jogadores de vôlei e amantes do esporte em geral.

[Zupi] O seu trabalho já sofreu alguma crítica depreciativa? Por quê?

Sempre sofre e eu acho muito bom. Sinal de que as pessoas reagem.

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[Zupi] Que tipo de crítica negativa você já leu ou ouviu sobre o seu trabalho?

Já me chamaram de racista, misógino, homofóbico e sexista. As pessoas são muito burras. Mas foda-se, sempre haverá uma vaga de funcionário público para esses idiotas.

Zupi] A partir desse caráter tão crítico apresentado em relação à sociedade, em sua opinião as HQ’s podem ser consideradas uma manifestação puramente artística?

Já inventaram essa palhaçada de nona arte ou oitava arte, mas independente disso, os quadrinhos são uma manifestação artística tão aceitável como a literatura, o cinema e a pintura em cinzeiros.

[Zupi] Com um trabalho tão crítico em relação à sociedade, você se considera anti-social?

É difícil ser sociável. As pessoas estão cada dia mais desagradáveis e mal educadas.

[Zupi] Esta sua constatação é uma de suas fontes de inspiração para elaborar o seu trabalho?

Na verdade “me alimento” de conversas paralelas. Se você tiver uma educação auditiva básica, é possível captar verdadeiras pérolas. Sempre tem algum idiota do lado falando merda, seja publicitário, estudante de design, balconista ou qualquer coisa.

[Zupi] A que fator você atribui a produção das suas tirinhas?

Falta de talento para ganhar dinheiro de verdade.

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