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[vc_row][vc_column][vc_column_text]Todos os anos o MIS realiza o Maio fotografia na qual todos os espaços expositivos do Museu foram tomados por obras de artistas singulares e fundamentais na história da fotografia. Ronaldo Entler é pesquisador e crítico de fotografia, assim como professor das disciplinas de audiovisual na faculdade Belas Artes. Como amante da história e da fotografia, foi chamado para fazer a curadoria da exposição do acervo do MIS, uma das mostras que estavam a disposição do público.

Para ele foi uma grande responsabilidade selecionar obras que transmitissem uma mensagem sólida e em conjunto. Por conter mais de 200 mil itens no acervo, o museu conta com o trabalho de historiadoras, responsáveis por manter as obras catalogadas e preservadas. Foi com a ajuda dessas pessoas que Ronaldo começou sua descoberta por meio de tantas obras e documentos. Ele conta que desde o convite até a exposição estar pronta o processo durou em média 6 meses. Dois deles foram de angústia, estudo e pensamentos para decidir o que seria feito.

Baseado na intenção de saber a origem das fotografias, qual o seu destino, o que aconteceu, qual foi o propósito da imagem, Ronaldo dividiu a mostra em quatro partes, e explorou diversos sentidos de determinadas palavras-chave. Ao contrário das outras exposições, essa possui obras espalhadas pelo museu, e não está em um lugar especifico. A ideia é que o visitante entendesse a potencialidade que as imagem ofereciam. Dentre as obras escolhidas por Ronaldo, estão registros fotográficos de uma produtora cinematográfica, que em um momento surgem lado a lado, mostrando os registros e em outro momento, com o auxílio da artista Laura del Rei, acelerou o processo de perda de informação, criando uma espécie de jogo da memória, na qual o espectador podia ter novamente a visão das obras em sua mente.

[/vc_column_text][ultimate_spacer height=”10″][vc_column_text][/vc_column_text][ultimate_spacer height=”10″][vc_column_text]Durante o processo de estudo de como seria a exposição, Ronaldo passou três meses pesquisando as obras no acervo, e ele conta que explorar era como abrir uma caixa de surpresas. Em uma sala fechada e refrigerada, estão obras que possuem maior valor ou muito antigas, e para serem preservadas, é preciso estar guardada em um lugar frio. Para entrar nesse espaço, era preciso roupas e luvas especiais, e caso alguma obra fosse escolhida, ela deveria ter um cuidado especial, sendo ambientada a temperaturas mais baixas até estar exposta a nossa temperatura atual. Todo esse processo inspirou Ronaldo, que é um curador de arte contemporânea a expor trabalhos que falassem da ditadura e de contextos históricos que de certa maneira estão relacionadas com a situação atual do país.

“Encontramos fotografias que, de modos bastante distintos, ganham movimento. Outras que demandam não só o olhar, mas também uma escuta. Em contrapartida, descobrimos os tantos retratos e paisagens construídos por depoimentos e registros sonoros. Há, por fim, as imagens que só se tornam visíveis quando fechamos os olhos e que nos fazem perceber que, também nós, nos tornamos acervo”, disse Ronaldo. Por isso, ele utilizou recursos como o áudio e o vídeo para auxiliar na transmissão das mensagens da exposição. O anuncio feito instaurando o I5 estava sendo ecoado pelo museu. Não era preciso entender o que estava sendo dito, mas a frieza da voz levava o espectador a ter outros sentimentos quando observava as obras. A intenção era mostrar que o passado está prestes a acontecer de novo. Esse foi o tema de um dos segmentos, e por isso, um trecho do Projeto 68, feito por artistas do Rio, foi transmitido, mostrando o período da ditadura. Além disso, outros projetos relacionados estavam expostos como um trabalho feito nos muros depois da eleição, na qual retrata o sentimento que temos de não conseguir enxergar a imagem dos políticos, tanto no sentido figurado, quanto no literal.

Ronaldo Entler teve a proposta de instigar o senso crítico do visitante. Se utilizou do conjunto de diversas obras para propor discussões pertinentes, como a situação política atual, até as origens das imagens. Você já pensou o que vai acontecer com a quantidade de fotos que são tiradas e armazenadas hoje? Será que alguém irá encontrar os terabytes de fotos tiradas nessa década e propor uma discussão sobre o que estava acontecendo nesse período? Em um último momento da exposição, Ronaldo propõe a reflexão sobre a forma como a sociedade tem se posicionado em meio a quantidade de recursos disponíveis, assim como a quantidade de material produzido, “estamos mostrando demais e não mostramos nada”.[/vc_column_text][vc_column_text][/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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