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Alessandro Von Victor
São Paulo, Brasil

Confira mais trabalhos aqui.

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[Zupi] Qual a origem de Von Victor? Essa personalidade enigmática sempre esteve presente ou foi algo que se incorporou com o tempo?

Venho de uma família típica do interior de São Paulo, Taubaté, onde o sobrenome e a fé no catolicismo são os maiores valores dentro da sociedade local, e no meu caso não é diferente. Por mais que o nome Von Victor remeta a muitas outras referências dentro do universo fantástico, algumas até tendenciosas, é apenas um tributo às origens da minha família paterna que surgiu logo após o colégio, em um período que passei por diversas mudanças e revelações a ponto de sentir necessidade de me reinventar. Foi então que comecei a assinar meus trabalhos com esse nome, pois é assim que esperava que o mundo conhecesse a mim e a minha mensagem.

[Zupi] O que te inspira?

TV e Internet me bombardeando de imagens que estão sendo transcodificadas e recicladas a todo instante que sento em frente ao computador. Material erótico, fotologs, outros artistas, propagandas antigas, pôsteres de cinema de paises longínquos, comics, tudo se funde e surgem as idéias para os fins mais diversos.

[Zupi] O ambiente influencia no seu trabalho? Essa sua relação com a Rua Augusta, com o ubano-outsider, é proposital ou coincidência?

São Paulo mudou meu traço e ampliou minhas referências. A Rua Augusta é o berço do underground com certeza, regras de moda e comportamento são ditadas nos bares e baladas. Com o cair do sol os néons dos bordéis é um cenário para um mundo imaginário onde tudo pode acontecer, e nesse mundo vivem as modelos das minhas criações.

[Zupi] Você vê a brasilidade em algum ponto fundamental do seu trabalho?

Não gosto nem um pouco dos elementos que compõem a suposta cara do país, principalmente no exterior, onde até hoje estamos estigmatizados no “banana, macaco, carnaval”. O Brasil é muito grande e acredito que cada região tenha sua cultura própria, sendo impossível generalizar e conotar um ou outro aspecto como único e nacional, exaltando-os e criando uma unanimidade estética. A herança cultural caipira que trago comigo está sempre presente, às vezes inconscientemente, misturada ao caos urbano da capital paulista, fazendo de mim um cowboy do asfalto.

[Zupi] Como você lida com a variedade do seu trabalho (pin-ups, tatoo, cinema,…)? Existe algum tipo de escolha de prioridades ou preferência?

A vida me levou a fazer muita coisa e muita coisa eu fiz por interesse próprio, porém sempre sou extremamente seletivo no que faço. Assim é meu dia a dia, tentando conciliar os mais diversos ímpetos criativos que tenho com a demanda de trabalhos na qual eu sou solicitado. Então enquanto não estou fazendo um story board ou caricaturas em algum evento, estou tentando melhorar meu traço no papel e pele de outras pessoas.

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[Zupi] Existe uma ligação entre os seus diferentes “públicos” ou existe um específico para cada tipo de trabalho seu?

De certa forma, O Cosplay vem de um nicho que só agora esta tendo destaque no mainstream. No cinema, onde estive por cerca de quatro anos, não pude me projetar devido à política de “não dar nome aos bois” vigente dentro da empresa, sendo que somente o coordenador levava os créditos, motivo que me fez sair desse meio, já que só consegui assinar cerca de 20% dos filmes que trabalhei. Já no meio fonográfico foi onde tive mais destaque, assinando por 10 anos as capas dos álbuns da banda “Zumbi do Espaço”, uma das “maiores bandas de punk rock do país” entre outras. Mas muita gente conhece apenas uma face de meus trabalhos, por exemplo, muitos conhecem meus desenhos, mas não sabem que eu tatuo, isso mostra que os públicos são específicos, e que pouca gente transita entre as áreas que eu atuo.

[Zupi] Como você vê a relação do erótico com a arte? Existe algum tipo de limite?

A arte é uma palavra mágica que pode dar novo conceito a tudo, até o que é julgado impróprio, pornográfico ou mesmo imoral. Com a banalização que o homem vive em relação a tudo os limites estão sendo ultrapassados a todo momento não só pela arte, mas pela mídia como um todo. Brincando com isso, tento ver até aonde pode chegar esta mudança.

[Zupi] O que você acha do trabalho no meio publicitário?

Vivo uma relação de amor e ódio com a publicidade e os meios de comunicação e seu modo invisível de controlar o mundo, bem como com a juventude moldada por ela. Mas tenho que admitir que preciso dela e espero que ela continue sempre precisando de mim, (risos).

[Zupi] Como autodidata, como você enxerga a quase obrigatoriedade dos cursos de artes para entrar na carreira profissional?

Concordo que a faculdade aumenta o contato do artista com métodos, estilos e com próprios outros profissionais, mas não dá talento a ninguém. Talento e divulgação são pra mim os principais pilares para se ter sucesso dentro desse mercado, que erroneamente desclassifica quem não possui uma graduação superior, sendo que nem sempre isso é um sinônimo de bom profissional.

[Zupi] No seu site você vende camisetas, bottoms, etc? Quem compra esses artigos?

Estou há quatro anos com a criação e o comércio de roupas e acessórios. No início fiz isso voltado ao crescente mercado de anime e mangá, mas com o tempo e a aceitação desse produto dentro de outros nichos, principalmente dos colegas do segmento de cinema & tv, resolvi investir numa linha com referências próprias e desde então já vendi camisetas para monges até skinheads.

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[Zupi] Algum novo projeto em vista? Um direcionamento?

Evito usar a palavra projeto. Tenho a todo momento muitas idéias mas é preciso disciplina para que isso não me aliene e eu não consiga concretizá-las. Estou há tempos inclinado a fazer uma exposição, porém os temas para esta mudam a cada mês, pois nunca estou satisfeito com meu trabalho a ponto de apresentá-lo deste modo. Meu direcionamento sempre surge do constate trabalho e produção, nunca o contrário.

[Zupi] Algum recado, consideração final.

A vida para mim é uma corrida onde o que importa é realizar os todos objetivos e manter-se vivo o suficiente para poder aproveitar os frutos das vitórias conquistadas, então todo minuto é precioso e as oportunidades também.

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